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CRITICAS, DELIRIOS SENTIMENTAIS, CONFISSÕES DE AMOR, OBSERVAÇÕES E BESTEIRAS SOBRE O MUNDO FEMININO E MASCULINO NA VISÃO DE QUEM NÃO ENTENDE NADA SOBRE O ASSUNTO...


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Fenômeno

- Sabe…
- Quê?
- Ando diferente.
- Como assim diferente?
- Me sentindo diferente.
- Tá triste, feliz, boiola, o que?
- Não, não é isso. Tenho me sentido diferente mesmo. Fisicamente.
- Não é por menos. Com a quantidade de Salgadinho Torcida que você come.
- Você não me entendeu. Não tenho sentido essas coisas corriqueiras. Tenho sentido coisas que nunca havia sentido.
- Tipo?
- É estranho. Difícil de explicar. Mas tenho a sensação que estou ficando… melhor…
- Melhor como?
- Melhor. Em tudo. Meu raciocínio parece mais rápido, meus reflexos estão instantâneos, enxergo as coisas de muito longe.
- Ah é?
- É. Cada vez mais resolvo questões complicadas com rapidez. Nunca mais deixei cair nada, não sei mais o que é tropeçar. Parece que meus movimentos são todos perfeitos.
- Mas isso não é impressão sua não?
- Não é não. Eu achei que fosse no início. Que estava querendo acreditar nisso. Mas daí comecei a me testar, me submeter a provas.
- Que tipo de provas?
- Bem…
- Que tipo? Você cospe pra cima e pega de novo? Atira bolinhas de papel no lixo? O que?
- Os primeiros testes foram desse tipo sim.
- E aí?
- Perfeito. Tudo que eu fazia era perfeito. 100% de eficiência. Consegui até fazer malabarismos com panqueca na frigideira.
- Uau!
- É, mas isso não é o mais impressionante.
- O que é?
- Eu consigo aprender coisas complicadas em segundos.
- Como assim?
- Ontem peguei um dicionário de cantonês. Folheei. Após alguns minutos eu sabia falar o que quisesse em “Xing Ling”.
- Caramba. Fala alguma coisa aí.
- 龍以向太陽
- O que quer dizer isso?
- O dragão falou com o sol.
- Uau.
- É. E isso é só uma das coisas. Todos meus sentidos estão desenvolvidos, resistência muscular. Tudo. Poderia ficar horas te dizendo coisas que sou capaz de fazer agora.
- Então isso quer dizer o que? Que você está se tornando um tipo de super-herói?
- Ah não sei. Essas coisas não existem né. Mas como explicar? O que você acha?
- Olha, ás vezes você é como aquele cara, daquele filme.
- Que filme?
- Aquele que o cara parece comum, mas depois de certo momento percebe que ele é super poderoso e tal.
- É, também pensei nisso. Você está falando de Corpo Fechado né, em que o Bruce Willis sobrevive a um desastre de trem e depois começa a ajudar pessoas com seus poderes.
- Na verdade não. Pensei naquele que o John Travolta vira um gênio do dia pra noite, mas que na verdade estava doente e morre no final.


QUEM SOU?

"AO ME CONHECER, NÃO TENTE ME ENTENDER.
AO TENTAR ME ENTENDER, NÃO IRÁ ME COMPREENDER.
SE ME COMPREENDER, ENTENDERÁ QUE PARA ME CONHECER É NECESSÁRIO VIVER SEM DESENTENDER.
PORQUE QUEM ME CONHECEE BEM SABE QUE NÃO TENHO NADA A OFERECER.
PARA QUEM NÃO ME CONHECE...NÃO SABE O QUE ESTÁ PERDENDO!!
PERDENDO TEMPO? TALVEZ...
NADA A PERDER!!
PARA ME CONHECER BASTA FECHAR OS OLHOS E LEMBRAR QUE PARA SENTIR NÃO É PRECISO VER,
QUE PARA ACORDAR NÃO É PRECISO DORMIR,
E QUE PARA AMAR NÃO É PRECISO SOFRER!!
PARA ME CONQUISTAR BASTA OLHAR.
PARA ME COMPREENDER BASTA ENTENDEDR QUE AO ME CONHECER, O CONHECIMENTO NÃO ME SATISFARÁ!!
BASTA VOCÊ ME AMAR QUE ME CONHECERÁ!!"


A Cinderella vs Cinderella

Depois da odisséia do Príncipe Encantado para achar a dona do famigerado sapatinho de cristal, as coisas estavam tranqüilas no Reino. Cinderella, a nova princesa do pedaço, era amada por todos os súditos, com seu jeito simples e sua cultura doméstica conquistava a todos, deixando para o Príncipe a tarefa árdua de comandar o Reino próspero.

O casal ia de vento em popa, Cinderella permanentemente encantada com o charme do Príncipe, que mesmo após batalhas sangrentas valsava religiosamente com ela toda noite no Salão Nobre do Castelo. Ela sempre ficava apreensiva quando chegava a meia-noite, achava que seu sonho acabaria. Ele a tranqüilizava, massageava seus pés após o dia duro em que ela fazia questão de arrumar todos os 74 aposentos reais. Velhos hábitos não morrem.

Pouco a pouco, do encantamento passaram a profunda admiração. O Príncipe babava pelo charme suburbano de Cinderella, aquela coisa meio Piscinão de Ramos que a princesa exalava. Justo ele que sempre foi um playboyzinho enjoado. Acabou enfeitiçado pelo jeito da modesta Cinderella.

Cinderella não se acostumava com todo aquele luxo. Tanto ouro pra lá e pra cá, achava incrível como seu Príncipe estava sempre impecável, fosse para uma cerimônia monótona da corte ou para uma pelada contra os Duques do reino vizinho.

Não se agüentando de tanto amor, os pombinhos começaram a andar pra cima e pra baixo juntos. Pra que sentir saudades se podiam ficar o tempo todo juntos? Ele adaptou uma garupa em seu cavalo para que ela pudesse o acompanhar em suas batalhas. Ela arranjou um balde extra para poderem limpar as janelas do castelo “coladinhos”. Era tudo alegria.

Mas como em todo conto de fadas, uma hora o feitiço de quebrou. Depois de algum tempo, o Príncipe viu que suas performances nas batalhas estavam prejudicadas pelo peso extra, além de adquirir um bico de papagaio infernal. Cinderella já não agüentava mais ver o Príncipe colando a boca e assoprando contra os vidros pra fazer graça para os criados.

O desgaste se refletiu no casal, trocavam olhares como não se conhecessem mais. O Príncipe deixou de andar engomado depois que percebeu como era difícil tirar e colocar a armadura para a faxina “castelal”. Cinderella no entanto começou a se empetecar toda, tinha que estar bonita para os desfiles da vitória. Ambos não tinham mais pique para as valsas noturnas, ora era Cinderella com dor de cabeça outra era o Príncipe concentrado para alguma guerra.

Tinham que tomar uma atitude drástica. Chamaram a fada-madrinha é claro.

Ela, que havia acabado de chegar de umas férias em Miami Beach, não precisou mais de dois minutos para resolver a questão. Mandou Cinderella passar uns tempos na casa da madrasta enquanto o Príncipe viajava para uma batalha ao norte.

Após alguns dias se encontraram no Salão Nobre do Castelo. Ela havia recuperado seu charme “rodriguiano” se apresentando com um esfregão nos braços, ele, impecável, trazia em sua mão direita a cabeça do rei dos Felcos.

Ela tirou os sapatos como se pudesse flutuar por alguns instantes. Ele arrancou o elmo como fosse sua própria pele. E valsaram felizes para sempre.


A atração por amores impossíveis



!!!! Não consigo evitar. Sei que não deveria estimular, e sim deixar tudo acabar.
Ou melhor, nem começar. Mas percebo que já começou.
E não consigo deixar de sentir. De pensar e de sonhar.
Incertezas, dúvidas, dificuldades, tudo parece não importar.
A sensação, é de que quando penso, posso te tocar.
Impossível sim... eu sei.
É tão bom. Um desperdício evitar.
Quem sabe o tempo que irá durar, ou seu um dia irá acabar.
Por agora, não quero nisso pensar. Quero apenas deixar, você, pela minha vida passar.!!!!!


O que torna os amores impossíveis mais bonitos é justamente a impossibilidade. Esta atrai.

A dificuldade nos impulsiona, nos motiva. Exatamente como o perigo. As pessoas gostam de se medir às dificuldades porque têm necessidade de provar que são mais fortes. Assim, quanto mais difícil, mais o amor parece ser grande, excepcional e único. E quem não quer viver algo grande, excepcional e único?!

Num amor impossível cabem todos os sonhos, todas as perfeições, o mínimo detalhe é idealizado. Colocamos na nossa cabeça que aquela pessoa é exatamente o que esperamos da vida, mesmo se tudo parece contra. Ele fica pra sempre, mesmo se outros amores vêm e vão depois... e deixa aquela sensação de inacabado que nos persegue pra sempre.

Creio que no quebra-cabeças da vida é aquela pecinha que fica faltando para completar o todo. E mesmo se as noventa e nove outras estão lá, é aquela que falta, só aquela que deixa aquela dorzinha estranha que a gente não sabe definir, mas que sente de forma tão nítida e clara.

Acontece de um amor impossível tornar-se possível e isso quase sempre rouba a magia do sentimento. Inconscientemente muitos sabem disso, o que leva pessoas a preferirem viver um impossível que dá satisfação que um possível que pode abrir os olhos para a realidade. Porque uma vez que o amor torna-se possível, acaba a expectativa, acaba o sonho... e o homem foi feito pra ter sonhos, pra esperar por eles! O que explica o porquê de uma pessoa amar outra pela eternidade e nunca se declarar, de certos amores virtuais preferirem continuar no virtual.

Um amor impossível pode marcar uma pessoa mais que toda uma vida vivida ao lado de outra. E no outono da vida, quando o passado se faz mais presente que o próprio presente, é aquele amor que vai fazer brilhar os olhos e lembrar ao coração que ele ainda bate.

O impossível é belo!... como o arco-íris, o horizonte, o céu, o infinito!... que mantém acesa a chama no coração do homem e o faz sentir-se vivo.



Tem dias que um simples cafuné faz toda a diferença...

Nem todo sonho é legal.

Normalmente dividimos nossas aventuras inconscientes durante o sono entre sonho e pesadelo. Via de regra pesadelo é uma aventura ruim, que traz medo, tristeza, desespero. Pesadelo é qualquer coisa que passamos durante o repouso que não gostaríamos de viver na vida real. O sonho, pelo contrário, costuma ser o que gostaríamos que acontecesse. Seja voar por cima do Himalaia ou conquistar a mulher mais bonita do mundo, mesmo que seja uma mera desconhecida.

Mas acredito que nem todo sonho é legal. Ainda que possa dar um gostinho de experiências quase impossíveis para ser humanos comuns, os sonhos podem trazer diversos sentimentos reais que evitaríamos a qualquer custo.

Já sonhei que ganhei na loteria uma vez. Era inacreditável. Era um desses sonhos em que dentro dele você pensa: “Acho que isso é um sonho”, mas rapidamente seu inconsciente te dá um tapa na cara e mostra quem está mandando. “Não, você não está sonhando, isso é real”. No sonho avisei meus pais, chamei-os pra conversar para dividir a bolada, ia finalmente compensar meu pai por todo seu investimento em mim com um investimento em sua empresa, minha mãe ia poder comprar o apartamento de seus sonhos para nunca mais ter que se preocupar em ficar desamparada. Minha irmã ia ganhar uma poupança gorda, daquelas que permitem buscar seus verdadeiros sonhos sem ser importunado por burocracias e contas do dia 5. Eu? Eu ia começar a me programar para sair do pais, viver onde acho que o mundo faz um pouquinho mais de sentido, só precisava arranjar as coisas pro casamento, viajar algumas vezes para escolher a cidade e a casa onde moraria com minha futura esposa, ia poder escrever sem ter que parar para fazer algo que não importa pra ninguém, algo que o mundo não sentiria a mínima falta.

Mas, como sempre, acordei. E o que senti quando acordei foi pior do que ter a noção de que não posso arrumar a vida de todos que amo. Foi a sensação de ter tido a chance, mas tê-la deixado escapar. Sei que é besteira, tudo que aquilo que vivi por meio de impulsos elétricos é tão real quanto uma nota de três reais. Não poderia ter “aproveitado a chance”, não tinha nada pra fazer para manter aquilo acontecendo em outro lugar alem de minha cabeça. Mas sentimento é assim mesmo, não pergunta se pode.

Não sei se isso é motivo para uma de minhas melancolias, se é estímulo para minha impressão de que tudo está errado, talvez fosse mais um dos meus boicotes a felicidade no mundo. Tudo é errado, maquiado, falso. Não sei, mas duvido que alguém que tenha o mesmo sonho que eu tive não se sinta um pouco decepcionado com a vida.

Sorrir depois de ter sonhado que estava voando é fácil, é gostoso, ás vezes tomamos controle da situação e é como se estivéssemos finalmente realizando a fantasia de todos os seres da Terra. Mas o que dizer do sonho que faz pensar, que te mostra como sua vida é pior do que poderia ser, o sonho que esfrega na sua cara sua mediocridade?

Tento focar nas pequenas coisas, numa risada longa de doer a barriga, de uma hora olhando um mar perfeito, de um primeiro beijo, mas isso só me faz enxergar que a vida é cruel 100% do tempo, nos deixando ter momentos de felicidade só para termos saudades do que se foi.



Então…

Faz tempo que não escrevo. Mais ainda que não publico. A mão está enferrujada, o cérebro meio bobo – ou o contrário. Até por isso, peço um pouco de paciência, especialmente de mim mesmo. Não é questão de branco. Se tem uma coisa que não está difícil é arrumar tema.

Problema de olho e umbigo, mesmo. Ando auto-centrado demais. Só quero saber de mim, das minhas coisas, dos meus assuntos; não estou conseguindo olhar para fora e ver aquelas coisas curiosas, engraçadas, pitorescas, revoltantes. Corrigindo: até enxergo, mas não é uma coisa que me compele. Registro, faço um post-it mental e deixo ali para retomar qualquer hora. Li uma coluna no No Mínimo relatando a incursão do autor em uma academia – mais do mesmo, o “intelectual” entrando no terreno dos “brucutus acéfalos”. Seria interessante dar uma desancada no cara, dar um contorno diferente para a mesma história. Li vários livros – alguns bem bons - , assisti a vários filmes – a maioria bem bons; tenho lido jornal e navegado em diferentes idiomas e pautas; conversei sobre modelos de representação de emissão de partículas em explosões solares; fui ao U2, ao Roberto Fonseca e ao Medeski, Martin & Wood, a espetáculos de dança, a peças do Autran; vivo espremendo relatórios e pesquisas; viajo nas minhas hipóteses para a pós; registrei, pelas ruas, um mendigo resgatando uma garrafa de água mineral na Benedito Calixto e um menino tirando um cochilo meio de cócoras embaixo de uma marquise; tem a profusão de verde, amarelo e azul em dia de jogo; tem as sandices da quadrilha do Lula – a do tradicional “arraiá” no torto, naturalmente. E vi a última do Antonio Prata no Guia do Estadão, sobre as figurinhas da Copa. Texto delicioso, que vontade de ter escrito aquele! Só que não teria feito, não estou com essa leveza no olhar. Não vejo por que sentar e escrever a respeito; o assunto não me chama, não vibra. Ia sair uma coisa burocrática qualquer. Isso tudo não sou eu e eu só quero saber de mim, caramba.

Agora, o que tenho sobre mim? Virei minha vida de pernas para o ar nos últimos meses. Todos os grandes referenciais mudaram: na vida profissional, na nova vida acadêmica, na doméstica, etc. Tem as transformações que não são visíveis a olho nu. No meio desse bolo todo surgem também umas formas novas de expressão. Estou descobrindo meu retrato na ocupação dos espaços, em móveis e quadros, e ando gostando de brincar de ver as afirmações silenciosas que as roupas fazem. De testar e ver que estiquei alguns limites e reforcei certas fundações. De poder ser tão inédito às vezes e tão reprise em outras. Cada uma dessas, uma viagem lá para dentro, mas nada muito lírico ou profundo, não: daquelas que a gente volta carregando mais coisas do que levou, paga um excesso de bagagem e tudo certo.

Fui vago de propósito no último parágrafo. Poderia conversar abertamente, mas não. Até estou a fim de falar. Só não quero ter que dizer.


O chove-não-molha dos amores líquidos

É namoro ou amizade? Rolo, cacho, ensaio de amor, romance ou pura clandestinidade?

¿Qualé, rapá?!¿, indaga a nobre gazela. E o homem do tempo nem chove nem molha. Só no mormaço, só na leseira das nuvens esparsas.

No tempo do amor líquido, para lembrar o título do ótimo livro de Zygmunt Bauman sobre a fragilidade dos encontros amorosos, é difícil saber quando é namoro ou apenas um lero-lero, vida noves fora zero...

Cada vez mais raro o pedido formal de enlace, aquele velho clássico: ¿Você me aceita em namoro¿?

Suspense, velho Alfred!

O amor e as suas malasartes.

O amor será sempre dirigido por Hitchcock.

¿Quer namorar comigo?¿

No tempo do ¿ficar¿, quase nada fica, nem o amor daquela rima antiga.

Alguns sinais, porém, continuam valendo e dizem muito. O ato das mãozinhas dadas no cinema, por exemplo, ainda é o maior dos indícios.

Mais do que um bouquet de flores, mais do que uma carta ou um email de intenções, mais do que uma cantada nervosa, mais do que o restaurante japonês, mais do que um amasso no carro, mais do que um beijo com jeito, daqueles que tiram o gloss e a força dos membros inferiores.

Mais até do que um jantar à luz de velas, que pode guardar apenas um desejo de sexo dos dons Juans que jogam o jogo jogado e marketeiro.

O cinema, além da maior diversão, como diziam os cartazes de Severiano Ribeiro, é a maior bandeira.

Nada mais simbólico e romântico.

Os dedos dos dois se encontrando no fundo do saco das últimas pipocas...

Não carecem uma só palavra, ainda não têm assuntos de sobra.

Salve o silêncio no cinema, que evita revelações e precoces besteiras.

Ah, os silêncios iniciais, que acabam voltando depois, mas voltando sem graça, surdo e mudo, eterno retorno de Jedi. Nada mais os unia do que o silêncio, escreveu mais ou menos assim o poeta...

Palavras, palavras,palavras...

Silêncio, Silêncio, silêncio...

Dessas duas argamassas fatais o amor é feito e o amor é desfeito.
Simples como sístole e diástole de um coração que ainda bate...


Umidade

É que o dia estava diferente mesmo. No abrir dos portões, no andar do carro, tudo estava diferente. Minto, os sons não eram mais os mesmos. Os pedestres conversando, os ônibus passando, não havia o ensurdecedor barulho do cotidiano. Como em um take de cinema, as ruas estavam mais calmas e vazias. O som estridente e incessante dava lugar ao grave e baixo ruído das coisas. Como se estivéssemos vivendo em um planeta, em uma cidade, acústicos por assim dizer. Tudo parte de uma grande gravação. Tudo obra Dele: o Diretor.

Talvez fosse a umidade . Sim, a umidade do ar; ela devia estar baixa. É verdade, a umidade baixa altera a propagação do som e por isso é que estava tudo diferente. Lembrei das aulas de Física, a professora Rosana ¿ Porque a bem da verdade a gente está aqui respirando moléculas, átomos. E átomos têm massa, tem peso, o que nos faz lembrar (ok: me faz lembrar) que respiramos algo sólido. Sim, todos nós respiramos algo sólido, só não é denso demais e por isso o conseguimos fazer; respirar.

Adoro respirar, ainda mais nesse dia, manhã de inverno. Adoro manhãs de inverno!

Estava tudo perfeito para a ocasião. O sol que apareceu tímido, sem esquentar o suficiente. O ar lá, parado, esperando a gente trombar com ele ¿ uma pintura cinestésica.

Talvez tenha sido a umidade. As pessoas andavam mais leves, pareciam livres das preocupações do dia anterior, pareciam vivas. Como em um sonho ou em um passe de mágica, tudo estava mudado; foram apenas algumas horas entre o deitar e o despertar mas pareciam anos, talvez décadas, ou até mesmo o próprio sonho do qual aquelas pessoas eram apenas imaginação.

A estranheza do bom é que atormentava. A dúvida, a incerteza do que causara aquilo mantinha a curiosidade alerta. Não tinha explicação. Talvez a umidade, na verdade a falta dela. O certo é que de um lado estavam entrando os concertistas, todos alinhados como manda a boa etiqueta das sinfônicas. Todos de um preto alinhado, sóbrios; homens e mulheres impecáveis.

Resolveu chamar pelo nome, gritava ¿ sem efeito. Andando, olhando, acenando e gritando ele foi chegando até trombar com uma senhora que, abaixada, procurava sua cadeira. Óculos para um lado, bengala para o outro e quando, enfim, recuperaram-se; houve uma rouquidão muito grande de ambos os lados. As vozes não saiam e os olhos apertados, forçados, lacrimejavam de emoção. Um velho amor, uma velha paixão; velhos enfim.

Não se sabe como aquilo aconteceu mas tem gente que, ainda hoje, jura que foi a umidade.


Mulher - Segura de si....

E a mulher lutou muito para obter direitos iguais, os mesmos salários, as mesmas oportunidades, as mesmas possibilidades de trair, etc. E ela chegou lá. É claro que ainda tem que trocar as fraldas de cocô, fazer o almoço de domingo, mandar a empregada gostosa embora e ir às reuniões pedagógicas na escola do filho ao meio dia quando tem milhões de coisas pra fazer! Mas a mulher está muito bem! Muito segura de si, muito orgulhosa! Feliz!

Na boate, lá pelas tantas horas e tantas cervejas...

- Oi.
- ...
- Tudo bem?
- ...
- Qual o seu nome?
- Mariana.
- ...
- ...
- Você vem sempre por aqui?
- ...
- Você estuda, trabalha?
- Eu faço faculdade.
- Ah... De quê?
- De Administração.
- Eu faço medicina.
- Ah...
- Você veio sozinha?
- Não. Vim com amigas.
- Entendo... E tem namorado?
- Por que?
- É que...
- Ah?
- ...
- Pode falar. Não fique tímido.
- ...
- Não tenho namorado. Estou disponível, aberta a novos relacionamentos e pronta para outra...
- Claro. Eu só queria saber...
- Não que eu ache que os homens não prestam. É que meus últimos rolos e ex-namorados foram bem sacanas comigo e...
- Olha, eu...
- Eu sei que você vai dizer que é diferente, que nem todos os homens são iguais, mas vai ter que sambar muito pra me provar isso,viu, e...
- Deixa eu falar...
- Não. Peraí! Eu sei que nem todos são iguais, mas quer saber? Parece até que existe uma irmandade ou fraternidade oculta na crosta terrestre e que todos vocês, homens e ratos, vão pra aprender como maltratar e magoar as mulheres. Um dia eu entro lá disfarçada e pego todos no flagra!
- Mariana?
- Sabe o que é pior? É que vocês não podem ver um rabo de saia e já ficam doidos. Por que vocês não conseguem ser fiéis? Vocês entendem o que é amor?
- ...
- Sabe, é por isso que não acredito em casamentos! Depois que casam, vocês, ratos, só querem que a mulher fique atrás do fogão enquanto vocês saem pra pegar as menininhas que tem idade para serem sua filha! E mais... Chegam em casa com a cara lavada e ainda querem sexo!
- Eu... Bem...
- Sexo! Vocês só pensam nisso. Só pensam em conversar com uma mulher quando querem fazer sexo! Custe o que custar. E aí, quando eu ficar gorda e velha você vai procurar sexo na rua, não é?
- Ah... Bem... Eu... Eh...
- Ta vendo? É isso mesmo. Ficou até sem fala! Viu só? Homem é foda!
- Desculpe, Mariana. Eu só queria te conhecer... Tchau.
- ...

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- Viu aquele carinha ali, Roberta?
- Sim. Ele tava te cantando?
- Hã! Cantando! Ele queria transar comigo! E aí foi só eu começar a conhecê-lo melhor pra saber que é um crápula! São todos iguais!
- É...


O colecionador...

- Espera um segundo que eu vou lá pegar.
- Pegar o quê?
- Ora, pegar minha coleção de selos.
- Você não está falando sério?
- Estou.
- Não acredito.
- Sim, eu te convidei pra vir a minha casa ver a coleção de selos.
- Mas hoje é noite de sexta-feira.
- E daí, os selos, geralmente, não saem pra lugar nenhum.
- Olha, deixa eu te explicar: nós dois, sozinhos em seu apartamento, adultos, descomprometidos.
- Justamente, por isso. Não há ninguém pra nos atrapalhar. Você ficaria maravilhada.
- Quero me maravilhar de outra forma.
- Como assim?
- Você não está sentindo que há algo entre nós.
- Claro. Tem essa mesa de canto, esse abajur ...
- Não é isso! Você não percebe que estou fascinada?
- Mas só ficou desse jeito depois que eu te falei do meu selo persa, de mil novecentos e quinze, espertinha.
- Não, não.
- Olha, eu fui bem sincero : vai fazer alguma coisa hoje? Que tal vir aqui, ver minha coleção de selos?
- Você sabe que eu não sou uma mulher atirada.
- Pudera, estamos no décimo quinto andar.
- Mas eu coloquei minha roupa mais instigante.
- Hummm, sinceramente, não tenho vocação pra trabalhar com moda.
- Nem eu tenho vocação pra trabalhar nos Correios.
- Agora você está me ofendendo.
- Eu também estou me sentindo ofendida. Sempre te achei um sujeito bonito, inteligente e charmoso. Até seu jeito meio excêntrico me interessava.
- Onde você quer chegar?
- Quer mesmo saber? Que tal em um botão ou dois?
- Ahhhh. Você não vale nada mesmo. Agora entendi. Como eu fui bobo. Então, vamos lá pro meu quarto?
- Ótimo, já não era sem tempo.
- Mas vem cá, você quer começar vendo a minha coleção de botões de times da Europa ou do Brasil?


Como conseguir mulheres

A primeira luta para conseguir mulheres é chamar atenção. Se aprende desde pequeno. Ou você é olhado, observado, admirado ou é mais ou menos ignorado. Tem gente que tem o dom, a genética, o estilo ou qualquer combinação dessas coisas naturalmente, sem esforço. O que é uma sacanagem e prova matematicamente a injustiça intrínseca deste mundo. Só que isso não tem a menor graça.

A grande graça está naquelas pessoas que, sem graça natural, tentam subverter o sistema e arrebanhar uma colher-de-chá de admiração. Capricham nas roupas, na pose, na simpatia, nas idéias extravagantes, no olhar 43 (se não souber o que é isso, pergunte pro Paulo Ricardo; se não souber quem é o Paulo Ricardo, parabéns).

Dentre as diversas técnicas, uma das melhores é o cão. Um cachorrinho faz milagres pra quem não tem o abdômen bem definido. Funciona assim: arranje um cachorro. Pode ser macho ou fêmea, não importa. Não precisa ser um cachorro muito metido a besta também. Quase qualquer um serve, desde que tenha alguma coisa "interessável". Pode ser dos bravos, pra passar uma imagem de bad-boy. Ou dos grandões e brincalhões, para mostrar como você é cool. Ou até mesmo dos pequenos e bem-cuidados, sinal de que o dono sabe o que faz. A visão de um cachorrinho embaça qualquer racionalidade: a mulher não vai lembrar que o cachorro pode estraçalhar uma jugular, babar e destruir a casa inteira ou latir esganiçadamente a noite toda. Um cachorro é um cachorro é um cachorro.

O que importa é tirar o cão de casa. Sair pra passear em todas as oportunidades possíveis. Na padaria, na casa lotérica, nas baladas e, principalmente, nos parques e praças. Pronto. Meninas gostam de cachorros, fazem festa, querem saber a raça. Das toneladas de atenção que seu melhor amigo vai receber, vai sobrar uma ou duas colheres-de-chá para você. Ex-ce-len-te. Lembre-se: seja visto ao lado do cachorro em todos os momentos possíveis. Se você conseguir controlá-lo, ainda melhor.

Se você não gostar de cachorros, está quase tudo perdido. Sua última chance é sair por aí numa Ferrari. Boa sorte.



Recheio

Num bar, na esquina, no centro. Vazio:

- Não acredito que você falou isso.
- Qual o problema, é um elogio como qualquer outro.
- Elogio? Para uma mulher? Quem é você?
- Sou eu pô, sempre fui assim.
- Burro?
- Não.
- Idiota?
- Também não.
- Patético.
- Ah cara, nem é para tanto.
- Lógico que não, o sonho de toda namorada é ser chamada de "recheada". Não vejo como não poderiam gostar.
- Pois é, não vejo também.
- Porque você não chamou de gostosa?
- Batido.
- De gata.
- Muito pudico.
- Você está impossível hoje. Fica ligado que essa mina nunca mais vai querer saber de você.

Num salão de beleza, no meio da quadra, no bairro. Lotado:

- Recheada? Que diabos ele quis dizer com isso?
- E eu que vou saber.
- Como você reagiu?
- Como uma dama, fiz uma cara bem feia, dei-lhe as costas e fui embora, mas me arrependi.
- Porque?
- Aposto que ele ficou olhando meu traseiro recheado.
- Ah, para com isso.
- Agora eu mal consigo olhar para mim no espelho.
- Deixa disso Carlinha, você sempre foi voluptuosa.
- Isso sim, mas nunca fui recheada. Estou me sentindo uma bolacha, um frango, uma gorda.
- Ah, nem é para tanto, as vezes os homens querem dizer uma coisa e acabam falando uma bobagem dessas.
- Será?
- Lógico, aposto que ele queria dizer que você era gostosa, uma gata.
- E porque não disse?
- As vezes ele tentou ser mais safado e diferente.
- Hahaha, até parece.

Em outro lugar, meio que por ali, nas bandas de lá. Nem assim, nem assado:

- Você soube a última da Carlinha e do Rafa?
- Sim, "recheada", hehehe.
- Coitado do idiota.
- Coitada da gordinha.
- Um brinde.


E lá se vão mais 100 anos

OBS: Este texto foge do conteúdo do blog, mas... tinha que desabafar...

E lá se vão mais 100 anos do ditado popular: Cada um tem aquilo que merece! No mínimo uns cem anos, afinal não se sabe quando o ditado foi inventado nem o quanto de população precisava conhecê-lo pra ser ele popular. Você consegue acreditar que depois de todos os escândalos com o frango das merendas escolares, com os fuscas dados aos campeões de 70, depois de toda a rebordosa sobre o desvio de dinheiro público ¿ no caso, o seu - para paraísos fiscais como os das ilhas Jersey, depois do Túnel Ayrton Senna e Jacú-Pêssego, depois de institucionalizar a bandalheira com o ¿Rouba mas Faz¿; depois de tudo isso e mesmo com 8 processos em andamento na justiça, o Sr. Paulo Maluf ainda é o candidato mais votado segundo a simulação de intenção de voto?

Você acredita na programação da Tv brasileira que oferece ¿Vale a pena ver de novo¿, ¿Vídeo Show¿, ¿Big Brother¿, que mostra incompetência aos domingos exibindo Fausto Silva ou Gugu e suas mil e quinhentas ¿vídeo cassetadas¿ repetidas, que repetidas vezes repete as mesmas repetições de matérias, documentários e notícias? E nas pessoas ¿cultas¿ (que tenham o mínimo de discernimento já vale) que criticam a Tv e sua programação, sua qualidade e segunda-feira, logo pela manhã, estão discutindo quem vai ganhar a ¿Dança dos Artistas¿ ou a matéria do ¿Fantástico¿ - que se for o caso de ler, podemos ler a revista VEJA que ficam elas por elas?

Dá pra acreditar em quem fuma cigarro, incomoda os outros com a fumaça e depois reclama do sujeito que jogou papel fora do cesto de lixo? Que falta de cidadania! Ninguém acredita naquele bando de motorista amontoado uns quase por cima dos outros, buzinando e reclamando, ligando e se desculpando pelo atraso do dia, mas todo mundo avança o sinal vermelho, faz conversão proibida e fecha o cruzamento falando ao celular.

Meia-entrada com carterinha falsa todo mundo compra (e com isso os cinemas e casas de show já embutem no preço final o prejuízo das meia-entradas), toma-se muito Yakult enquanto faz compras e nunca, nunca, paga no caixa e; depois de tudo que já aconteceu nessa curta vida democrática, Fernando Collor está quase senador por Alagoas, Lula quase presidente outra vez ¿ mas fala baixo que ele não sabe de nada; nunca! -, a taxa do lixo continua onerando o bolso de quem mal pode pagá-la, assim como a provisoriedade da taxa sobre as movimentações financeiras oneram a permanente falta de finança, o que constitue em um paradoxo que tem relação zero com os recursos para a saúde.

E tudo isso por que? Porque o mal do Brasil é o brasileiro. E lá se vão mais 100 anos ¿


Em busca da felicidade

- Você não sabe cara.
- O que?
- Eu e a Betina.
- Que tem?
- Vamos nos separar.
- Jura?
- Juro.
- Nunca ia pensar nisso.
- É, nós também, mas aconteceu. Tentamos evitar, recorrer a terapia, etc. Nada funcionou. Achamos melhor cada um seguir seu caminho.
- Mas não tem volta mesmo?
- Não. Já demos entradas nos papéis.
- Tem certeza?
- Não. To na dúvida, mas como esses processos demoram já dei entrada para agilizar caso se oficialize.
- Sério?
- Claro que não. Tenho certeza que quero me separar, senão não tinha entrado com o processo.
- Mas porque chegaram a esse ponto? Você fez merda né!
- Que merda nada. Você sabe muito bem que nunca traí a Betina.
- É verdade, sempre achei que você ia acabar se dando mal. Foi isso né. Pegou ela na cama com outro. Que zica. Nem deu tempo do cara sair fora. Você deve ter chegando antes de viagem né, sempre chega, quer fazer surpresa. Essas coisas de agradar as pessoas dão errado. Viu o que aconteceu com você?
- Para, para, para. Não peguei a Betina com ninguém. Não fale bobagem.
- Então porque?
- Porque o que?
- Por qual motivo estão se separando?
- Porque não estou feliz.
- E?
- E o que?
- Tem que ter mais alguma coisa.
- Como assim? Só isso. Não estou mais feliz vivendo desse jeito.
- Mas isso não é motivo.
- Como não?
- Isso é normal. Um monte de pessoas não é feliz no casamento e nem por isso pedem o divórcio.
- Eu não sou um monte de pessoas.
- Você é louco.
- Eu sou louco? To me separando porque não estou mais feliz e você me chama de louco. Normal é quem fica casado e infeliz?
- Claro. Quando você casa já sabe que vai ser assim.
- Assim?
- É, infeliz.
- Eu não, pretendia ser feliz quando me casei. Buscava a alegria plena.
- Foi por isso que deu errado.
- Porque?
- Expectativas erradas. Se queria felicidade buscou no lugar errado.
- E onde deveria buscar?
- Onde? TV a cabo é lógico.


Entre o moderno e o eterno...

Em seu famoso ensaio sobre a Modernidade, Baudelaire a definiu como sendo o transitório, o efêmero, todos os elementos que sejam condicionados pela época, pela moda, pelas paixões. Mas, para além da volatilidade que lhe é inerente, há também na Modernidade o fascínio fugidio das metamorfoses, dessa tensão constante entre tradição e mudança. O papel do artista estaria, pois, em extrair a beleza misteriosa da fugacidade moderna, a fim de destilar-lhe o que há de eterno.

Ok, mas o que é que as mulheres têm a ver com isso?

Vivemos uma era caótica. O walkman de ontem é o iPod de hoje, que amanhã já estará obsoleto. Pertencemos a gerações precocemente nostálgicas, que têm saudades da Turma do Balão Mágico, TV Pirata e a zebrinha do Fantástico simplesmente porque mal tiveram tempo de assimilar uma época que parece ter terminado precocemente, soterrada em meio a mudanças cada vez mais repentinas. Mas quem está na casa dos trinta anos até que teve sorte. Fico pensando nessa molecada que mal saiu das fraldas e já é condicionada a ter aulas de inglês, informática, japonês, natação e o que mais couber em suas agendas, a fim de se preparar para enfrentar os desafios profissionais nestes dias de fucking times. Cabe aqui ressaltar que essa " molecada" tem informação demais com qualidade de menos...

E se essa criança for do sexo feminino, sai de baixo. Haja 24 horas para a mulher que deseja construir uma carreira profissional, ter e criar filhos, controlar o próprio peso, encontrar um cara legal ou, na ausência dele, aprender a trocar pneus, ao mesmo tempo que lava pratos, retoca a maquiagem, cursa uma faculdade e curte a vida por aí. Sexo frágil é o escambau!

É óbvio que nem todas as mulheres enquadram-se no perfil rascunhadamente traçado no parágrafo acima, vide as neoamélias, popozudas, marias-gasolina, mocinhas com a Síndrome de Cinderela que ainda sonham com o seu príncipe encantado (aquele mesmo que vira sapo logo após gozar) e executivas workaholics que acham que homens são todos iguais e não hesitariam em trocá-los por vibradores que também abram vidros de palmito.

E eu, que sou apenas um rapaz latino-americano, percebo que é impossível definir todas as inquietações, idiossincrasias, trejeitos, nuances e sentimentos presentes no olhar feminino. Porque, diante do sorriso de uma mulher, sou subitamente remetido aos tempos em que eu era um garoto bobão repleto de espinhas e dúvidas existenciais por todos os lados (não que eu tenha melhorado muito desde então; tornei-me apenas um bobão mais experiente). Percebo, então, que neste curso inexorável da vida em que tudo fenece e morre, a eternidade está contida no tempestuoso céu dos olhos de uma mulher que talvez nunca mais reveja, descrita pelo poeta Baudelaire como "efêmera beldade cujo olhar me fez nascer segunda vez". Mas como haverei de encontrá-la, se ela se perdeu em meio ao tumultuado turbilhão das multidões da modernidade?

E cá estamos. Entre o moderno e o eterno, vejo homens e mulheres perambulando por aí, confusos nesta era pós-utopias, de ideologias incertas e instituições fragilizadas. E eu, que facilmente me perco em ruas, corredores, pensamentos e teorias, encerro esta discussão divagando sobre Orkut, aparelhos de GPS e outras facilidades pós-modernas que nos permitem vagar por este mundo... Acontece que essa tecnologia funciona de maneira inversa ao do que se propõe... Cada dia mais prproximos pela modernidade, mas perdidos na eternidade efemera do momento...


Pata de Camelo??

Vivo trabalhando, vida de veterinário não é facil....

Até na hora de escrever no blog eu nao esqueço do meu trabalho....

Visite a pagina da Wikipedia sobre: Camel´s toes




Cheiro de Pobre

Sei que vou arder no mármore do inferno. Sei que vou perder leitores. Sei até que vão me chamar de wunderblogwannabe. Mas vá lá.

Tem cheiro pior do que pobre depois do banho? Aquela mistura de sabonete barato com xampu mais barato ainda em meio a uma enxurrada de perfume vagabundo? Se for o banho depois do trabalho então, o cheiro ainda é temperado pelo ranço da roupa que ficou guardada no armário o dia todo enquanto ele trabalhava de uniforme. Tem também aquele cheiro inconfundível e inominável de toalha que secou embolada.

Dos cheiros naturais do corpo humano, nenhum me agride. Se o cara passou o dia fazendo trabalho braçal, nada mais normal do que estar cheirando a suor, com algum cecê. Qual é o problema? Não é esse o cheiro do nosso corpo?

Pior, muito pior, é Lux Luxo com Avanço e Água de Rosas.... Não e?!?!?!


Marcos de um Relacionamento

Toda relação tem seus marcos. O primeiro beijo, a primeira vez que ela disse eu te amo, a primeira mão no peito, a primeira vez que ele usou a palavra namoro ou derivados, o primeiro boquete, a primeira vez que você leva ele em casa pra conhecer sua mãe, a primeira vez que ela acaricia o seu pau com o pé por debaixo da mesa, etc. Mas tem um marco, um momento, muito importante e quase esquecido.

O porteiro fica lá na recepção, vê aquela deusa aparecer três, quatro vezes por semana, dizendo que está indo pro meu apartamento, ele interfona, ela sobe, passa uma ou duas semanas e tudo vai se repetindo.

E um belo dia ele decide, ah, quer saber de uma coisa, se ela vem aqui tanto assim ver esse gordo, então deve ser "di casa".

Ninguém fala, mas o momento em que o porteiro pára de interfonar também é um dos marcos mais importantes dos relacionamentos modernos.


DÉJÀ VU

Um dia você acorda e pensa que vai ser mais um dia na sua vida. Aquela de sempre. Ou a dos últimos meses. Até o segundo em que você repara à sua volta e percebe que algo está diferente. Você não sabe bem o que é mas sente, pressente... o presente. E nele não há mais o amor. Só a sensação dele, do que passou. Como um rastro, um cheiro, um sabor. Um simples lembrar do que viveu, que já foi, já era, já é. Quase um déjà vu .

Existe o você se despedindo do nós, desatando as amarras e deixando a água levar, a mente vagar e a alma fluir. E então, ao derramar uma lágrima, poder voltar a sorrir, sair, sentir e, enfim, renascer. Recordar sem temer o passado que hoje é saudade. Viver o presente que é realidade em carne viva em corpo trêmulo.

A dor vai passar e virá a vontade de viver tudo outra vez. Tudo tão igual e tão diferente. Sem ter medo que o futuro um dia se torne um reflexo do passado. E um presente doloroso ressurja. Não existe vida sem marcas. Cicatrizes na alma são medalhas de uma guerra onde quem sobrevive vence e é herói.



O antes e o depois


ANTES - Voce me tira o folego...
DEPOIS - Voce está me sufocando...

ANTES - Duas vezes (ou mais) por noite...
DEPOIS - Duas (ou uma) vezes por mes...

ANTES - Ela diz que adora o jeito como eu controlo a situação..
DEPOIS - Ela diz que eu sou um maniaco egocentrico e manipulador...

ANTES - Os embalos de Sabado à noite...
DEPOIS - O futebol de Domingo à noite...

ANTES - Não pára!
DEPOIS - Nem vem!

ANTES - Voce vai comer só isso?
DEPOIS - Talvez fosse melhor comer só a salada...

ANTES - É como se eu estivesse sonhando...
DEPOIS - Estou tendo um pesadelo...

ANTES - Concordamos em tudo!
DEPOIS- Ela não pode tomar nenhuma decisão?

ANTES - Cueca de seda.
DEPOIS - Samba-canção (aquela do pacote com 3).

ANTES - Adoro suas curvas.
DEPOIS - Eu nunca disse que voce está gorda?

ANTES - Ele está completamente perdido por mim...
DEPOIS - Por que ele não pede informações?

ANTES - Croissant e capuccino.
DEPOIS - Café com margarina.

ANTES - Voce fica tão sexy de preto...
DEPOIS - Suas roupas são tão deprimentes...

ANTES - Camarão.
DEPOIS - Sardinha em lata.

ANTES - Biquini "Asa delta"...
DEPOIS - Maiô tipo americano...

ANTES - Garrafa de vinho.
DEPOIS - TANG sabor de uva.

ANTES - Camisa dentro da calça...
DEPOIS - Barriga fora da calça...

ANTES - Não acredito que tenhamos nos encontrado...
DEPOIS - Não acredito que acabei ficando com voce...

ANTES - Vem para cama que eu estou te esperando...
DEPOIS - Levanta seu molenga, que tá na hora...

ANTES - Paixão.
DEPOIS - Que horas são?

ANTES - Familia Manchini.
DEPOIS - Disque Pizza.

ANTES - Vem cá benzinho que eu esquento seu pezinho...
DEPOIS - Sai com esse pe frio pra lá ...

ANTES - Perfume francês.
DEPOIS - Avanço.

ANTES - Benzinho pra cá, benzinho pra lá ...
DEPOIS - Meus bens pra cá, seus bens pra lá ...

ANTES - Era uma vez...
DEPOIS - Fim....


Mulheres imperfeitas

Lembrando que já escrevi a algum tempo um texto sobre a MULHER PERFEITA, mas hoje, depois de varias pedras no caminho, dei o braço a torcer... Longe de mim sair por aí dizendo que o importante é a beleza interior. Eu sou veterinário, não sou decorador de interiores.

Por isso uma mulher bonita, para mim, é o ápice da criação divina. Quando o diabo tentava Jó, quando o diabo dizia que Deus fez isso e aquilo de ruim, Jó poderia ter respondido: "É, mas fez a Zeta Jones também". E então o diabo sumiria numa nuvem de enxofre e Deus poderia parar de fazer aquela sacanagem com ele.

Confesso: a beleza de uma mulher é a primeira coisa que olho. É a segunda e a terceira, também. Dependendo da mulher, pode ser a quarta. E a última.

Mas a beleza é variada. Quando me perguntam qual o tipo de mulher de que gosto, eu nunca sei responder. Não sei porque essa pergunta não tem resposta. A beleza está em várias coisas: num olho, num olhar, numa boca, na curva das costas, no jeito como ela se senta e cruza as pernas, nas mãos -- é, e nos peitos e na bunda também.

Mas sei qual o tipo de mulher me atrai menos: aquela perfeita, em que você não consegue achar um só defeito.

Tem coisa menos sexy do que uma mulher perfeita?

Uma mulher perfeita parece feita de plástico, esculpida por um artista de talento. É obra humana, não há nada de divino nela, porque Deus, se existe, sabe das coisas e não se deixa cair nessas armadilhas de perfeição. Sua beleza é tão estrondosa que não deixa espaço para mais nada, sequer para a admiração, quanto mais para aquela sensação de frio na barriga, aumento dos batimentos cardíacos e uma quase incontrolável vontade de pegar.

Mulheres perfeitas reforçam minha crença na beleza, sim, e nada mais. Que bom que elas existem. Mas não é com elas que que sonho à noite. É como se essas mulheres esculpidas em mármore não ofegassem, como se seus cabelos não tivessem perfume, como se sua pele não pudesse ficar marcada pelas minhas mãos.

Olho para uma mulher perfeita como olho para um quadro de Renoir: lindo, maravilhoso, ficaria bem na minha parede. Mas para aquela mulher perfeita que não gosta de sua bunda, ou se acha acima ou abaixo do peso, os pensamentos são outros; certamente menos nobres -- ou talvez mais -- que a simples apreciação das Belas Artes.

Mas talvez tudo isso seja só preconceito. Graças a Deus, nunca conheci uma mulher perfeita. Todas elas são deliciosamente imperfeitas: têm nariz arrebitado ou grande demais, seus seios não são exatamente o que elas sonharam, reclamam da celulite e da barriga que não é dura como uma tábua.

Talvez, no fundo, elas saibam que nada disso importa tanto. Talvez saibam que é justamente isso que faz a sua beleza: elas são reais. São de verdade, parecem de verdade. Mulheres imperfeitas são possíveis.


VIDE BULA: Modo de utilizar

Pode invadir intensamente ou chegar com delicadeza, mas não tão devagar que me faça dormir.... E não diga que gosta de mim, só pra me agradar. Diga o que realmente estiver sentindo. Seja sincera!

Tenho vida própria, nasci inteiro e não preciso de ninguém para me completar. ¿Ninguém merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que falta à alguém.¿ - Eu cresço através de mim! Se estiver em boa companhia, é apenas mais agradável...

Faça-me sentir saudades, me meta medo! Medo de te perder...mas só as vezes, não muito medo a ponto de me deixar inseguro! Preciso saber que posso contar com você!

Viaje antes de me conhecer, sofra antes de mim para reconhecer-me um porto.

Acredite nas verdades que digo e também nas mentiras, elas serão raras e sempre por uma boa causa!

Respeite meu choro, me deixe sozinho quando precisar, só volte quando eu chamar... e não me obedeça sempre! Me contrarie, não tenha medo de me mostrar o que pensa...eu também gosto de ser contrariado (Então fique comigo quando eu chorar, combinado?).

Seja mais forte que eu e menos altruísta! Se vista bem, se cuide, se goste. Alimente seu corpo e seu espírito com hábitos e pensamentos saudáveis.... seja cheirosa.

Reverenciarei tudo em você que estiver a meu gosto: boca, cabelos, ombros e um joelho esfolado, você tem que se esfolar às vezes, mesmo na sua idade.

Leia, escolha seus próprios livros, ouça as músicas que gosta...releia seus livros, escute tuas músicas de novo... Mas jamais tente me imitar ou fingir gostar das mesmas coisas que eu só para me agradar! Eu sei bem distinguir afinidades verdadeiras de falsas!

Apenas seja verdadeira e leal, não há nada que eu preze tanto quanto a sinceridade....

Seja um pouco caseira e um pouco da vida.

Viva um dia de cada vez...Mas tenha os olhos no futuro...¿Nenhum vento sopra a favor de quem não sabe para onde ir¿...

Não seja escravo da televisão, nem seja contra.... Nem minha escrava, nem minha filha, nem minha mãe... Escolha um papel para você que ainda não tenha sido preenchido e o invente muitas vezes....

Me enlouqueça uma vez por mês, me faça uma louco do bem, um louco que ache graça em tudo, que de gargalhadas até perder o ar....

Faça caridade a quem precisa, mas faça de coração! Visite instituições e veja no que pode ajudar.

Goste de sexo, goste muitooo rs... Mas não apenas goste, se preocupe em fazer bem, em dar mais do que receber...

Não seja enjoativa e pegajosa demais, mas também não seja relapsa, gosto de cuidados e de atenção... De estar junto e dividir sonhos...

Quero ver você nervosa, inquieta... Quero conhecer o melhor e o pior de você...para gostar de tudo....ou não....

Olhe para outros homens, tenha amigos e digam muitas bobagens juntos.

Não me conte todos os seus segredos... me faça massagem nas costas.

Não fume, mas beba, experimente, viva, chore, fique doida comigo, eleja algumas contravenções.

Me rapte!

Se nada disso funcionar... Experimente me amar do seu jeito!!

Depois agente vê o resto, se vier a calhar...


A Vida é Uma Merda

Sim, a vida é mesmo uma merda. Não importa se você é rico, pobre, alto, magro, gordo, feio, bonito, famoso, forte, fraco, tímido, divorciado, casado, com filhos, com netos, bêbado, sóbrio ou ainda burro e ignorante. A vida é uma merda. Como eu sei disso? É bem óbvio. Basta observar as pessoas por aí. Existem dois tipos de pessoas. As que sabem que a vida é uma merda, como eu e aquelas que por algum motivo cretino tirado de não sei aonde, acham que a vida deve ser boa, ou melhor, que é boa. Eu explico.

Na vida de todo mundo, sempre vão acontecer mais coisas ruins do que coisas boas, seja por azar, seja por inapetência, seja por vingança ou até por uma questão de expectativas.

Basta olhar os animais nos documentários da TV, vocês já viram o inferno que eles passam para comer e fazer sexo? As vezes eles passam uma semana inteira no ¿rock and roll¿ para comer uma droga de um rato (no caso das corujas, coitadas). E os gafanhotos que finalmente quando conseguem copular a primeira vez viram comida de suas concubinas.

Nós não somos muito diferentes. Nós fazemos de tudo para comer, beber e fazer sexo. São as três coisas boas da vida e não chegam a tomar nem dez por cento do nosso tempo. É um fato matemático. Não tem discussão.

Algumas pessoas vão dizer que eu estou louco, e que trabalhar é ótimo, dormir é ótimo, conversar é ótimo e até cuidar dos filhos é ótimo. Mentira, mentira, mentira. Ou então essa pessoa já não come, não bebe e não faz sexo direito há muito tempo.

As pessoas que acham que a vida é boa, estão sempre deprimidas, chorando, lamentando que tudo vai mal para elas e bem para os outros. Elas não percebem que estamos todos sujeitos as mesmas punições diárias, as mesmas frustrações. É uma questão de como encarar as coisas.

As pessoas que sabem que a vida é uma merda estão sempre, ou quase sempre felizes. Eles assumiram o status quo e pronto: minha vida é uma merda, toda vez que acontecer alguma coisa boa eu vou agradecer e aproveitar ao máximo, toda vez que acontecer uma coisa ruim, bem, é a vida. Não é conformismo não; você pode impedir coisas ruins de acontecerem, mas outras virão.

Futebol é uma caixinha de surpresas; o que vai acontecer conosco não. Vamos ser traídos, roubados, enganados, humilhados, ofendidos e largados. Não tem jeito. O bacana é não deixar que nada disso tenha efeito negativo sobre nós e pronto, celebrar as alegrias¿ novamente, comida, bebida e sexo.

A vida é realmente uma merda, eu adoro, e você?


Louco é quem me diz

O Louco é uma coisa doida. Acha que sempre está certo, não vê que é louco? Só ele tem verdadeira convicção, afinal é irredutível, irrepreensível e incontrolável. È burro quem discorda, nem adianta me mandarem mensagens de reclamação, isso é fato e ninguém está na posição de me corrigir nesse momento, e quem tentar só pode estar louco.

Muito mais louvável do que o são o biruta é. É fácil falar o que as pessoas dizem, aceitar o que mandam ou desconsiderar o fato que Eles sempre estão nos vigiando, prontos para num mero deslize nos tirar o que temos de mais valioso. Nossos bagos é claro. O Louco desafia, discorda, quebra paradigmas, se é que os tem. Isso sim é coisa de homem. Pra falar a verdade só o Louco é homem de verdade. Os outros são porcos. Isso, porcos.

Oinc, oinc. É o que dizem os sãos, mas será verdade? Porque a fonética é variável de acordo com o idioma. Os Loucos são muito mais racionais. Falam em sua própria língua, não tentam fazer o que não sabem. Isso é loucura. Fala o que sabe e entende o que dizem. Se você vir um Louco e um porco conversando sabe que os dois estão se entendendo, interagem, muito melhor do que os Sãos, que porcos são.

Dizem que são Sãos aqueles que são providos de equilíbrio e sensatez. Não são Sãos então aqueles que dizem que são. São verdadeiramente Sãos então aqueles que conversam com um cão com a sensação de que eles querem-lhe cheirar a mão. Vão dizer não a convenção dos falsos Sãos. Sabem enfim quem roubou pão na casa do João.

Meio São é aquele que de acordo com a situação escolhe como será a ação. Não é louco ao ponto de explicar a um bebê como ele foi concebido mas pede pro cachorro ir buscar o jornal quando está com preguiça. O meio Louco costuma progredir com o tempo. Vira Louco, ás vezes até de pedra, que é muito mais evoluído e raro do que um Louco normal. Difícil de se encontrar hoje em dia um Louco de pedra, de origem eu digo. Não esses falsos Loucos que tem que usar algum tipo de substancias para evoluir. Não evoluem. São Sãos e sempre o serão.

Loucos enfim, só são, quando são Sãos. E são Sãos aqueles que são Loucos o suficiente pra saber que a sanidade não reside no ser. A noção de loucura pertence sempre ao Louco que acusa o São. São Loucos então aqueles que acham que não são. Isso é verdade, e você é doido se não acreditar.



O Gato subiu no telhado¿


- Jô.
- Fala Deco.
- A gente precisa conversar.
- Tá, deixa só acabar esse bloco e a gente conversa.
- Jô¿ é sério.
- Eu sei - olha lá a Ritinha vai acabar com a madrasta da Cleide¿ olha lá.
- Você entende que eu quero conversar e você não quer a devida importância, né?
- Sei, sei, até parece que do dia pra noite ficou sentimental. Essa é a minha função - olha lá o tapa que ela deu! - quem fica emotivo nesse casal aqui sou eu! Pára com isso, Deco. Depois eu te deixo em paz pra você assistir o ¿raio¿ do jogo.
- Mas que fique registrado que eu tentei.
- Tá Deco, não atrapalha - ah lá o Jorge Vagner com a Betty! essa não presta mesmo¿
- Jô¿ se a gente não conversar, como vai ser mais pra frente? Dá só um minutinho¿
- Deco, no próximo bloco, pô! Óh o barulho, não dá pra ouvir nada.
- Jô¿ o gato subiu no telhado.
- Ah, que nada! eu dei motivo? você deu motivo? - mas que cafajeste esse Marcos Paulo - A gente tá super bem, não inventa Deco.
- Jô, eu tô tentando te falar faz um tempinho¿
- Calma, calma - ah lá¿ que sem vergonha ¿essazinha¿!
- Jô¿
- Pô Deco, pára de falar. Eu fico falando quando você está assistindo jogo? Não! então pronto. Poxa, já falei que quando terminar esse bloco a gente conversa, sabe¿ fica aí falando sem parar, não dá nem pra ouvir direito¿ e esse monte de sirene aí fora, pô. Manda esses caras apitarem pra lá¿

Os bombeiros não puderam fazer nada, já era tarde para o pobre gatinho.


No consultório

- Alô
- Oi amor!
- Alô?
- Alô, quem está falando?
- Oi. Sou eu.
- Nossa amor, você está com uma voz diferente. Onde você está?
- To no consultório, a sala faz eco.
- Ah tá.
- E aí?
- Você não sabe!
- Conta.
- Lembra aqueles nossos planos?
- Que planos?
- Como que planos Marcos Araujo Ferreira? Os planos que estamos planejando. Você não fala de outra coisa há dias.
- Mas qual deles?
- O mais importante de todos ué.
- Que é?
- Oras Marquinho, você não para de me encher o saco com essa história e agora fica com frescura. Se continuar com essa palhaçada eu vou cancelar a suíte e nem começamos.
- Não não! Não cancele a suíte não. Sabe o que é?
- O que?
- É que gosto de ouvir você falando sobre isso. Mesmo eu já sabendo fico louco de ouvir sua voz proferindo essas palavras, esse doce mel, essa ternura travestida de tesão.
- Você bebeu Marcos Araujo Ferreira?
- Err, não, porque?
- Nem parece você, fica falando essas coisas doces aí? Na cama só fala baixaria. O que anda fazendo?
- Nada não amor.
- Hummm....sei...
- Pode falar. Deu tudo certo então?
- Deu, você não sabe. Vai ser próximo domingo. Já contratei o Bamba.
- Bamba?
- É. Aquele grandão que você tinha gostado.
- Grandão? Como?
- Então, ele não é tão alto, mas tem um dote!
- Dote?
- É Marcos Araujo Ferreira, o que você tem hoje? Dote, bilolo, menino. Do jeito que você queria. O menáge dos seus sonhos. Tanto tempo para admitir seu maior desejo, e agora que ele vai ser finalmente realizado fica todo estranho.
- É.
- Que foi? Parece que nem está empolgado.
- Estou sim, muito, mas é que esperei tanto por isso. Mal posso acreditar.
- Que bom amor.
- A secretaria ta chamando, posso te ligar daqui a pouco?
- Pode sim, não vai ficar falando dessas coisas com gente aí. Mas só me responde uma coisa, você vai querer só o Bamba mesmo ou vai precisar de mais um?
- Pode pedir mais um.
- Ta bom então Maquito, besijo.
- Besijo.
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- Dr Marcos?
- Oi.
- Sua mulher na linha dois...



Esquecepill - Caixa com 30 comprimidos

Muita gente gostaria de voltar no tempo. Para consertar quebradeiras, acertar o que deu errado, tentar de outro jeito, não deixar aquela pessoa ir embora. Como a viagem no tempo só existe nas fórmulas matemáticas dos físicos, o jeito é esperar que a ciência consiga inventar uma pílula do esquecimento.

Afinal, se não podemos voltar no tempo para remediar as burrices da vida, ao menos poderíamos tomar um remédio diário para esquecer as piores frustrações. O efeito seria paulatino. Um comprimido por dia e, aos poucos, você vai esquecendo.

O sucesso da pílula do esquecimento é fácil de explicar. Quem não tomaria um comprimido para esquecer frustrações que o tempo não consegue levar embora? O chavão de que o ¿tempo tudo cura¿ ou ¿o tempo é o senhor do razão¿ pode até funcionar para muitos, mas sempre há teimosos-ignóbeis que não conseguem esquecer. Não conseguem deixar para trás porque, inerente a si próprio, reside a esperança de uma segunda chance.

Acontece que a pílula do esquecimento, não obstante as maravilhas que iria proporcionar, nunca daria certo. Do ponto de vista prático, em pouco tempo haveria um mercado negro do medicamento. Em seguida, as pessoas comprariam em qualquer farmácia, sem prescrição médica. O contrabando e os placebos tomariam conta, além de falsificações. Seria um desastre.

Em pouco tempo, viriam as internações por superdosagem. A gente ia querer tomar o comprimido para qualquer besteira. Uma bronca do chefe, uma frustração profissional, um jogo de futebol perdido, uma demissão. Tudo seria motivo para esquecer. Fácil demais.

As conseqüências são inconcebíveis. Ao esquecer sua maior frustração ou, quiçá, a pessoa que você nunca deixou de amar na vida, por tabela você também esqueceria o que significa tudo isso. E ao esquecer o significado, você abre uma brecha para cometer os mesmos erros de
antes e cair na mesma fossa do passado.

Com poucos anos de mercado, a pílula do esquecimento fomentaria o caos sentimental no mundo e, no final, estaríamos todos cometendo os mesmos erros de outrora.



Café da manhã...

Já era hora, o rádio relógio começou a assoviar o riff de Patience dos Guns and Roses. Lentamente ele abriu os olhos, encolhido no lado direito da cama. O resto era dela. Começou a levantar enroscado nos panos brancos. Lençóis, fronhas, colcha. Sentou no limite do colchão, cotovelos sobre o final das coxas, palmas das mãos acolhendo o rosto amassado. Nem olhou para trás, sabia que ela não estava lá, sentiu o cheiro de café com leite vindo da cozinha, ao que parecia. Arrancou-se da cama, abriu a janela, instantaneamente se banhou de sol. Ela adora o sol. Começou a recolher as roupas do chão, só as dele. Sorriu quando viu o retrato sobre a mesinha redonda no canto do quarto perto da cortina. Os três porta-retratos de tamanhos e formatos diferentes iluminados pelo dia mostravam os registros de três viagens diferentes. A primeira, a mais antiga, mostra o casal num apartamento de praia, ele agarrado a ela, os braços entrelaçados na cintura, a boca beijando o pescoço no lado esquerdo, sem camisa, sem vergonha. Ela, cor de maçã, com um chapeuzinho de surfista azul e amarelo, ficam feios em qualquer pessoa, nela perfeito. Ela tem o braço em volta do pescoço dele e o outro esticado segura a câmera.
O segundo retrato é do ano passado, mostra o oposto, uma foto mal composta, os dois estão nos dois quintos inferiores do retrato que, orientado na vertical os prende numa grande nuvem cinza e os sustenta com muita neve. Muita pouca pele a mostra. Juntos pelos braços, ele do lado direito e ela do esquerdo. Atrás, a torre. No terceiro, ela está sozinha. Os dois grandes olhos acinzentados tomam conta do frame, apenas seis meses atrás. Ele acaba se encontrando também, no fundo dos olhos, no meio de sua íris londrina.

O alarme não para de tocar. ¿Just a litlle patience...yeeeaahh¿. Dá as costas para o dia, atravessa o quarto amarelado, pisa nas sombras formadas no chão com leveza, como se não quisesse tirar nada do lugar. Escova os dentes, a dele azul, a outra rosa. Assim com as toalhas penduradas atrás da porta. Enxuga o rosto e segue seu faro. O cheiro de café não passa, está impregnado no seu cabelo, na sua calça. Cruzando o corredor, pisa duro na passadeira desalinhada que ganhou de alguém. As paredes cheias de quadros tortos provenientes de sua fase artística. A sala nem se nota, apenas um amontoado de objetos indefinidos. O que essa mulher tem na cabeça. Não vê a bagunça que fez?

¿ Yeah, yeah, well i need you¿. Percebe a cozinha quando o chão gela seus pés. O gelo sobe até o pescoço passando pelo estômago e coração. O cômodo está vazio, a louça dorme na pia, ignorando o escândalo dos passarinhos, a mesa, coberta por uma toalha azul e laranja, sustenta um saco de pão vazio e migalhas espalhadas por toda a extensão. No canto da pia um nicho intocado, bem de frente pra janela. Abre a geladeira cheia, tudo vencido, só o pó de café não pereceu. A porta da cozinha fica logo ao lado, ele abre e em seu tapete está uma garrafa de leite. De vidro, daquelas antigas. Ao trazer para dentro o braço descuidado esbarra no canto da mesa. A garrafa cai. Junto, ele.



VERDADE

Toda forma de relacionamento constitui-se em um acordo entre as partes. Sendo assim, perguntamos: o que é amor? Amizade? Respeito? São contratos mentais.
Você não pode conhecer ninguém a não ser a si mesmo e mesmo assim de maneira superficial e tendenciosa, pelo menos, até que os fatos cheguem. Pois fatos são fatos e contra fatos não há argumentos. Diante um fato todas as idéias são lixo e alma tornar-se reflexo das intenções.
Contudo, no dia a dia tem-se a necessidade de crer nos outros. Um casal de namorados ou amigos do peito de nenhuma forma sabe com certeza o que o outro da relação sente ao seu par.
Amizade e amor são formas de crença. Institui-se que o outro o ama ou é seu amigo pelos gestos, palavras, ações e atitudes que lhe doam e sopram. De instante a instante os humanos são atores. Interpretar se encontra em nossos genes e, no mais das vezes, mentimos - para nos proteger, para não magoar e para ser aceito. O ser humano é covarde: engana-se para tentar fabricar um sentido inexistente na esperança de haver um fiapo de lógica que salve sua vida aguada em um mundo sem sal.
Viver são girassóis em um deserto: perfumes tristes de um azul sem aroma.
Portanto, qualquer relação bilateral acontece antes no plano psíquico do que no físico. E de todas as variedades de dor, a mais atroz e violenta é descobrir sua desimportância: você não era importante para quem lhe fora um pedaço de Deus. Importâncias inversas: a isso chamamos de quebra contratual.
Quando sentir não faz mais sentido você deixa de ser humano e precisa escolher entre o complexo da angelitude ou das hostes infernais, neste ponto, nem que o tempo volte, nem que a Lua e Sol retroajam a existência terá o mesmo brilho de outros tempos ilusórios. Disseram-se que o doce não é tão doce sem o amargo, mas o vazio não é um bom lugar para se estar.
De fato, a importância nunca existiu; nunca foi palpável ou real; mas você acreditava nela. E como numa matrix a dor da quebra de um sonho se sente tanto quanto a dor da quebra de uma realidade.
Ao se quebrar um contrato mental, que por vezes, diga-se, só consta de uma única assinatura, seu mundo perde a cor, a vida descolore.
São cinco as emoções básicas de um ser humano: culpa, raiva, medo, ódio e amor. Perceba-se que dentre cinco, somente uma pode ser considerada construtiva e mesmo assim, merecedora de aspas. A vida é feita de litígios, só não se descobriu ainda se existem ganhadores.
Todo contrato sem bases solidas expira, perde o fôlego, morre: está ai o dissabor das relações humanas. Nenhum céu de baunilha é eterno. Uma hora ou outra a queda se faz o único caminho da abertura dos olhos humanos. Abra os olhos. Levante-se rapido e corra para um novo dia, para novas cores, para um novo ceu de baunilha....


Jantar de Macho

O mundo contemporâneo impõe exigências descomunais, sobretudo para o homem que quer seduzir. Em todas as esferas da vida social, ele precisa demonstrar proficiência fora do comum para chamar sobre si a atenção de sua doce metade. Nem mesmo na cozinha ele escapa.

Saem-se melhor aqueles favorecidos pela fortuna, em todos os sentidos do termo. Ou porque tiveram a sorte de serem agraciados com uma aparência que suscita suspiros das pretendentes ¿ ¿aaaaaaaai, que gatinho!...¿ ¿ ou porque dispõem de dinheiro suficiente para levá-las para jantar nos restaurantes mais caros e badalados (o que não significa que sirvam a melhor comida, mas nessas ocasiões ninguém repara muito no conteúdo do prato, já que outros sentidos estão sendo muito mais estimulados do que o paladar).

Entretanto, nem mesmo tais benesses salvam a pele do homem de hoje. O modelo que a sociedade apresenta e que muitas mulheres procuram não é apenas o sujeito garboso ou o detentor de um cartão de crédito matador. O macho atual tem que ser tudo isso e mais. Tem de provar que, para além do verniz de um jovem profissional urbano bem-aparentado e bem-sucedido, esconde-se um amante da vida simples, desapegado dos bens materiais e da sociedade de consumo, que não liga em gastar horas de seu precioso tempo botando a mão na massa (no caso, para uma quiche de aspargos), mesmo sabendo que isso vai arruinar seu esmalte (transparente) e que ele poderia pagar quinze pessoas para fazer todo o serviço melhor e mais rápido.

¿Carpe diem¿ com ¿do-it-yourself¿, Horácio mais a seção de importados do Pão-de-Açúcar, é isso que elas querem. Ai de nós. O que fazer?

Você pode cumprir a tarefa em grande estilo: comprar um loft com cozinha aberta, comprar os ingredientes mais sofisticados (significa ¿caros¿), mandar entregar em casa (fica mais caro ainda), comprar panelas tipo wok ou qualquer outra que tenha aquela cor fosca charmosérrima (e custe igualmente caro), comprar livros de receitas (de preferência em francês ou inglês, são mais caros) e convidar a pequena para saborear um vinho (caro) enquanto ela te observa queimar os dedos no fogão elétrico.

Ou você pode escolher a opção ¿low profile¿. Assusta menos, sai muito mais barato e pode ser tão eficiente quanto. É o caminho tomado por um legítimo Macho Moderno, que sabe que todas essas frescuras nada acrescentam ao savoir faire da espécie. Trata-se de preparar um prato que você saiba fazer, e para o qual necessite apenas dos apetrechos que já tem em casa e dos ingredientes que costuma adquirir. Estou falando da pizza fria.

Como no caso de qualquer outro bom jantar, a preparação começa com antecedência. Você precisa selecionar com apuro os ingredientes. Sendo um macho refinado, você já terá provado o repasto em solitário, antes de oferecê-lo à amada (ou candidata a). Sendo igualmente bem informado, terá à mão um sólido repertório de folhetos de pizzaria no qual poderá escolher o fornecedor de uma redonda de qualidade.

Tendo essa parte do plano em mente, faça contato com a beldade e apresente o convite. Se ela recusar, pare de ler esta porcaria e vá fazer algo mais útil. Se ela aceitar, anote o dia do encontro e faça a encomenda da iguaria um dia antes, pois todos sabem que a pizza fria oferece o melhor do seu sabor no dia seguinte.

Assegure-se de ter pedido uma pizza grande (oito pedaços), já que uma parte dos ingredientes costuma se perder no preparo. Ao receber o produto, consuma duas ou três fatias enquanto está quente. Afinal, o bom chef sempre prova seus pratos enquanto os prepara, e você precisa se alimentar para conseguir apreciar as emoções do grande dia. Reserve o restante. Deixe em repouso até o próximo dia pela manhã, de preferência num local apropriado, como o sofá da sala ou o chão do quarto. Então guarde na geladeira até o momento de glória. Sirva no papelão da embalagem ¿ romanticamente projetada para refeições em casal, já que se divide em duas metades. Acompanha refrigerante sem gás, ligeiramente morno, que você terá deixado para fora da geladeira no dia anterior.

Com um jantar desses, sua noite será inesquecível!



Uma Mensagem de Otimismo

Analisando meus objetivos, sonhos e trajetória para 2006, concluí que se tudo der certo as coisas vão piorar. Ainda que pareça uma visão levemente pessimista do panorama de minha vida não é. Aliás, não só sobre a minha vida. É universal, quando as coisas dão certo, pioram, e nos animamos.

O Brasil. Não vai pra frente não é verdade? E se fosse? Se tudo desse certo. A taxa de juros caísse, a moeda estabilizasse, fizessem a reforma agrária, tributária, pavimentaria (afinal não agüento mais tantos buracos). Tudo sem dúvida alguma pioraria. O investimento externo diminuiria, nossa mão de obra não seria mais barata e os incentivos fiscais não seriam mais atraentes. Investiríamos na indústria e capital nacionais. A corrupção teria fim com a eficiente renovação de nossos representantes, para as maçãs podres, um eficaz sistema de inteligência. A pirataria seria banida, o contrabando exterminado. Ou seja, o fusca voltaria a ser fabricado, aquele cd que você queria tanto ouvir só original e se for parado por excesso de velocidade assine o talão ou vá pra delegacia por tentativa de suborno.

Um outro exemplo, imagine sua vida. Tudo deu certo. Você arranjou o emprego dos sonhos, conseguiu dar entrada no apartamento, casou e finalmente comprou o playstation 2 que tanto queria. O emprego dos seus sonhos que tanto te trará satisfação pessoal por trabalhar em algo que realmente tem vontade é o mesmo que traz grande responsabilidade, carga horária e ações de emergência a serem tomadas na semana do natal pro ano novo. A casa própria, um sonho realizado, o conforto, a segurança, as mensais, semestrais e entrega de chaves. O piso, os móveis e aquela geladeira que acessa Internet. Ainda bem que arranjou um emprego novo. E uma esposa para rachar as contas. O casamento só traz alegria, dividir coma pessoa que mais se ama todos os momentos da vida. Acordar junto todo dia, jantar junto todo dia, conversar muito todo dia. Todo dia. TODO DIA. É bom que naquela geladeira que ela tanto quis tenha cerveja. O playstation é inútil, agora não tem mais jogo pirata e o jogo original é caro demais.

Acho que consegui defender minha visão de que realmente quando tudo dá certo, as coisas pioram. Mas uma questão persiste. Porque nos animamos com isso? Porquê sorrimos para a desgraça? Porquê levantamos com o pé direito mesmo que esse esteja engessado? Porquê sofremos dessa síndrome de hiena? Não sei. Não se pode dizer, somos humanos, somos estranhos assim. Talvez a auto-realização, a superação, os novos horizontes. Talvez não. O que importa é que gostamos, brigamos para fazer as pazes, quebramos para consertar, caímos para nos levantar. Tudo piora e achamos isso o máximo. Assim, em 2006, desejemos que tudo dê certo para todos, assim teremos certeza que dias piores virão.


Quando Ela Faz

- Estou falando sério.
- Não dá para levar isso a sério, na boa.
- Cara, é muito desagradável.
- É nada, larga de ser mocinha, como se você nunca tivesse feito isso.
- Eu fiz, mas tudo bem.
- Como assim?
- É a ordem natural das coisas, quando a gente faz, tudo bem.
- Você está puto porque não esperava isso, deixa de lado.
- Nem a pau, isso não é coisa que se faça. Garçom, por favor, mais uma cerveja, estou precisando.
- Agora vai beber por causa disso?
- Cara, você não entendeu ainda, né? A coisa é grave, de repente, tudo ficou silencioso e aí veio...
- O que veio meu Deus?
- "Ronc".
- "Ronc"?
- "Ronc".
- Ela dormiu e roncou?
- Exato. Imagine com seus próprios olhos.
- Com a minha própria imaginação, você quer dizer?
- Isso, isso, tanto faz. Se coloque no meu lugar.
- Vou tentar. Conheço a moça na loja de chá do bairro, conversamos sobre os perfumes de chás indianos, certo?
- Não zoa, chá é coisa séria.
- Certo, trocamos telefones e eu a convido para jantar num lugar que custa mais de cem reais por pessoa.
- Perfeito.
- Depois do excelente jantar, com um bom vinho, estou meio falido, mas feliz. Ela está muito feliz, aparentemente não tinha esse tratamento a muito tempo.
- Muito bom.
- Levo-a para sua casa, subo a seu convite, nos beijamos loucamente por toda a sala.
- Poupe os detalhes por favor.
- Ela me leva para o quarto, tira minha roupa e monta em cima de mim.
- Isso.
- Duas horas depois...
- Quinze minutos.
- Quinze minutos?
- Quinze, no máximo.
- Quinze minutos depois gozamos e quando eu vou dar um abraço gostoso nela, "ronc". É isso?
- Exatamente, com apenas uma correção.
- Só ela foi feliz.
- Ela, em quinze minutos?
- Isso.
- E você?
- Quer mesmo saber?
- Não, obrigado.
- Te disse que era sério.


Hello Minney!

Após o sinal diga seu nome e o país de onde está falando (sinal)

- É Marco dos Estados Unidos.
- Oi Marco!
- Oi querida tudo bem?
- Ótimo. Como foi de viagem?
- Foi boa. Um pouco de turbulência quan...
- Ah que bom. Já está no hotel?
- Já sim. Cheguei faz uma meia hora. Querida, você tem que vir junto comigo pra cá da próxima vez. Esses hotéis da Disney são ótimos.
- Ah sim lógico. Olha não vai esquecer da minha lista de compras hein.
- Pode deixar. Mas pensa com carinho em vir pra cá comigo. Seria nossa segunda Lua de Mel. Deixamos a pequena com a minha Mãe. Você sabe que ambas adoram, a coroa cozinhando guloseimas e a pequena consumindo todas.
- É, é, pode ser.
- Falando nisso deixa eu falar com a gorduchinha.
- Ela já está aqui me enchendo o saco que quer falar com a Minney.
- Minney?
- É. MickEY, MinnEY.
- Ah claro. Passa pra ela então.

- Alô!
- Oi filhinha!
- Oi pai.
- Oi pequena. Tudo bem?
- Tudo pai. Quero falar com a Minney.
- Já vou passar pra ela.
- Passa agora! Porque não posso falar com ela agora?
- Ela tá no banheiro pequena, jajá fala com você.
- Humpf!
- E aí tem feito as lições direitinho? Obedecido as professoras?
- Ahã. A Minney já saiu do banheiro?
- Tá lavando a mão.
- Humpf!
- E aí? Tem tomado banho todos os dias? Comido direitinho?
- Ahã. A Minney pai!
- Calma pequena, não quer falar nem um pouquinho com o papai? Ele tá morrendo de saudade.
- Pai, não enche, eu PRECISO falar com a Minney. Dá pra passar pra ela?
- Tá bom, tá bom, já vou chamar. Minneeeey!

(Pai começa a fazer a voz da Minney, ainda que pareça muito mais com a voz do Lobo Mau imitando a vovozinha)

- Oizinho!!!
- Oi Minney. Tudo bem?
- Tudo, e você?
- Tudo bom. Minney quantos anos você tem?
- Er...meu aniversário foi legal. Você gosta do meu vestidinho de bolinha?
- É bonito sim. Você tem que ir pra escola também Minney?
- Tenho sim. Todo dia. E Você, tem feito suas lições?
- Tenho sim.
- Muito bem. A escola é importante porque...
- Mas Minney, cadê o Mickey?
- Er...eh...ele não está aqui, foi até o mercado.O Pluto tá aqui, quer falar com ele?
- O Pluto não fala Minney.
- Hehehe, te peguei. Era pra ver se você está esperta.
- Ah...
- Mas e aí mocinha, ta com saudades do seu papai?
- Mais ou menos.
- Porque mais ou menos?
- Ah, porque ele é chato.
- Chato? Porque? Acho ele tão legal.
- Eu acho chato. Não deixa eu fazer as coisas que eu quero, me manda pra escola, me obriga a tomar banho.
- Ah, queridinha, mas ele só quer o seu bem.
- Humpf!
- Todos os pais são assim.
- Não são não.
- Não são?
- Não.
- São sim. Pode olhar os pais de suas amiguinhas, são todos assim. Ou você conhece algum que não é?
- Conheço.
- Conhece? Qual?
- O meu.
- Ué, mas você disse que seu pai era chato.
- Não esse que tá aí. Esse é chato. O que é legal é o outro.
- Outro?
- É.
- Mas você não tem outro pai. Não está confundindo com o vovô?
- Não! É pai mesmo.
- Acho que está confundindo nenê.
- Não sou nenê, e não estou confundindo nada.
- Tá sim.
- Que saco Minney. Não tô.
- É que você ainda é novinha, não entende...
- Peraí então que vou chamar ele pra falar com você.
- HEIN? Ele tá aí?
- Tá sim, lá no quarto com a mamãe: PAIÊÊÊ!!!



Eu só Queria Dormir

Ao longo da história do homem, empiricamente, forem percebidas muitas diferenças entre representantes do sexo feminino e do sexo masculino. A parte física é mais do que óbvia. O desenvolvimento de certos comportamentos também são muito claros, na pré história os homens caçavam e as mulheres cuidavam dos filhos. No mundo moderno de hoje depois que a mulher conquistou quase tudo que nós homens já possuíamos (grande coisa) alguns outros comportamentos puderam ser detectados.

Mulheres gostam de falar. Falam pelas tampas. Antes a gente não sabia disso por que elas passavam o dia inteiro conversando entre si, falando com as crianças, falando com o gerente do banco, com o encanador, com o jardineiro, com o cara da padaria, com todo mundo em geral! Hoje não podem mais ficar de papo o dia inteiro, tem que trabalhar (quem mandou).

As consequências para os homens do mundo moderno são gravíssimas. Todo dia que chegamos em casa somos bombardeados por milhões de palavras, histórias e lamúrias. Viramos a vizinha, as crianças, o gerente do banco, essa turma toda. Não há como escapar: Ontem por exemplo, olha o que me aconteceu:

- Oi querida. Tudo bem.
- Sim, tudo ótimo.

Não perguntei nada, fui direto ao chuveiro

- Não quer saber do meu dia?
- Não te escuto do chuveiro amor.

Ela entrou no banheiro.

- Meu chefe foi um cachorro hoje.
- Ele te cantou?
- Não. Ele me mandou fazer um relatório para ele. É um incompetente.
- É só um relatório, faça e não crie problemas.
- Mas ele protege muito a Ritinha. Só da atenção para ela. Ela pode ter duas horas de almoço, pode chegar tarde, atrasa tudo. Não é justo.
- O mundo não é justo. Acostume-se. Que vamos jantar?

Fugi do quarto e fui para a sala de TV. Pensei, ligo a TV e pronto ela não vai me interromper. É uma mulher muito educada.

- Querido, estou infeliz.
- Não, você pensa que está infeliz. No fundo você só está frustrada. Assiste esse seriado comigo que passa.
- É sério. Eu não tenho futuro!
- Está pensando em se matar? Melhor fazer o testamento antes.
- Larga de ser besta, preciso pensar na minha carreira.
- Concordo. Vamos fazer isso no café da manhã.

Desisti do seriado e jantamos com trilha sonora de "eu odeio a Ritinha" a "eu sabia que devia ter feito medicina". Meus ouvidos ardiam, então fui dormir.

- Querido, você já dormiu?
- ....
- Querido, fala comigo.
- ....
- Acorda!!
- Oi, oi, que foi mulher?
- Você acha que eu ganho pouco?



Tinha uma Pedra no Meio do Caminho

Quando eu tinha 11 anos e acreditava que estudar era uma chatice, eu me lembro de ter dito uma vez: "tinha uma pedra no meio do caminho, que frase mais idiota". E me lembro bem de repetir isso por alguns anos, até que me deparei com a primeira pedra.

A primeira pedra é inesquecível. O intervalo de tempo entre o tropeço e a queda é quase eterno. Quando você cai a primeira vez, invariavelmente surge a sensação de que não há mais volta. Não há como levantar. É melhor ficar caído, assumir a queda. Será que dá para ficar invisível, me perguntava?

Depois de algum tempo, com um pouco de esperança e fé, há de se mudar os rumos e tentar erguer-se novamente. De pé vê-se a pedra - estive cego? Preciso continuar, não posso ficar aqui. Segue-se a inexorável inércia da vida.

O horizonte do homem varia de acordo com a amplitude entre o que ele é e o que ele espera ser. Invariavelmente surpreendentes, as mudanças nesses pontos de referência nos levam a tomar decisões radicais, estabelecer rupturas no nosso ambiente. O esforço para sair da situação atual para a desejada vai estabelecer uma seqüência de comportamentos individualistas.

Invejo aqueles que enxergam a longa distância, e conseguem medir seus atos pelas sua direções tomadas. São nobres no cuidado com a vida. Ao contrário dos que olham fixamente para baixo, preocupados com o momento, que são incapazes de enxergar onde pisará depois. Eu sou dos segundos.

Há várias pedras. Infinitas. No final das contas há um mar delas, espalhadas por aí, aguardando a todos nós, os desavisados. Poder olhar a frente não é importante para evitar quedas, e sim para escolher quando há disposição para o risco de queda.

Hoje com 30 anos, eu humildemente me retrato: "tinha uma pedra no meio do caminho, quisera eu ter visto antes".


Na alegria, na tristeza, no chocolate

Somos feitos de memórias. Algumas amargas, outras doces. Para ser exato, algumas meio-amargas a 70% de cacau, outras ao leite.

Quando ela quis fazer ovos de chocolate para a Páscoa, eu participei, como acho que todo bom marido deve fazer. É certo que ela ficou com a parte mais difícil, que era fazer o curso sobre ovos de chocolate, comprar as fôrmas, os ingredientes, o papel alumínio e os papéis de embrulho, escolher e compreender as receitas, e finalmente executá-las. A mim coube a parte mais fácil, que era ficar ao lado dela dando apoio moral. Para me sentir menos inútil, ofereci-me para destroçar tijolos de meio quilo de chocolate tendo por único instrumento uma faca de cozinha, atividade que se mostrou muito mais extenuante do que parecia à primeira vista. Porém, agora que estava ajudando, não podia voltar atrás. Na alegria e na tristeza, dizem, mas ninguém avisa a respeito do chocolate. Percebi que meu casamento poderia depender da minha habilidade em desbastar três quilos do material, e tive sorte de desempenhar a tarefa suficientemente bem para que ela me amasse ainda mais.

Horas de luta contra as barras maciças, as mãos cobertas de chocolate derretido, lascas de chocolate por toda a mesa, e isso era somente a primeira etapa da cadeia produtiva, a extração da matéria-prima. Eu só fazia o serviço braçal, que é o máximo que um marido pode fazer na cozinha sem atrapalhar. A sofisticação era atributo dela. Recolhia as lascas que eu separava das barras, acomodava-as nas vasilhas, dispunha estas últimas numa travessa em banho-maria, mexendo constantemente com a espátula, avaliando a cor e a consistência da mistura, até chegar no ponto certo, em que as lascas desapareciam numa calda grossa e brilhante. Depois, despejava o chocolate derretido com cuidado, preenchendo exatamente o contorno das fôrmas, formando uma casca de espessura uniforme, sem derramar para fora, sem falta nem excesso. Deixava secar, desenformava e começava de novo. Era uma beleza, não tanto porque a atividade em si fosse tão interessante, mas principalmente porque ela era uma beleza, até mesmo com avental de cozinha, fazendo ovos de chocolate.

Assim atravessamos a manhã, passamos do meio-dia e entramos pela tarde adentro, para desespero do meu estômago, que ficou sem almoço e teve de contentar-se com nacos de chocolate branco, marrom e preto, que formavam montanhas em cima da mesa. Depois de horas a fio cercados de chocolate por todos os lados, cobertos de chocolate por todos os poros, descobrimos o desespero do artesão-chocolateiro, que não agüenta mais pensar em chocolate quando termina sua obra. Portanto, mal provamos o resultado do nosso esforço conjugal ¿ minhas marretadas violentas nos tijolos de chocolate, e a arte paciente e delicada que ela empregou para fazer nascer coelhinhos e ovos de todos os tamanhos. De chocolate.

Na verdade, antes de ficar totalmente saturados provamos um de cada tipo, apenas para confirmar que os ovos recheados com maracujá ou coco eram irresistíveis. Praticamente todo o resto da produção foi escoado em presentes para a família, embalados um a um com esmero e laços de cor variada. Eu achei que os presenteados nunca deram aos nossos ovos o valor merecido. Só eu, que tinha passado um dia inteiro imerso em chocolate ao lado dela, soube estimar a grandeza do que ela fizera, a abnegação no planejamento, o carinho na execução, e por isso eu a amei ainda mais.
Agora que os ovos acabaram e nosso relacionamento também, fico pensando quantos talentos uma mulher pode esconder. A minha era uma artesã-chocolateira de primeira, ainda que o tenha sido apenas por um longo e cheiroso dia. Fico feliz por ter participado desse que foi um de nossos melhores momentos. Desde então, o tempo escorre lentamente como calda derretida, alegria e tristeza desaparecem, e ficam apenas as lembranças com sabor de chocolate.


Freestyle

É engraçado! Eu não sei porque as pessoas complicam tanto essas coisas!

Eu por exemplo ... não sou bonito, então resolvi estudar. E falar besteira também. Era pra dar certo.

Dizem que as mulheres gostam de homens que as façam rir.

Gostam de orgasmos múltiplos também. Mas aí, já bem mais difícil. Olha só. Taí um exemplo claro de que as coisas simples começam a se complicar.

Era pra dar certo. Eu até que sou engraçado. Quer dizer, as pessoas riem de mim.

Uma vez eu estava num bar quando 2 judeus entraram e ... bom ... Deixa pra lá.

Freestyle. Poucas coisas são tão divertidas para um cara que gosta de falar besteira do que um texto escrito de modo ¿freestyle¿.

Um ¿jazzista¿ é admirado por muitos quando faz um solo de 12 minutos. O resto do mundo acha isso um saco. Mas aqueles 3 caras gostam tanto de um solo desses, que acabam virando uma multidão. Eu sei disso. Eles sempre me ligam quando querem alguém pra conversar sobre o assunto. É um belo casal.

Já um skatista pode até ganhar uma medalha no X-Games, ficar rico e famoso. Mulheres. Dez, dez mil dólares, mulheres, automóvel, mulheres, iates, mulheres, mansões, mulheeeereees...

No meu caso, eu fico aqui. Escrevendo. Olha que legal.

Num dia como hoje, eu poderia ficar escrevendo assim por horas. E não pensem vocês que eu não releio o que escrevo.

Tenho muito critério. Sei o que não funciona, só não tenho coragem de apagar. Ou você acha que os pais do cara mais chato do Mundo não pensaram em matar o próprio filho? Faltou coragem.

Fiquei pensando em quem seria essa pessoa. A resposta mais imbecil de todas, seria : eu. Mas não sou eu não. Eu sou legal. Só estou sofrendo de incontinência mental.

Merda. Fiquei tanto tempo pensando numa analogia esdrúxula pra ¿coisa/pessoa mais chata do Mundo¿ que acabei perdendo completamente ¿free¿ desse texto.

Era como se o Oscar Peterson acabasse quebrando a mão num solo de piano, ou se o Bob Burnquist quebrasse a perna em uma das suas apresentações. Eu sei. Eu sei que ele não faz freestyle, só vertical, mas não me enche. E por favor dá licença que chegou um cliente e eu preciso atender.


Contra (Sera que é possivel??)

Um dia acordou e percebeu que estava no meio da calçada. Em pé, com sapatos polidos, uma pequena mochila nas costas, cabelo cortado, penteado e barba bem-feita. Como ele foi parar lá? Por quanto tempo esteve dormindo? Por que não teve nenhum sonho? De quem são essas roupas?

Olhou em sua volta, estava em um grande centro movimentado. Carros passando, painéis eletrônicos, prédios enormes e pessoas, muitas pessoas, uma multidão. Todos em movimentos, correndo para todos os lados, olhando seus relógios com pressa. Desordenadamente. Caos.

Sua garganta começou a sufocar, o sapato apertar e só queria voltar para casa. Largou a mochila e saiu correndo em direção a rua. Estranhamente no seu primeiro passo, toda a multidão inicia um movimento ordenado e único contra ele. Quanto mais tentava avançar, mais a multidão o empurrava na direção contrária. Trombada após trombada, desiste de lutar contra a multidão. Resolve seguir então para onde todos se direcionam. Em seu primeiro passo, a multidão se volta novamente contra. Pára. Todos voltam a andar como antes. Mas um passo a esquerda e todos para a direita. Passo para frente, todos para trás.

Olha para os lados. Assovia uma canção de algum filme. Põe as mãos nos bolsos. Simula algum desinteresse e repentinamente se atira em direção a rua novamente. A multidão reage instantaneamente contra. Pisões de pé, ombradas, cutucões, esbarrões e pouco a pouco vai progredindo até chegar na rua. Ali se deparar com um caos maior.

Todos os carros estavam amontoados em sua direção. Aparentemente todos os motoristas resolveram virar ao mesmo tempo. Ele tinha causado isso? Deu mais um passo e ouviu mais batidas. Um passo para trás, outras batidas. Para que os feridos pudessem ser socorridos e o trânsito continuasse a fluir, resolveu não se mover. Não podia arriscar causar mais acidentes. Esperaria até que as ruas estivessem vazias.

Madrugada. Ninguém mais nas ruas. Pôs a correr desesperadamente. E começou a ouvir à sua volta algumas batidas, olhou para os prédios e percebeu que as pessoas caíam de suas janelas de pijama, como lemingues. Os que sobreviviam, mesmo mancando, continuavam correndo em sua direção contrária. Parou. Não queria ser responsável por tamanho caos. Nem um passo a mais.

Passaram horas, dias, meses, anos. Ninguém parecia se importar com aquele mendigo imóvel. Nem sequer direcionavam o olhar, e quando o faziam, era com uma expressão de desprezo. Morreu na rua. Sem nome. Sem nada.

Ingratos. Queria se importar menos. Queria nunca ter acordado. Queria ter sonhado mais...


Hoje

Hoje não há festas, nem sonhos, nem alegria.

Acordei e dei de cara com a realidade, dura, angustiante, fria...

Abri a porta e dei de cara com o mundo violento, com meus tormentos, com as dificuldades, com a ausência de solidariedade.

Hoje não consegui imaginar outra saída, não consegui entender os motivos de tantos problemas em minha vida.

Hoje desejei apenas ter um descanso, não precisar lutar tanto, tampouco ter que ser forte e decidido.

Hoje me senti como uma pessoa muito, muito cansada, que não consegue fazer mais nada, que perdeu o rumo, o prumo, a força.

Estou sozinho, mas isso não é novidade...

Sempre estamos sozinhos, em uma luta desigual, impiedosa, em que a mão do destino ou seja lá o que for, vem com uma força imensa, destruindo qualquer sentimento que não seja a dor...

Hoje, sim, hoje, só consigo espalhar minhas lágrimas ao vento...


Eu te amo! (e nem vou cobrar nada por isso)

O sexo vende. E muito. Milhões de sites de internet e a Rede Globo sabem muito bem disso. Mas e o amor? Não seria um produto negligenciado?

Depende do tipo de amor. Temos claramente dois tipos de amor. O amor clássico é aquele legítimo, que faz rir, chorar, que abre a porta do carro e vai no estádio de futebol mesmo sem gostar. O outro é o verbalizado, aquele que é apenas falado, sem significado necessário, que decepciona, dá esperança, esquece de ligar e finge que está dormindo.

O Amor, assim verbalizado está em alta, e o amor legítimo está em falta. Ainda que Adam Smith tenha nos mostrado que quanto menor a oferta maior a procura, o amor legítimo está tão ausente que já se tornou um tipo de lenda urbana.

- Sabe o Rui?
- Que Rui?
- O Rui, primo do Claudinho.
- Claudinho....
- Aquele amigo da Mari, gordinho que usa dockside.
- Ah sei.
- Os pais deles são casados há 50 anos e ainda se amam.
- Você os conhece?
- Não, mas a Fê, irmã da Mari disse que já os viu uma vez.

Como quem compra guia de cidades as quais nem sabe se vai visitar , as pessoas se conformaram com a verbalização do Amor, com a oferta de uma promessa de algo que não acontece, mas não deixa de ser desejado Amor como diria o povo, vende igual pão quente.

O mercado é amplo. Historicamente, as mulheres são compradoras em potencial e os homens vendedores. É verdade que o mercado mostra uma tendência de inversão dos públicos. A troca é constantemente praticada também. Ainda que nem sempre os negociantes cheguem a um acordo:

- Pati, eu esperei muito pra dizer mas acho que é a hora.
- O que Michel?
- Eu te amo!
- ...
- ...
- Eu amo passar tempo com você.

O mercado é muito promissor. As aplicações são infindáveis. O produto tem atributos indiscutíveis. Não é perecível.

- Você me ama môr?
- Claro bebê.
- Quanto você me ama?
- Te amo pra sempre bebezinha, agora faz minha massagem.

Tem grande potencial no atacado.

- Mas você disse que me amava.
- E amo.
- E porque tava beijando aquele cara.
- Porque eu amo o Júlio. Mas também te amo Té. Você não acredita que é possível amar duas pessoas ao mesmo tempo?
- Não!
- E o que você me diz daquele nosso menage, então?
- Errr....é...!?

O mercado paralelo também se aquece. Genéricos e similares são bem cotados no mercado. Diversifica-se para se atingir todo poder de compra. Por uma pechincha se consegue um ¿Gosto de você¿, num investimento razoável pode-se obter um ¿Te adoro muitão¿ e apostando um pouco mais alto se fatura possivelmente um ¿Te adoro muito-muito-muito-muito-infinito¿.

- Mas já?
- Acha cedo?
- Aliança depois de dois dias cara. Acho rápido demais.
- Eu também achava. Mas depois do que ela me falou.
- O que?
- ¿Te adoro um montãozão¿. Isso é bastante né?

Ainda existem poucos puristas que acreditam no legítimo amor, que invariavelmente se tornarão um grupo altamente restrito (algo parecido com os fãs de Star Trek). Não vendem seu Amor verbalizado nem pelas causas mais nobres.

- E aí, já transou com ele?
- Não. Tá doida? Ele nem disse que me ama ainda!

Observando tudo isso podemos projetar o Amor como a mercadoria do futuro. Quer premiar? Dê Amor. Não sabe onde investir? Ações de Amor. Chega sua fatura do cartão de crédito. Você olha seu programa de milhagem: ¿Parabéns, até esta data você acumulou 50.000 milhas, entre em contato com nosso SAC e efetue a troca por uma TV de 29 polegadas, um sistema de Home Theather ou uma declaração de Amor de um de nossos atendentes¿. Vão sobrar TVs e Homes.

O Amor estará finalmente na casa de todos que se dispuserem a pagar o preço. Logo, o ser humano não vai ter mais o que buscar, e sem propósito tende a parar, estagnar. O Amor estará banalizado.

- Eu te amo.
- Grande merda.

A esperança vai então residir naquele pequeno grupo restante, a ordem do legítimo amor, ou algo do tipo, com aqueles poemas estranhos e mania de pedir licença podem, quem sabe, devolver nossa esperança.


Ponto de vista

- Nhan han humpf er...Alô.
- Rô?
- Nham han pufpuf er er...Quem tá falando?
- É a Su, Rô. Você está dormindo?
- Nham puf... Agora não mais. Que Su?
- Como assim que Su? Sou eu. Suzana. Sua ex-namorada..
- Ahhhhh Su. Porque não disse que era você? Me desculpa gatinha. Como é que você está?
- To ótima e você?
- Tranquilo. Pô, engraçado, estava pensando em você esses dias. Em nós dois.
- Ah é? Que coisa. Então, liguei só pra dar um "oi". Manter contato.
- Lógico. Legal você ter ligado. Uma surpresa. Depois de tudo....
- É na época foi bem difícil..
- Terminamos de um jeito bem conturbado.
- É bem verdade Rô, mas desencana, não pra liguei pra falar sobre isso. O que passou, passou. Creio que somos adultos o suficiente para separarmos bem as coisas e nos relacionarmos sem problema.
- Claro, com certeza.
- Mas me diga, como estão as coisas?
- Ah tudo jóia. O de sempre né. "Facul", balada, cineminha. E você?
- Eu também. Só na balada que estou em falta. Agora namorando né...
- Ah! Tá namorando?
- Tô sim, já faz 9 meses, super felizes. Já fazemos planos até de casamento. E você?
- O que tem eu?
- Tá namorando?
- Ah sim. Mais ou menos. Mas acho que tô.
- Como assim "acho que tô"?
- Não. Quer dizer. Estou sim. Claro que estou. Ela é linda. 27 anos.
- Ah tá. Mas você tomou jeito né? Não é mais canalha como na minha época?
- Claro que não. Sou um novo homem. Outra mentalidade. Consigo ter amigas numa boa. Sem segundas intenções.
- Nossa Rô, que bom saber disso. Fico feliz.
- É, to feliz também. Aliás falando em amigas podíamos combinar de sair essa semana. Depois da "facul". Aliás você estuda a noite ou pela manhã?
- Tô estudando a noite. Na mesma classe da Rutinha.
- Putz a Rutinha. Faz tempo hein. Aliás e o resto do pessoal? Tem visto?
- Só a Rutinha mesmo.
- Ah lógico, vocês são inseparáveis.
- É. Somos irmãzinhas praticamente. E você? Tem contato com o povo?
- Todo mundo na mesma Su. O Duda com a Raquel, brigando brigando mas sempre juntos. O João perdido como sempre, agora tá numa onda Hare Krishna. Ligo de vez em quando pra eles mas nada muda. Aliás, me diz uma coisa, seu telefone continua o mesmo?
- Nossa, o Duda ainda está com a Raquel??? Que legal, esses vão casar!
- É o que todos dizem. Mas é ruim do Duda casar. Aquilo é um traste.
- Verdade.
- Su, me desculpa, mas tenho que sair agora. Lembrei que tenho dentista. Depois nos falamos hein, temos que nos ver.
- Um beijo Rô.
- Beijo.

:::::::::

- Alô?
- Fala Su. Tudo bem
- Oi Lili. Não sabe da última!
- CONTA, CONTA!!!
- Liguei pro Rô.
- NOSSA! Aquele cafajeste, te tratou tão mal e você ainda liga pra ele?
- Ah Lili, foi justamente por isso. Tenho que provar que estou totalmente recuperada.
- É verdade. Mas e aí? Como foi?
- Falei com ele numa boa, como uma pessoa civilizada.
- Jura???
- Juro amiga. Acho que agora coloquei um ponto final no assunto. Ele entendeu que podemos ser amigos numa boa já que não sinto mais nada por ele e nem ele por mim.
- Ai, que bom Su. Ainda bem que isso acabou de uma vez por todas.

::::::::::

- Fala sua bicha!!!
- Faaaaaala Rodrigão como é que tá?
- Beleza. Você não sabe da última? Lembra daquela minha Ex, Suzana?
- To ligado.
- Vou comer de novo!


Não que eu esteja bêbado ...

Não que eu esteja bêbado, querida. Isso não vem ao caso. Fico procurando teu cheiro numa foto rasgada. A metade da tua foto rasgada. A metade que só tem a minha imagem e a sua mão me abraçando. A mão mais linda que já eu vi. A única parte do teu corpo que eu ainda lembro de verdade.

Não que eu esteja bêbado. Não é por isso, mas só assim, consigo sentir teu cheiro do meu lado. Teu cheiro que aperta mais forte do que qualquer abraço. Teu cheiro me abraçando. Como a tua mão naquela foto. Uma foto rasgada, mostrando o lado mais trágico de nós dois. Triste verdade.

Não que eu esteja bêbado. Mas lembro que aquele cara que atendia pelo mesmo nome desse bêbado que te escreve agora, já não concebia o quanto uma mão solta numa foto, poderia provocar tanta dor. Principalmente uma mão tão linda. Tão linda que eu nem lembro o cheiro, na verdade.

Não que eu esteja bêbado. Bêbado o suficiente pra ter certeza que esse texto não expressa dignamente a dor que vem me embriagando desde o dia que tua mão rasgou. Aquela da foto que te contei. Sua melhor foto. Rasgada. Talvez minha única lembrança a ser considerada verdade.

Pra te ser bem sincero. E, não que eu esteja bêbado, minha vida. Não te quero de volta pra mim. Não agora. Sem existir mais. Sem alguém na foto. Maldita foto rasgada. Só comigo. Sem você. Aliás, tem sua mão. Me abraçando. Como teu cheiro. Uma vida amaldiçoada pela mais cruel verdade.


Adultescência

Ela chega sem data nem hora marcada. Bem inoportuna. Quando você menos espera, ¿clap¿! Lá está ela como fosse um bom tapa na cara. Daqueles bem ardidos. A ¿Adultescência¿ pode chegar aos 11 ou aos 50 anos, em Manhattan ou Madagascar. Variável conforme a pessoa, porém sempre com o mesmo conteúdo.

Ela chega para te mostrar uma coisa muito simples. Coisa que sempre lhe disseram, você viu nos filmes e novelas. Muitas vezes você próprio afirmou. Ainda que a mínima idéia do que estava falando.

A vida é injusta.

É injusta sim. Não há o que debater. Seja por causa do seu carro que você bateu e não tinha seguro justamente quando ia vendê-lo, seja quando o amor da sua vida arruma um namorado justamente quando você iria se declarar. A injustiça está sempre te circundando com apelidos como azar, fatalidade ou ¿lei de murphy¿.

A vida é injusta.

Admitir isso é ter verdadeira noção do que é a realidade. Saindo de um universo de sonhos e fantasias que são a adolescência e infância você cai nessa amarga e presente realidade, com a sensação que está correndo atrás de um trem que já partiu.

Todos nós até o momento em que viramos adultos somos mimados e privilegiados. Acreditamos que se não está do nosso jeito está errado. Não entendemos que muitas vezes não vai ser do nosso jeito mesmo e pronto acabou.. Ás vezes até o exato oposto.

Ser adulto é saber aceitar isso. Não aceitar no sentido de passividade. Podemos e devemos lutar para fazermos do nosso jeito. Mas tudo tem espaço e tempo certo.

A vida é injusta, mas, Deus é justo.

Não que eu esteja aqui para evangelizar. Mas não acho que o ateísmo seja uma boa escolha. Pois, visto que a vida é injusta, é necessário ter-se um propósito para tudo. Qual o incentivo para se fazer as coisas certas se não se tem o por quê. Se não há punição ou recompensa é mais fácil fazer o mais cômodo. Não se desculpar, não se importar, não respeitar. Tendo um Deus tudo fica mais fácil de se entender. Você vai para o Paraíso, um plano superior ou sobe de casta. Ainda que tudo isso seja uma baboseira, é melhor viver acreditando nisso. Não se vive sem esperança.

Pode parecer que a vida é uma desgraçada. Que te recebe de braços abertos cheio de carinhos e talco e te bota pra fora com seringas e quimio. Tudo isso para no final de tudo ser recompensado. Mas não se pode analisar assim. A vida nos dá muitas coisas para se passar por ela. Amor, amizade, força, bla, bla, bla. Mas tudo isso é muito pouco para vivermos. Nosso maior presente e arma dado pela vida é a liberdade.

A vida é injusta, mas até que boazinha.

Poder fazer o que bem entender é o que temos de mais valioso. A liberdade nos leva aonde queremos chegar, nos traz o que queremos ter, nos faz o que queremos ser. Pois isso é o que basta. Sejá lá qual seja sua ambição você pode ir atrás. Existem sucessos e fracassos logicamente, porém, o poder de tentar já é o suficiente para nos dar o que mais precisamos para sobreviver. A esperança. No entanto não há espaço para reclamações ou lamúrias. O nível de dificuldade é extremamente variável entre pessoas e coisas. Ser astronauta nascendo em Minas Gerais é tão difícil quanto ser o estrela do futebol nascendo em Ohio. O sucesso depende do quanto se está disposto a alcançar tal objetivo. Pois com liberdade, se faz o que realmente quer.


Coisas do subconsiente...

- Numa boa. Com todo respeito. Mas, vá pra puta que pariu!

- Me desculpe...

- Não faça essa carinha de desentendida não. Vamos acabar já com essa palhaçada.

- Meu senhor me desculpe mas não sei do que está falando.

- Eu sou o Grespan.

- Prazer eu sou a Andreia.

- Eu sei quem você é. Você é o maldito Lado Feminino do André!

- Não sei por que maldito. Eu tenho muita honra em ser o lado feminino do André. Pelo seu tom rude imagino que deve ser o Lado Masculino não é?

- Sim , sou eu mesmo mocinha, e vou te dizer uma coisa, não to gostando nem um pouco dessa merda viu. Essa bichice toda já está passando dos limites.

- Nossa. Quanta grosseria. Se o André só tivesse você pra guia-lo estaria perdido.

- Pois eu acho que muito pelo contrário. Ele tá parecendo um afrescalhado com a sua influência. Antigamente, quando ele era mais novo não te escutava. Ou melhor, escutava mas o meu poder de censura era muito maior. Agora ele te escuta, confia em você. Acha realmente que o que você fala tá certo. Que ele fica melhor quando te escuta.

- E o senhor não concorda?

- Com o que?

- Com o fato de que depois que ele começou a me escutar se tornou uma pessoa muito melhor. Mais limpa, mais bonita, mais culta, mais educada.

- Mais bicha, mais bicha, mais bicha, mais bicha.

- Nossa! Que machismo. Pelo visto está precisando se atualizar. Os tempos são outros amor. Já passamos da época em que o homem tinha que se parecer com um macaco pra mostrar virilidade. Acho que o senhor é homofóbico.

- Homofóbico de cu é rola. Eu sou é macho. Sou o Lado Maculino PORRA! E olha. vou te dizer uma coisa, é melhor você parar com essa baboseira toda. O André é muito macho, sempre foi, e depois que você começou a falar essas bobagens pra ele tem muita gente duvidando da sua masculinidade. Fazendo brincadeirinhas, insinuando coisas. Não gosto dessas merdas não.

- Mas meu senhor...

- Grespan.

- Ok Sr Grespan. O que eu falo que tanto te irrita?

- Bem. Vamos começar. Primeiro de tudo. Essa porra de cabelo comprido.

- Qual o problema do cabelo?

- Meu. Puta coisa de viado. Já começa que o cara vai no cabelereiro. Macho que é macho vai no barbeiro. O André nunca deveria ter deixado de cortar o cabelo com o Valmor, aquilo sim era ambiente pra cortar cabelo. Agora vai num salão. Salão de beleza. E corta o cabelo com um cara chamado Johny. Tenha santa paciência. Johny? Onde esse mundo vai parar? Onde estão os aventais? Não tem. Em vez disso usa um quimono. Daí fica lá. De quimono, lendo revista de fofoca, com o Johny. Tudo isso sem esquecer que ele fica meia hora com uma meleca branca no cabelo que mais parece...bem...deixa pra lá...

- Olha. Pro seu governo todas mulheres valorizam um cabelo bem cuidado. Não é por que você é homem que não pode ter um cabelo diferente do que o seu avô usava. O que mais?

- Também tô puto com essa história de ficar comprando essas roupinhas de fresco.

- "De fresco"? Me desculpe Sr. Arruda. Não te entendi. O André só usa roupas normais. Camisas, calças, nada de feminino.

- Nada de feminino? Cacete. O cara comprou uma camisa rosa.

- Qual é o problema, rosa é só uma cor, como todas as outras.

- É sim. Só uma cor. Uma cor de viado. Isso que é. E isso nem é o pior. Semana passada ele comprou uma camisa bordada. Por que diabos uma camisa bordada?

- Ai, essa camisa é linda.

- Não me interrompe. Puta camisa afrescalhada. E cara. Você quer transformar o André numa bicha pobre. Tá gastando fortunas com essa história de comprar roupa. Estes dias foi num bazar. Quer coisa mais gay que ir no bazar? Bem, foi no bazar e comprou um terno que custou mais de mil reais. Mil reais você tá me entendendo?

- Foi uma ótima compra, aliás uma pechincha.

- Você tá doida. Pechincha. Na Colombo você compra um terno, um cinto, um sapato, uma gravata por 299 reais em 6 vezes sem juros. Isso sim é pechincha.

- Você não quer comparar o seu Colombo com o meu Ricardo Almeida não é?

- O meu pelo menos descobriu a América e o seu....não fez porra nenhuma aposto.

- ...

- Ei, não foge não, eu tava brincando....ei....droga...

PS: Nao consegui escrever um final digno.... risos...


Roberto, O Homem Ideal

Roberto durante anos colheu e estudou as informações que as mulheres deixaram escapar em entrevistas, revistas e até falsos cochilos em um grupo de mulheres papeando. Aliás foi assim que conseguiu uma das suas primeiras namoradas. O fato dela estar cuidando dele por estar quase em coma alcoólica não vem ao caso. O importante é que fez todo esse estudo para conseguir se tornar algo inexistente. O Homem Ideal. Algo que as mulheres procuram por todos os cantos desse mundo. A razão pela qual elas se relacionam com essa raça (homens). Essa procura que se estampa pelas Claudias, Marie Claires e Meninas Veneno de todo o mundo.

Depois de processados todos os dados (não são listados senão seriam uma crônica por si só.) estabeleceu seu plano de ação e começou a executá-lo.

Entrou na academia, adotou uma dieta balanceada, começou as aulas de italiano (eles são sexy dizem elas), o inglês já sabia. Arranjou um trabalho social, fez sua empresa ir para frente, comprou um apartamento bom, nem grande (pra não esnobar) nem pequeno (um homem tem que ter ambições). Se matriculou em aulas de Jiu-Jitsu (tem que defender a amada) e comprou uma porção de livros. "Homens são de Marte mulheres de Vênus" foi o primeiro.

Roberto acabou gostando dos seu novo estilo de vida, conversava melhor, se portava melhor, tinha dinheiro e sabia protegê-lo. Todo seu esforço começou a dar resultado e pouco a pouco foi colecionando novas experiências e se direcionando ao último e grande desafio. Querer um compromisso. O Homem Ideal não tem medo de compromisso.

Conheceu Laura, uma mulher incrível, inteligente, sincera, segura, solteira. Se entrosaram muito bem, ela fazia francês na mesma escola que ele, logo mudou também para sua academia pois 2 horas longe um do outro era muito tempo.
Os dois ficaram juntos e felizes, mas Roberto havia adquirido um vício, se tornar o Homem cada vez mais Ideal.

Não haviam mais desentendimentos, tudo era unanimidade, ele nem assistia mais o futebol, a mãe dela era mais querida que a dele e ele até aprendeu a fazer xixi sentado.

Só que acompanhado de tudo isso veio um efeito colateral. A falta de libido. A vida sexual deles estava em perigo de extinção. Apesar de estarem se falando mais do que nunca e nem precisarem discutir a relação. Ele entendia ela em todos os sentidos mas em vez de papai e mamãe eles estavam mais para irmãozinho e irmãzinha.

Como havia de ser um dia eles sentaram pra conversar sobre isso. E Roberto disse que essa foi a rela cão mais saudável que ele já teve, que eles se entendiam muito bem, porém ele precisava de mais compreensão, ela não entendia as necessidades dele, que ele queria uma pessoa mais sincera, mais preocupada com as causas sociais, ou seja, ele queria um Homem Ideal. Apesar de espantada ela entendeu exatamente o que ele queria, então eles se separaram em clima pacífico. Se tornaram melhores amigos, mas cada uma seguiu seu rumo, cada um procurando seu homem ideal.

Roberto entendeu tão bem a alma feminina que acabou se tornando uma.

Moral da história:

O Homem Ideal é VIADO!


Interpretações

Já dizia a minha tia que coração dos outros é terra que ninguém vai.
Então porque a gente fica querendo interpretar as coisas?
Se alguém fala de um jeito mais rude, você logo pensa -"putz, que eu fiz"? ou -"é...ela não queria falar comigo" ou coisas como "fui desprezado". Mas e se a tal pessoa estiver com problemas? E se estiver ocupada?
Como saber?
Não tem como. Você nunca vai saber porque se você pensa assim, nunca vai acreditar na explicação que receber. Sempre vai achar que algo está errado, que alguém está mentindo.
E saiu da boca, já era.
A gente consegue destruir muita coisas quando deixa letrinhas sairem fazendo seus sons.
O mundo está cheio de pessoas falsas, mas ninguém quer saber porque elas são assim.
Nada justifica uma mentira, uma traição. Mas são desvios de caráter que aconteceram por algum motivo.
E achar que ninguém presta só piora a situação.
As coisas não fluem.
Ela não me quer?
Por que não iria querer?
E quem disse?
Não foi ela.
Até agora foram só interpretações de atos e frases soltas.
E se ela disser?
Uma noite de lágrimas. Mas, provavelmente, a fila anda.
E se eu disser?
É porque eu estou me cansando de relevar.
E isso é verdade, pelo menos sobre mim eu posso afirmar alguma coisas.
Estou ficando cansado.
E nenhuma paixão resiste ao cansaço.
Ops...Eu disse o que era. Mas agora já está dito.
Aposto que se eu não tivesse dito o texto teria um sentido diferente.
Pera..."se"! Outra vez eu usando isso. E se não existe. Isso é sintoma de medo.
Fatos existem, conjunções não tem vida se a gente não quiser usar.


"Se você precisa de muitas palavras para dizer o que pensa, pense mais um pouco." Dennis Roch

Hoje nenhuma palavra consegue traduzir meu interior...

Revolta, angústia, desespero...
Vazio, solidão, abondono...


E meu exterior não reflete nada.
É apenas uma forma disforme que limita esta indecisão do meu ser.


As Minhas Quatro Estações

Inverno
Estação da estagnação. Quando o branco pálido da neve reflete a luz fraca do sol que não consegue nos penetrar à alma. Um descanso natural, mas improdutivo. Nos torna dependentes de um confinamento aquecido. Nos faz pensar e temer nossa própria sombra. Traz consigo um falso aconchego, que buscamos no calor de um fogo, de uma bebida ou de um corpo. E não percebemos sua frieza cortante, capaz de mutilar os desavisados.

Primavera
Estação onde a vida volta a florescer. Em silêncio o mundo recupera sua cor, sua vivacidade, sua alegria. Uma nova chance surge. Um auge de harmonia nos renova. Alegria, felicidade, amor... Sentimentos se descongelam e frutificam. Nos tornamos mais receptivos, livres. São tantas novidades que podemos nos perder em nós mesmos, se estivermos abertos a tudo que agora se expande.

Verão
Estação do exagero. O calor que fortifica a alma nos impulsiona a agir. Viver é uma espécie de necessidade absoluta, e limites são desconsiderados. Agora tudo é ofuscado na intensa luz que se auto reflete. E nem sempre vemos com nitidez. Mas verão é ousadia e coragem. É o momento de se criar aquilo que em outros momentos serão as lembranças.

Outono
Estação da renovação. Aquilo que não serve mais é descartado. Novos espaços são criados para o que virá. É o momento de nos desprendermos. Permitir que o novo se aproxime. Um momento de preparação. De descobrir nossas forças para enfrentar o recomeço, duro e frio. Momento de distinguir o que é passageiro e que é duradouro, através da sobriedade que nos permite ver sem distorções. Um momento que nos é oferecido como uma nova chance.



Hei tempo...

Como me sinto troxa hoje...
Sabe o ditado, quem procura acha! Pois é, achei...

Tempo...
A decepção é foda de suportar... Muito foda mesmo...
Achei que era o que não era...
Bom, viver é o caminho...
Não tenho muita escolha...

Hei tempo!
Olha pra mim... Presta atenção...
Eis o senhor das respostas, eis o mestre do sofrimento e ao mesmo tempo o senhor da sabedoria....
Me ajuda a crer... Me ajuda a esquecer....

Hei tempo...
Queima meu corpo como uma folha seca ao sol de verão...
Me transforma em cinzas para o vento levar...
Levar para longe daqui, para qualquer lugar!

Hei tempo...
Gostaria de overdose de morfina, de cocaína, ou algo anestésico...
Gostaria de morrer de repente e levar comigo todo esse turbilhão de sentimentos...
Mas a vida não deixa...
Minhas escolhas me cobram atitudes...

Hei tempo...
Sou fraco sim...
Sentimental ao extremo...
Mas não posso abrir brechas para este meu lado extravasar...
Por isso estas escolhas...

Sabe tempo...
Muitos me recriminam por trabalhar demais, por só pensar em trabalho...
Gostaria mesmo que não fosse assim...
Que fosse diferente, mas não posso...
Tenho que manter minha mente ocupada, fugindo do lado sentimental, ocupando cada lacuna, cada fresta...

Olha tempo...
Eis minha sina, eis o meu destino....
Não sei dizer o que ha de errado comigo, mas há...
Enquanto chorava de saudades, você simplesmente não pensou, em nenhum momento, em mim...
Acreditei em suas lagrimas, em seu sofrer...

Hei tempo...
enquanto tentava encontrar os motivos
Você me escondia
Para que?
Para me prender?
Para ouvir declarações ? Cartas de amor?
Tempo, para que quer ver tudo isso, pra que?

Tempo...
A verdade dói...
dói pra caralho, mas cura e cicatriza....
Nunca mais tente esconder ela de mim...

Hei tempo, meu argós..
Hoje vou me consumir em maços de cigarro...
Minhas mãos tremem e mal conseguem escrever...
Minha cabeça gira...

Hei tempo...
Só um único pedido...
Por isso lhe escrevo...
Passa depressa....
Só quero que o dia de hoje acabe logo...

PS: She will be love



CRÔNICA DE AMOR

Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a sua porta. O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão.

O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por química simbiótica. Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.

Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca. Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera. Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.

Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina o Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no ódio vocês combinam. Então? Então que ela tem um sorriso meigo que o deixa completamente bobificado, o beijo dela é uma overdose de adrenalina, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.

Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, de mau humor. Ele não tem a maior vocação para príncipe encantado, é desastrado e ainda assim você não consegue despachá-lo.

Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca violão, adora animais e escreve poemas. Por que você ama este cara? Não pergunte para mim. Você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes os irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem o seu valor.

É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível. Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que diabo está sem um amor ?

Ah !!... o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados. Não funciona assim. Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao serasa. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.

Honestos existem aos milhares, generosos tem às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó! Mas ninguém consegue ser do jeito que o AMOR DA SUA VIDA é ! Se pudéssemos planejar toda a nossa vida ela não seria como é, nem sempre ela é perfeita mas que graça teria se soubéssemos tudo o que fosse nos acontecer ?

Christopher H Z Nerva




Pra mim sempre foi difícil encarar o fim de algo. Colocar um ponto final, virar a página, deixar para trás.

Não consigo dizer apenas "é passado" e recomeçar. Por isso acabo indefinindo minhas decisões, com a vã esperança que tudo se resolva por si mesmo.

Mas as decisões têm que ser nossas. E qdo parece que as coisas vão se acertar, na verdade a vida te coloca em "xeque". E aí, querendo ou não, vc precisa se decidir. E agir de acordo.

Hoje tô me sentindo assim...

Finalizei algumas "histórias", precisei desistir, chega de tentar em vão...

Por um lado me sinto livre por ter passado pela pior fase, mas sei que precisarei de um tempo para assimilar tudo e vê-las apenas como lembranças ruins.

Doeu muito ver alguem falar de quem eu gosto como se fosse apenas um pedaço de "carne"... Doeu ver que tudo acabou, sem ao menos saber onde foi que errei... Sem chances para concertar... Sem sequer uma tentativa para dar certo...

Por enquanto... Tenho apenas um vazio dentro de mim...

... Em homenagem às palavras não ditas, aos sentimentos não vividos e aos desejos reprimidos...

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Para aqueles que são capazes de ver uma flor dentre tantas num jardim!!!! Deixo aqui meu carinho e admiração.


"Só existem dois dias do ano em que não podemos fazer nada. O ontem e o amanhã."
M. Ghandi

Era pra ser somente mais uma amizade. Eu acho.

Mas de repente uma alegria voltou a me fazer companhia. Passei a esperar por aqueles momentos com uma certa euforia.

Ah, e quando esses momentos chegam!!! Parece não existir uma barreira sequer. E por mais louco que o mundo esteja... Nossa!!! Sei que é egoísmo, mas não dá pra pensar me mais nada.

Também não sei dizer o que estou sentindo. Aliás, com certeza nem sei o que estou dizendo. Algumas palavras tolas, talvez. Das quais um dia possa até me arrepender. Que ninguém vai ler...

Não, isso não acontecerá. Nunca me arrependi de algo que fiz ou disse. Me arrependeria sim se me calasse agora.

Decididamente, a vida é feita de momentos. E dane-se qualquer tipo de prudência!!! Quero viver esse momento sim. Seja de que forma for. E pouco importa quanto ele irá durar, e quais consequências poderá ter. O importante é que estou vivendo.


Mais uma da série: " Paixões impossiveis"

Se pudesse ser uma parte de tí, elegeria ser tuas lágrimas. Por que tuas lágrimas são concebidas em teu coração, nascem em teus olhos, vivem na tua face, e morrem em teus lábios.


Ensaio sobre a incessante busca de tudo e a paradoxal onipresença do nada frente a conquista dos objetivos pré-estabelecidos em períodos de total inconsciência da existência, ou não, do passo que leva adiante através de sinuosos caminhos anteriores ao saber de tudo e até mesmo ao encontro do nada.

PS: Odeio quando fico deprê e começo a escrever sem parar. Acabei de escrever o paragrafo acima, e quando terminei, nao sabia mais o que queria dizer... Alguém me tira dessa solidao ! Rapido...please!


Mais uma vez

Mais uma vez de volta a ocasião, inteiro e sábio, desiludido ou não, com toda a certeza das traças e falhas do meu coração.

Mais uma vez de malas prontas, sem a esperança de antes, inteiro... irremediavelmente só, como um monge, uma pedra, um farol com sua luz própria, mas inatingível e distante e só como antes.

Mais uma vez percebendo que o pão e a verdade, nada tem a ver com sentimento. Escolho a minha atitude, entre todas que eu conheço. Me transformo no que posso, pra ver o dia nascer de novo.

Pouco me importa a covardia de quem não soube me amar, vou marcar minha presença na distancia a ferro, a fogo, a chibata. Vou fazer do meu poema, muito mais do que uma marca. Quero escrever sobre a vida, porque a morte é coisa certa.

Nada tenho a perder, porque atravessei a heresia e se hoje não sonho, é porque cortaram as possibilidades de minha alegria.

Pela última vez, eu acordo espantado com o destino. Agora sei o que posso e não me iludo com delírios.

Não tenho mais a tola ilusão de ser feliz e nada que me entreguem, eu vou acreditar que seja de graça.

Carrego em minhas veias o fel, a impossibilidade, a controvérsia de ter seguido em frente, sem questionar a hora certa.


Renúncia

Minha resolução está tomada. Quero voltar às minhas origens. Abaixo a civilização, a mídia impressa, falada e todas as suas outras formas de manifestação. Abaixo as regras de boa conduta, aos compromissos com hora marcada e também aos nós de gravata. Abaixo as regras gramaticais, aos intelectuais, aos semáforos fechados e aos abertos também. Abaixo as vírgulas, pontos finais, travessões e a todos os verbos corretamente conjugados. Abaixo ao pretérito, mesmo que ele seja perfeito. Ou mais que isso. Abaixo ao gerúndio, que tem um nome horrível.

Rasgarei, em praça pública, todos os meus documentos. Queime-se todas minhas cronicas, com todas aquelas frases piegas. Doem minhas roupas aos mais necessitados, àqueles que, diferente de mim, ainda preferem a vida condicionada aos padrões ditados pela sociedade à vida renunciada de toda e qualquer regra. Serei livre ! Abaixo a civilização.

Peço que meus bens sejam queimados e as cinzas espalhadas ao vento. Destruam meu computador ! Doem aquela velha garrafa de Clos de Bère de 20 anos aos amigos mais próximos. O pacote de M&M que está no armário da cozinha fica para os familiares.

Não precisarei mais de lâminas de barbear. Pêlos crescerão por todo o meu corpo e me camuflarão para que eu possa me defender de outros animais ainda mais selavegens que eu. Calcularei as horas pela posição dos astros; as estações do ano, pelo tamanho das sombras projetadas pelas grandes árvores. Meu tacape será responsável pela obtenção de alimentos, todos consumidos crus e sem qualquer tipo de conservantes. Beberei água das nascentes virgens dos rios. Não precisarei mais de papel higiênico, analgésico, colírio, antiácido, melhoral, engove e, pasmem, camisinhas !

Minha casa será lacunas entre rochas, de onde verei o Sol nascer e me defenderei das fortes tempestades e longas noites de frio. Esquecerei, finalmente, de que um dia minha coluna vertebral fora obrigada a funcionar numa posição diferente da horizontal. Meu polegar opositor não me trará benefícios. Me comunicarei com os outros animais por grunhidos esquisitos, e eles me entenderão. Não precisarei mais da gramática ou, como dizem por aí, da ¿dramática¿ - cheia de regras e chateações - para que me aceitem no mundo selvagem. Não contarei as estrelas do céu porque me esquecerei de todos os números, sejam eles binários ou decimais. Terei medo dos eclipses solares.

Renuncio a tudo isso desde já. Não quero que nenhum carro ou qualquer outro meio de transporte me leve até meu novo mundo, onde passarei o resto da vida. Me bastarão os pés. Creio que em menos de um mês já estarei lá. Caminharei nu por aí dias e noites, rumo à liberdade. Mas com uma tv catorze polegadas embaixo do braço, lógico, que é pra não perder a novela.


''Eu vivo humildemente buscando a Verdade. A Verdade é, portando, o meu único fim.''
Mahatma Gandhi

Um dia, que já vai distante, o filósofo quis descobrir a verdade entre os homens. Mas, nessa vontade desesperada, o velho pensador viu os fios dos seus cabelos, os últimos que lhe restavam, embranquecerem. E arrastando-se, desiludido, ao extremo da existência, nada encontrou o pobre e sábio homem.

É difícil, impenetrável e obscuro o pensamento do ser humano. É inútil pesquisá-lo a fundo, porque a imperfeição das idéias constitui o sistema pensante do ser vivente, desse ''racional'' que formou a espécime principal que Deus, por benevolência, doou ao Paraíso terrestre. O homem, arquitetado à semelhança do Criador, continua sendo uma incógnita, um desconhecido.

Outras descobertas virão, além das que presenciamos no século passado e neste, que há pouco iniciou. Cientistas se fecham em laboratórios em busca de drogas que curem a depressão, tristeza e outros males. Contudo, vejo que a descoberta do sentido real do pensamento humano, essa será sempre insondável por mais perspicaz que seja o pesquisador.

E como a verdade não encontra o seu habitat ideal na superfície do sentimento do homem, tudo é imperfeito, não havendo lugar para a razão, porque o ser humano sempre agiu, consciente dos seus atos abomináveis, abnegado à avareza do seu natural comportamento, à ganância instintiva de sua formação, ao seu complexo de ser superior dentre os animais criados por Deus.

E assim, sempre quis, de uma forma ou de outra, transpor a fronteira dos direitos do seu semelhante, principalmente no domínio amoroso. Nessa busca, ele tem que fugir da verdade. E nesse contexto a verdade deixa de existir, e, conseqüentemente, a justiça, penalizado que é, então, o incauto com o desrespeito aos seus direitos.

Não é possível vicejar no pantanal ou no lodaçal da consciência humana o branco lírio da verdade. A sua semente é inadaptável a esse terreno podre e já fétido que prolifera pelo mundo afora. Nessa atmosfera de paixões violentas, como a afeição desmedida pelas guerras, a família desarticula-se, esfacela-se como um fino cristal martelado por mãos impiedosas.

Que verdade paira por sobre tudo isto que chamamos sentimento humano? Nenhuma, a meu ver.

Por conseguinte, o homem foge da verdade quando diz com relação aos conflitos interiores, por exemplo, todos sempre defendem a ''verdade acima de tudo''. Mentem, porque sabemos que as reais intensões sempre ficaram nas entrelinhas e não queremos encarar a verdade quando ela nos é colocada de maneira clara, preferimos nossas fantasias interiores, mesmo que estas mentiras ''fantasiadas'' nos transformem em vitimas do ''outro'' e nos levam ao sofrimento. Há uma necessidade de ruminar dores e acontecimentos mesmo que eles nunca aconteceram ou venham à acontecer...

Gostamos de sofrer, é bem melhor do que acreditar e aceitar a verdade, por mais tosca e banal que ela aparente ser...

PS: Não há como pedir desculpas por aquilo que não se fez


Feliz Natal, meu amor.

A expressão dela podia ser comparada a uma alface atirada no chão da feira livre. O sorriso, um verde desbotado, cheio de manchas escuras. Abruptamente despejou as compras em cima da mesa e olhou para o marido. Ele lia e relia seu jornal de todos os dias, detendo-se nas páginas policiais.

-Uma barbaridade! O assassino planejou friamente a morte daquele menino.

-Eu comprei o chester...

-Como se não bastasse, ainda esquartejou o coitado. Pobre menino!

-O espumante estava muito caro, então vamos de cidra mesmo.

-Eu linchava aquele infeliz. Juro que linchava! Pena de morte, isso é caso de pena de morte!

Ela liga a televisão. A novela está começando. Ele larga o jornal. O corpo começa a dar sinais de sono. Ela senta no sofá. Ele levanta. Ela, olhos compenetrados na televisão. Ele, olhos postos nela.

-E então, comprou o que precisava?

-Eu sabia. O Armando vai largar a Elvira, está apaixonado pela Suzele.

-E o espumante?

-Que mulher sem escrúpulos! Roubar o marido da própria irmã!

Na novela Elvira descobre que sua irmã, Susele, está de romance com Armando, seu marido. É ceia de Natal. Elvira e Susele se confrontam. Armando, sem reação, fica ali, com a fisionomia atônita. As duas rolam no chão e derrubam a árvore. As bolinhas quebradas. Os cabelos desgrenhados. A seguir cenas do próximo capítulo.

Ela levanta, desliga a televisão e vai deitar-se. Coloca as compras de natal nos devidos lugares. O chester vai ser temperado amanhã. A cidra vai para a geladeira numa temperatura amena. Onde estão as cerejas em calda? Onde estão?

Ele comeu as cerejas. Ele adora cerejas desde pequeno. Sua mãe sempre escondia dele. O pai então o repreendia e ele prometia nunca mais comê-las. Inútil. Ele não sabia controlar-se diante de uma cereja. Os natais eram uma alegria. Os primos, os tios, os sonhos, os cheiros de comida boa, os abraços de papai e de mamãe.

-Você comeu.

-O quê?

-As cerejas. Vocês comeu as cerejas.

-Comi. Comi, sim.

-Desde quando você gosta de cerejas?

-Sempre gostei....

No outro dia...

A mesa está pronta. O chester, o panetone sem cerejas, a cidra, a salada, os doces. O relógio marca dez minutos para a meia noite. A novela já terminou há horas com Suzele e Elvira abraçando-se na ceia, reataram o amor entre irmãs e o tal do Armando rompeu com as duas, descobriu que precisava ficar só por algum tempo.

Ele abre o espumante, ela segura o copo. Meia noite. A cidra jorrando da garrafa. O copo cheio e a vida vazia. O amor nas entrelinhas. O abraço meio sem jeito.

Ele a tapar os olhos cheios de lágrima. Ela, intransponível, desfaz-se daquela intimidade e põe se a servir a ceia.

Acaba a ceia e Ele vai dormir um pouco no sofá da sala. Ela, com a louça já limpa, depara-se com o retrato do casamento. Ele dorme.

Ela se aproxima do sofá e sussura:
- Como vai? Ainda sente algo por mim? Porque é tão difícil dizer? - Vai até o quarto e chora baixinho.

O rosto do marido tranqüilo. As palavras dela a jorrar, incontroláveis: - Feliz Natal, meu amor!

Ele Dorme no sofá. Ela dorme na cama.

Ele acorda vai até o quarto e sussura: - Feliz Natal, meu amor...


Entrevista com Deus

- Deus aqui em entrevista exclusiva. Bom dia Deus, diga para nós, quando o Senhor resolveu seguir a carreira de Deus?
- Bom, isso foi há muito, mas muito tempo atrás. Bem antes dessa moda de hoje em dia, onde todo mundo quer ser Deus. No Meu caso, é que sempre quis ter um negócio próprio. Ser empreendedor, sabe?
- Foi um início tranqüilo?
- Graças a Mim! Eu tive o apoio de toda Minha família. Até Meu filho deu uma mãozinha.
- Mas a passagem dele foi um tanto quanto conturbada.
- É verdade, coitado. Eles não o compreenderam muito bem. Não é fácil ser vanguarda. Na hora o crucificam, mas depois perceberam que ele estava muito a frente de seu tempo. Sabe como são esses críticos de mente limitada.
- Por falar em críticos, há um número crescente de críticos ao Senhor. Eles afirmam que o Senhor não existe. Há quem afirme que o Senhor está morto. Por que o Senhor anda recluso?
- Besteira! Esses críticos não entendem nada. Eu não ando recluso. Apenas desisti daquela pirotecnia do início da carreira. Sem essa de chuvas de fogo e enxofre. Creio que evoluí artisticamente. Não preciso mais dessas "muletas técnicas". Ando muito mais sutil. Uma arte mais introspectiva. Esses críticos não enxergam mais as sutilezas.
- Para finalizar, dê uma dica para aqueles que pretendem seguir a carreira de Deus-Todo-Poderoso-Onisciente-Onipotente-e-Onipresente.
- Humildade.



Coisas de criança

Quanta coisa aprendemos quando criança. Não coloque o dedo na tomada. Não coma coisas que encontra pelo chão. Não coloque a mão em uma panela no fogo. Apesar de tantos avisos e ensinamentos, insistimos a contrariar os avisos e experimentarmos por nossa conta. Certamente tomamos muitos choques e quedas pelo caminho. É que chamamos de viver. Viver muitas vezes é mais eficiente que aqueles sermões de "não faça" que tantas vezes ouvimos. Assim crescemos, assim aprendemos.

Aprendemos a confiar em nossos pais. Quantas vezes já não nos arrependemos de levar aquele agasalho que sua mãe tanto insistiu para que botasse? Sempre preocupados e pensando no seu bem-estar. Experiência. Essa é a palavra. Eles já viveram tudo aquilo que você passou ou está passando: aquela vontade de riscar paredes, a curiosidade de desmontar os brinquedos, aquele temor de ligar para aquela garota ou aquele primeiro porre. Escutamos e aprendemos.

No fim crescemos. Aprendemos. E descobrimos que eles mentiram.

O mundo não é como nos ensinaram. Quando somos pequenos, se acreditamos em nossos pais, somos bem-educados e elogiados. Quando crescemos, se continuarmos acreditando, viramos otários e desiludidos.

Comi todo o feijão do prato e não cresci forte e bonito. Trabalho 12, 14 horas diárias e estou longe de ficar rico. Procuro e não encontro aquela princesa encantada prometida. Sou honesto e fiel, mas nunca valorizado por isso. Procuro ser bom com os outros, mas não há um Papai Noel no final do ano para ser recompensado. Os desonestos não são punidos no final. O mau-caráter sempre fica com a mocinha.

Na vida adulta não há espaço para "crianças". Hollywood não existe. O romantismo morreu há muito tempo. Mulher perfeita, onde? Homem perfeito, pra que?

As últimas peças de resistência sofrem a via-crucis. Não há charme em ser bom, enquanto há uma aura sexy em ser mau. A malandragem é fator diferencial (eu diria até crucial) na ascensão de uma carreira. Ter princípios é antiquado. Fidelidade é careta. Honestidade é burrice. Apanhamos e aprendemos.

Aprendemos? Ou desaprendemos? Em quem confiar? Em nossos pais que sempre zelaram por nós ou em um mundo que sempre nos acerta na cabeça e no coração?

Ser uma criança eterna, sonhar, viver, buscar e por muitas vezes chorar e apanhar de um valentão qualquer. Ou abrir os olhos, se encaixar em um mundo canalha e roubar o lanche daquele otário fracote?

Sigo com minha decisão. Fecho meus olhos ainda com esperanças de um dia o mocinho vencer no final. Continuo em meu canto solitário, brincando com meus blocos de madeira e bolinhas de gude, esperando que um dia tenha companhia para brincarmos juntos. Talvez eu seja o maior otário do mundo, ou talvez o mundo precise da mais blocos de madeira. Alguém quer brincar ?


"(...) Oh, como ele então era inocente! Deus rejeita os inocentes: não servem para nada. É preciso se perder primeiro , para depois se salvar. Antes, resistir bastante, para que a queda seja completa. Escarrapachar-se no chão quebrar a cabeça. Pôs-se a rir: este era o PRIVILÉGIO do homem. Um direito, o DIREITO DE ESCOLHER.(...)"


FERNANDO SABINO - "O ENCONTRO MARCADO".


A Maior Mentira do Mundo

Na infância acredita-se em muitas coisas. No Papai Noel, no coelhinho da Páscoa e na virgindade da Sandy. Eu, além disso, também acreditava na propaganda. Ia até a padaria, comprava um Suflair, colocava em cima da mesinha da sala, e ficava sussurrando "suuuuflaaair" repetidas vezes, mas o chocolate nunca flutuava. Problema de entonação, não tenho dúvidas. A moça da televisão sabia cantar certinho, e funcionava. Entonação.

Ou entao na propaganda do Laka, nunca ganhei um beijo por dar Laka.

Essas coisas todas, aprende-se mais tarde, não passam de invenções para convencer as crianças a serem boazinhas o ano inteiro (eu nunca fui, mas o presente vinha mesmo assim), ou convencê-las a comprar o produto certo. As mentiras, grandes como elas são, chegam ao ponto de inventar um velho barbudo maníaco por dar presentes, um coelhinho com problemas proctológicos, o Programa Espacial Brasileiro, que existem Mulheres Perfeitas e que se pode viver só de Amor.

Porém uma certa mentira se mantem geração após geração sem sequer ser notada. Descobri estes dias e fiquei chocado!!!!

Uma mentira grande demais, mesmo para os fans da Sandy. A verdade é reveladora, leitor. Esta verdade pode ser, inclusive, perigosa!!

Eu mesmo temo pela minha segurança. Se algo acontecer a mim (um raio, ganhar na loteria, ter um rim falho) podem ter certeza: foi por revelar a verdade. Se você quiser se proteger disso, por favor, não leia. Vá comprar um chiclete na padaria, que causa, no máximo, cáries. Falando em chiclete, lembrei de mais uma mentira. Quando criança esse era meu maior vicio e meu querido papai acabou com essa minha alegria dizendo que chiclete era feito com baba de vaca! Coisa nojenta! Deve ser por isso que fugia da aula de ruminantes durante a faculdade de veterinária... Fiquei traumatizado!

Mas é melhor uma mentira inofensiva que uma perigosa. Mas a escolha é sua...

Pare agora, ou prepare-se para sofrer as conseqüências.

Pois bem, a escolha foi sua. Lá vai.

Você já comeu cereja? Sim, aquelas coisas que vêm sobre os bolos. Cerejas. Todos adoram cerejas. Elas são doces, vermelhas, e cheias de calda. Todos imaginam que essa calda doce e translúcida seja feita industrialmente, claro. De certa forma, talvez o processo seja parecido com o dos pêssegos em calda. Pêssegos em calda, cerejas de bolo em calda. Certo?

ERRADO!!!!

Essas não são cerejas de verdade. Essas "cerejas" confeitadas são de... bem... er... como dizer?
Imagine uma coisa que você não comia, absolutamente, na infância. Na verdade, nenhum ser em sã consiencia come. Descobriu?

CHUCHU... Sim!!!! CHUCHU meus caros amigos...

Chuchu! chuchu! Meu Deus, é de CHU - CHU.

Confeiteiros amaldiçoados pegam aquela coisa verde, nojenta e cheia de água para transformar, com CAL (Aquele mesmo que usa para pintar parede) junto com glicoses e aromatizantes mil, na sensual cereja. A cerejinha que coroa o sorvete é, na verdade, o chuchuzinho do sorvete. A luta pelas bolinhas vermelhas do bolo é, afinal, uma luta para ver quem come mais chuchu.

Crianças se digladiando nas festas por chuchu. Chuchu! Que sádico inventaria tal artimanha? Como puderam nos enganar tanto tempo? É um absurdo! A humanidade está perdida. Como confiar agora nos concursos de misse, no sorteio dos times para a Copa do Mundo, na paz entre os homens, na Mulher Perfeita... Como?

Mas espere!!!!

Talvez ainda exista alguma esperança...

Se der certo, é claro. Tente comigo. Encha os pulmões e sussurre: Suuuuuuflair...

PS: Alguém quer um Laka?


Certos dias...
OBS: Texto baseado em comercial de margarina

Há dias em que as coisas parecem mais difíceis. Nesses dias as decisões se amontoam e perdem o sentido. Um verdadeiro inferno de Dante.

Há dias em que uma nostalgia imensa nos invade, não sabemos de onde vem, e nem a que vem. Nesses dias, respirar é penoso. Discernir fatos e acontecimentos é perigoso. Mas mesmo assim seguimos impassíveis, incoerentes...

Há dias em que, duvidando de tudo, não confiamos em nada. Prosseguimos insensíveis, quase cegos. Nesses dias nos colocamos como meros espectadores da vida. Ficamos do lado de fora. Difícil definir; impossível explicar.

Há dias em que nos sentimos como seres centenários, cheios de sabedoria... Nesses dias olhamos complacentes para os outros.

E, ainda,

Há dias em que simplesmente não conseguimos seguir em frente. Nesses dias melhor estendermos a mão e nos deixarmos conduzir.

Mas...

Há dias em que a alma, sem razão nem porquê, explode de alegria. Nos faz sonhar. As cores pincelam tudo com seus tons mais vibrantes e um turbilhão de emoções nos abraça e nos invade. Tudo parece com um comercial de margarina... Pessoas felizes, correndo pelo parque e se abraçando com amor...

Nesses dias e só por eles...Viver vale a pena.

Ps: Comi Becel ® (Rica em Carbohidratos) hoje pela manha... Sera que foi isso?


Agradecimentos

Para meus fieis leitores, mas os infieis também podem se sentir inclusos...

Em primeiro lugar, gostaria de agradecer as mais de 5600 visitas em meu blog...

Vendo esse numero de pessoas, fiquei pensando...

E quando penso, isso significa dinheiro, sim dinheiro...

Dinheiro que sai do meu bolso e entra no bolso da minha querida psicologa...

Foram gastas algumas sessões para discutir e entender o numero de visitas em relacao ao conteudo do blog...

Realmente muiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiito obrigado!

Quando voces morrerem e forem para o céu, Deus vai visitar o blog de voceis....

A vida continua...

Termino com Clarice Lispector, escritora essa que eu achei que nunca iria entender. Terminei me apaixonando pelo seu trabalho...

"Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo."


Só um bombom...

- Aquela desgraçada só pode estar querendo me deixar louco.

- Calma André. Não vai ficar assim por causa daquela babaca.

- Não é possível. Ela só pode estar brincando com a minha cara.

- Não é pra falar que eu te avisei mas eu avisei.

- Mas com ela era tão diferente. Ai como eu sou um idiota mesmo. Em pensar que acreditei que pudesse até dar casamento.

- Até queria que você estivesse certo. Mas elas sempre fazem esse tipo de coisa. Você lembra do meu caso com a Juliana né.

- Lembro!

- E com a Marcia.

- Sim, sim.

- E com a Paula, a Adriana e com aquela mina que ficava doida quando eu transava com um pé de meia social.

- Tá, tá, tá. Não precisa me relembrar todas suas aventuras sexuais.

- Desculpa. É que eu não me controlo.

- Porra, com ela tudo foi melhor. Tudo certo. Não foi a toa que eu falei pela primeira vez "Eu te amo".

- Primeira vez? Jura?

- Mais ou menos, primeira vez depois de 4 anos

- Mas e todas aquelas vezes com aquela outra mina.

- Com a "Moranguinho" não conta. Eu só falava por que ela sempre me dava orgasmos multiplos. Era muito pivete para pensar em algo serio.

- Ah bom.

- Mas dessa vez não. Falei mesmo.

- Ai e a "Morango". Por que terminou mesmo?

- Ela nunca aprendeu meu nome.

- Mas não dava pra dar um pouco mais de tempo pra ela?

- Eu tentei por seis meses. O que mais você queria???

- OK! OK! Mas é que ela era tão...tão...

- Chega. Só me faltava essa agora. Eu com um problemão e voce falando da "Moranguinho"

- OK, desculpe.

- Mas então. A noite foi ótima. Ela estava linda, apliques no cabelo, maquiagem perfeita e aquela blusinha que realçava a cor dos olhos. Fui cavalheiro, abri a porta do carro, servi vinho e dei o lado de dentro da calçada para ela andar. Especialmente romântico. Até a Lua que estava cheia parecia ter sido encomendada por ela pra deixar a noite mais mágica.

- Mas o que deu errado?

- Bem. É melhor perguntar o que deu certo. Depois da sobremesa ela nem quis tomar o café abitual, segurou minha mão e ficou olhando fundo nos meus olhos. Me disse como eu era impiortante, e como nunca tinha admirado tanto um outro homem.

- Ok. Mas até aí estava tudo perfeito.

- Sim. Mas eu envolvido por tudo isso não me aguentei a acabei falando as famosas três palavras.

- Vamos dar uma?

- Não sua besta. Eu te amo.

- Eu também te amo André. Mas o que você falou pra ela?

- Não você. Falei que eu amava ELA!

- Você não me ama. E eu pensando que éramos melhores amigos! Depois de anos de amizade...

- PÁRA! PÁRA! PÁRA COM A VIADAGEM! É que estou falando de outra coisa. Afinal dá pra ter um pouco mais de foco em mim por favor.

- Tá bom, tá bom. Desculpa.

- Voltando ao meu problema. Depois de ter falado que a amava, acabei pedindo ela em casamento e você sabe o que ela me falou?

- O que?

- Obrigado.

- De nada. Mas o que ela falou?

- ELA DISSE OBRIGADO. Presta atenção. Eu disse "eu te amo, casa comigo" e ao invés dela falar "eu também e sim" ela me agradeceu.

- Noooooossa. Que biscate. Como é F.D.P. E o que você fez?

- O que eu fiz? O que eu podia. Meu reflexo foi sair de lá na hora. A merda do restaurante era longe da casa dela

- Então. Dai você fez o que?

- Bem. O que pude. Paguei a conta e levei a infeliz pra casa.

- E depois disso? Vocês se falaram?

- Ela me ligou no telefone mas não atendi. Daí hoje ele me deixou um presente na porta da clinica. Um bombom. Você vê que cara de pau. Além de tudo ainda é mesquinha. Não me trouxe nem uma caixa.

- Si fudeu! Não tem jeito. Parece que não é dessa vez . Bem, agora tenho que ir. Vou almoçar com uma mina que conheci no ponto de ônibus hoje, uma gracinha. Mas não fica assim. Ela vai pagar por isso. Vou falar com aquela minha prima do terreiro e teremos sua vingança.

- OK... Valeu...

- Falow! Bom, bola pra frente! Posso levar o bombom?

- Não força né!!!!

- Não custa tentar né....Vai saber, você tá com raiva dela...

- Tchau...

Doze dias depois André não agüentando mais remoer os fatos e xingar sua ex-amada teve que apelar ao bombom. Nada melhor que chocolate para curar dor de amor. Ao abrir a embalagem se surpreendeu e encontrou a seguinte mensagem:

" Dé, me desculpe por ser ruim com as palavras. Essa foi a maneira de te dizer que te amo. E que quero casar com você! "


Aforismo do dia!

* Um grande sábio chinês disse, um dia, uma coisa em mandarim que eu não entendi. Não falo mandarim *

PS: Aforismo é a mais nova palavra do meu vocabulario....


Só uma pergunta......

Se você fosse um gato o que vc faria se tivesse:

1. tempo sobrando
2. uma faca afiada
3. uma laranja verde
4. uma máquina fotográfica

heim ???? heim ????




Sem palavras

Era uma festa à fantasia, a mais original ganhava um prêmio especial. Lá Caio e Adriana se conheceram. Caio pensou em que poderia ir vestido e acabou fazendo uma fantasia de um ¿orelhão¿, afinal adorava conversar com todo mundo. Se vestiu todo de azul, montou um telefone com uma coberturinha laranja nas costas e saiu falando para todos: ¿liguem para mim!¿. Do outro lado da festa estava Adriana, abafando com sua fantasia que achava que era original, com um tubinho azul e um ¿orelhão¿ nas costas ouvindo dezenas de ¿me dá seu telefone¿. Quando se encontraram não acreditaram na coincidência. 2 ¿orelhões¿ na mesma festa? ¿É que eu gosto muito de conversar¿ Adriana se justificou. Foi uma empatia imediata. Ambos perderam em originalidade, derrotados por um ornitorrinco de cuecas e suspensórios, mas passaram a festa inteira conversando, melhor que qualquer prêmio especial.

Assim seguiu o relacionamento entre eles. Intermináveis conversas. Eram os primeiros a chegarem e os últimos a saírem. Falavam sobre relacionamentos, sobre política, sobre filosofia, sobre infância, sobre religião, sobre artes e Adriana ainda esbanjava conhecimento sobre futebol. Quando os dois disparavam a falar não havia quem conseguisse encerrar a discussão. Muitos tentaram acompanhar, mas aqueles que não tinham assunto o suficiente logo desistiam, e aqueles cheios de cultura não possuíam resistência física nem corda vocal para resistir até o fim da conversa. Sempre sobravam apenas os dois na mesa.

Logo se tornaram inseparáveis. Começaram a namorar. Eram constantemente vaiados no cinema por não pararem de falar. Passavam noites em claro discutindo questões metafísicas. O sexo era bom, mas os embates sobre o feminismo e o orgasmo eram geralmente melhores e mais demorados. Sempre tinham uma teoria diferente para cada aspecto. Metade do salário de Caio era para pagar sua conta telefônica, e antes que falisse resolveram morar juntos.

Dormiam todos os dias depois das 2 da manhã, conversando abraçadinhos na cama até que o sono derrotasse o assunto. Era de praxe se atrasarem no trabalho por ficarem conversando demais no café da manhã, afinal com o sono derrotado, poderiam terminar a discussão, esta aparentemente interminável. Tanto coisa para falar para tão pouco tempo. Acabaram se casando. O Padre teve que brigar com os noivos para que parassem de cochichar durante o próprio casamento.

Durante anos conversaram, dialogaram, discutiram, comunicaram, trocaram idéias, desabafaram, discorreram, palestraram, argumentaram, alegaram e foram felizes.

Um dia Caio acordou e percebeu que não havia mais o que ser dito. Tudo que ele gostaria de dizer já o tinha feito. Sorriu para a mulher, abraçou-a ternamente e simplesmente emudeceu.

Adriana em nada estranhou o silêncio de seu companheiro. Entendia e sentia a mesma coisa. Acompanhou seu silêncio e seu sorriso, retribuindo o abraço com um delicado beijo.

Assim, com um sorriso no rosto, continuaram em silêncio para o resto de suas vidas. Afinal, palavras já não eram mais necessárias.


Cueca

Engraçado reparar nessas coisas, mas foi inevitável. Estava eu na minha psicologa quando inventei de ler alguma coisa, já que a sessãoestava atrasada. Dentro das múltiplas escolhas que eu tinha, peguei a porcaria da revista Cláudia, eu acho; ou era a revista NOVA . . . Fui então ler alguma coisa pra distrair a cabeça e não pensar na "vida como ela é". Impressionante o que a gente encontra nestas revistas, por exemplo, você sabia que 67% das mulheres não aprovam as cuecas com estilo shortinho (êta palavrinha ruim de escrever) ¿Carla Perez¿? No momento em que eu li, eu tive um choque, afinal, o que seria uma cueca estilo shortinho ¿Carla Perez¿?

Passado o episódio da analise eu comecei a pensar além da ¿Carla Perez¿ e imaginar porque cargas d¿agua a maioria das cuecas têm que vir com uma droga de uma estampa ou etiqueta G-I-G-A-N-T-E da marca bem no front de ataque. Afinal, trata-se de um momento íntimo, imagina você em pé com suas calças sendo descidas lentamente, o tesão vai aumentando até que aquela coisa enorme - estou falando da marca da cueca - aparece na frente da moça; cara-a-cara com aquele desenho ridículo ela começa a rir, e você, ainda constrangido, sobe as calças, sai correndo e nunca mais liga pra ela. Fica pensando, imaginando - durante dias - quem foi que, por Deus do céu, inventou de colocar aquela ¿joça¿ bem ali na frente, mas atenção, isso só acontece em um estágio avançado da conciência sobre a cueca que você veste, caso contrário você vai ficar pensando e imaginando - durante dias - que sua preformance ou fisiologia não foram tão bem quanto você imaginava.

O mais engraçado é que apesar de toda essa possibilidade, nós homens não damos muita atenção para esse tipo de vestimenta e pouco ligamos. A praticidade impera na mente masculina, coisas do tipo: ¿vou tirar mesmo, quem liga?¿, ou ¿vai ser no escuro, ela não vai ver ...¿ . Deste pensamento troglodita surgem as cuecas roxas, as furadas, sem elástico, sem estilo, passando longe de qualquer coisa atraente para as mulheres, pelo que li na revista. Na verdade, quem lê esse tipo de publicação percebe que existe um discurso muito além das entrelinhas que põe em cheque a utilidade masculina e a atração feminina por nós, exemplos de insensibilidade e truculência. Homem não sabe se vestir, não sabe o que elas querem, não sabe de nada.


Apenas Uma Suposição

-Filho, o que você está fazendo?

-Desculpa, pai ... eu posso explicar ...

-Espero que sim ...

-Esse pôster do Bro¿z, não está colado no espelho do banheiro a toa ...

-Sim...

-E eu não estou fazendo isso no meu cabel...

-Que cabelo?

-Poxa, pai ... Não fala assim. Tem pouco em cima, mas ainda tem cabelo! Ta ficando parecido com o cara do pôster, olha lá! ¿Pans"! Tudo despenteado.

-Certo ... E esse monte de creme, esses brincos em cima da pia ...

-É piercing, pai. Não é brinco.

-Hmm. E desde quando você começou a gostar dessas coisas ?

-Não gosto ...

-Pois é ... acho que você fez a barba umas 4 vezes nesse milênio.

-É ... mas tenho que mudar ... Só assim vou me dar bem dessa vez!.

-Como assim ?

-É pai ... Não tá vendo que desde que eu comecei a querer a mulher perfeita eu só me ferrei.

-É ... mais ou menos ... você tem um monte de mulher no pé, não?

-Tenho, tenho sim!

-Então ...

-É ... mas pra ser levado a sério de verdade, eu tenho que parecer um Bro¿z!

-E aquela história toda de estudar, trabalhar, ser alguem... De que gente que se preocupa muito com aparência não tem conteúdo ... De fazer a clinica andar, ter um futuro promissor e tal ...

-Então pai ... Isso eu já tenho! Mas eu tenho que assumir minha heterosexualidade, vou ter que virar um Bro¿z! Só assim acho a mulher perfeita!

-Como assim ¿assumir¿?!

-É pai! Pensa bem! Não é fácil assumir isso, hoje em dia. Hétero que não é quem nem o Bro¿z nao é hetero, então ... Putz! Não vou passar de solteirão pro resto da vida!

-Mas filho ... Não entendo como esse penteado, brinco, quer dizer, piercing, que mais ...

-Depilação definitiva do peito, pernas e axila, olha só que lisinho! Passa mão!

-Heim!? Depilação definitiva?!

-É pai! Profissional! Isso representa praticamente um charme para as muheres!

-Mas ...

-É assim: quem nem os Bro¿z, eu vou virar ¿Hype¿. Quando você é ¿Hype¿, você é legal. Aí você vai nas baladas da moda, faz social. Bebe muito. Fuma uns cigarros esquisitos, toma umas pilulas sem estar doente ... Batata! Daqui a pouco serei alguem feliz com minha mulher perfeita!

-Peraí!

-É ! Verdade!

-Não, não. E os seus amigos? Que pensam disso?

-Então ... nao disse nada a ninguem ainda. Eles são tão gente boa que até parecem um Bro¿z.

-Então!

-Mas são outros tempos, pai! Pensa bem! Com as mulheres de hoje e seus métodos de seleção, um Luciano Hulk ou Gianechine teriam chances de se dar bem com essa mulherada? Sem se parecer um Bro'z?

-...

-Então! Se eu não parecer um Bro¿z, não vou poder me dar bem

-Sei ...

-Vou ter que ser arrogante também ... Meio metido, sem comprimentar ninguém que interesse, sabe?

-Não!

-É ... pai! ¿Fala sééério¿ (agora tenho que usar expressões da moda, também), você já viu gente legal e educada se dar bem.

-Claro!

-Mas sempre levam pé na bunda. Nesses tempos, os homens tem que ser que nem o Bro'z. Não tem mais homem normal, que nem gente comum. Tem que ser ¿diferente¿. Não tem nada a ver com conteudo, educacao ou beleza. Tem que ¿chocar¿!

-Vira galinha, então!

-Pai! ¿Você não tá entendendo¿!

-Olha, filho! Você já é bem grande, e sabe muito bem o que é bom pra você. Só não esquece do que te ensinamos aqui em casa.

-Não, pai ! Fica tranqullo! Eu vou continuar a ser normal quando não sair. Isso vai ser só nas baladas.

-Sei não.

-É sim, e além disso (interrompendo a frase) ¿Pega meu esmalte em cima da minha escrivaninha¿ (voltando ao raciocínio), além disso ...

-Esmalte?!

-É pai !

-A filho! Pelo amor de Deus!

-Que foi, gato!

-Gato!?

-Xi ... o Velho surtou! Abalei!

-Ah, moleque, vem aqui que eu vou te mostrar quem vai ficar abalado!


SEXTO SENTIDO - O Filme

Mais uma conquista pessoal...

- André !?!?!?!
- Oi ?
- Não olha agora, mas sua ex esta vindo nessa direção !
- Jura?
- Serio...

Nesse momento fiquei congelado, esperando a minha própria reação. Não sabia como irira reagir quando a olhasse... Foi como alguém esperando um derrame ou um ataque fulminante... Foram longos segundos

Eis então que chega a amazona do apocalipse.... Fiquei quieto esperando tocar as trobetas do inferno...

- Oi
- Oi (Apenas um leve beijo no rosto)

Passaram-se assuntos fúteis de uma conversa entre um grupo de pouca intimidade.

- Tchau
- Tchau...

Ali me dei conta! Não aconteceu nada! Nada.... Nenhuma trombeta tocou!
O mundo não caiu! Meu coração não palpitou! Minhas pernas não fraquejaram....
Até aquele frio na espinha, cadê? Nenhum arrepio....
Nada...

Então hoje sentei e resolvi escrever sobre isso e me dei conta que poderia destruir com poucas palavras aquela pessoa que um dia amei intensamente, aquela que um dia julguei ser a minha MULHER PERFEITA.

Bom, isso não é sobre ela, nem para ela... É um texto para todos, para mostrar que amor não se compra, não se descarta... Ele é biodegradável, se você não cuida ele acaba e você nunca mais consegue adquirir e muito menos comprar outro igual...

Quanto ao titulo da crônica eu explico....

Assim que ela saiu de perto eu disse:

- I see dead people....


Que tal um guia?

O entendimento entre mulheres e homens já é dificil demais para ficarmos parados sem fazer nada. Então estou fazendo minha parte.

Dicas para as mulheres entender melhor os homens.

Podemos começar pelo básico seguindo para as questões mais complicadas que envolvem sexo, a falta dele até chegar ao vaso sanitário.

- Homens por sua natureza falam a verdade. Não são bons para mentir. Se mentem é pra agradar as mulheres.

- A afirmativa acima só servem para homens que levam suas respectivas a sério. Não se iluda, se ele te leva a sério você sabe disso.

- Quando homens dizem sim eles querem dizer sim.Ou melhor ainda, deixando isto mais claro. Homem fala o que realmente deseja. Simples assim. Você pergunta ele responde. Se ele não te responder é por que realmente não sabe.

- Homens são burros, tem memória falha e raciocínio lento. Não esperem que eles adivinhem coisas, lembrem-se ou mesmo cheguem a alguma conclusão. Se faça clara.

- Homens tem ciúmes sim. De qualquer um. Ele melhor do que você conhece sua própria raça. Por isso se quer evitar atritos não dê espaço pra nenhum homem fora o seu. Mesmo que pra você não signifique nada.

- Homem odeia seus ex-namorados. Pelo simples motivo destes terem chegado antes. Evite-os.

- Homem não gosta de ex-namoradas. Se gostasse não seria ex.

- Homem odeia namorado de ex-namorada. Por motivos óbvios.

- Homem gosta de esportes. Seja lá qual for. Futebol, basquete, rodeio ou Formula 1. Isto tem uma grande importância pra ele. Portanto não atrapalhe, não desmereça nem desrespeite.

- Homem gostam de sexo. Ás vezes sabem fazê-lo. Mas nunca do jeito EXATO que vocês esperam. Saibam que vocês são muito diferentes umas das outras. Nem sempre o que funciona com uma funciona com outra.

- Gostam de peitos, bunda e periquita. Ás vezes sabem que existe mais do que isso. Mas mesmo quando sabem demoram um tempo para coordenar tempo, modo e localização.

- Homens sempre "dão no couro". Ás vezes não. ( não que tenha acontecido comigo). Eles sempre negam e sempre negarão. Por isso, finja que nada aconteceu.

- Sim, todos fantasiam com um menage-a-trois. De preferência com duas bissexuais que interajam entre si e com ele. Não há explicação para essa fantasia. Como alguém pode não gostar?

- Homens são diferentes. Por isso uma ou outra dessas dicas podem não se aplicar ao seu homem. Mas funcionam em geral.

- Se decidam: vocês querem que a gente levante a tampa antes de usar ou abaixe depois?


Pensando em você

De manhã, não tomo café...
Porque fico pensando em você.

Ao meio dia, não almoço...
Porque fico pensando em você.

Não janto...
Porque fico pensando em você.

E... De noite não durmo...
Porque to morrendo de fome...

PS: Hoje acordei com humor negro! Risos


Verdades inteiras

Um casal dançando numa pista da melhor balada da cidade. Ela, linda, saltitante, com a roupa da moda e adorando tudo que vê pela frente. Ele, normal, dançando ¿socialmente¿, também com a roupa da moda, mas visivelmente deslocado.

ELA : Dé ! Uhú, isso é tão cool!

ELE : Beleza ...

ELA : Yeah! Show ! Isso não é demais!?

ELE : Não.

ELA : Sério que você não curte esses caras!? De que planeta você veio?

ELE : Do mesmo que o seu. Chama: Terra.

ELA : Para Déco! Olha só o cara ... Todo sinistro.

ELE : Sinistro é o passado dele, infeliz.

ELA : Ai ... Vai me dizer que você não gosta nem um pouquinho?

ELE : Um pouco.

ELA : Sério?!

ELE : É.

ELA : Nossa! Sério mesmo?

ELE : Não, só falei que sim pra ver se você calava a boca. Deu errado.

ELA : Meu, na boa! Sente essa ¿vibe¿ ...

ELE : Ok. Senti. Posso ir embora ?

ELA : Ai, deixa de ser chato! Você não curte ficar dançando, sem se preocupar com nada, colocando toda sua energia negativa pra fora?

ELE : A única coisa que consigo pensar quando tento dançar é : ¿Onde eu coloco meus braços? Por favor, me tirem daqui!¿

ELA : Ah, imagina! Eu adoro sair pra dançar.

ELE : Se você gostasse mesmo disso, não usava um salto desse tamanho, uma saia que não te deixa dar meio passo pro lado e esse decote que me remete a explosão da bomba de Hiroshima.

ELA : Ah, vai dizer que você tá com ciúme.

ELE : Não é bem esse o sentimento. Se pudesse, enfiaria meu rosto entre seus seios e ficaria assoprando pra fazer esse barulho, ó : Prúúúúúúúúúú !

ELA : Que comédia ! Té parece?

ELE : Esse é o único motivo para um homem como eu suportar uma situação dessas. Pode perguntar pra qualquer um aqui. Quer quer eu pergunte?

ELA : Você é tão engraçado.

ELE : O nome é : palhaço.

ELA : Ai, ai, viu?

ELE : Ai, ai, mesmo ...

ELA : Nossa, olha essa música que começou a tocar agora! É demais! Adoro flash !

ELE : Na época que isso tocava de verdade, você achava um lixo, agora que é moda ...

ELA : Ah, deixa de ser implicante ... Na época eu era boba.

ELE : Pra você ver, até o câncer evolui ...

ELA : Meu ... do que você tá me chamando?

ELE : Boba. Mas é que eu sou educado.

ELA : Que engraçado! Quem vê até pensa que você tá falando sério!

ELE : Pra você ver como as pessoas não estão acostumadas com a verdade.

ELA : Então, meu pé tá doendo vamos pegar uma cerveja?

ELE : Pé ... cerveja, o que uma coisa tem a ver com a outra? Vamos, claro!

E assim eles foram tomar uma cerveja, conversar mais um pouco. Enfim ...


Dicas para viver bem

Não adianta você ser um namorado, noivo ou marido fiel, honesto, sensível e trabalhador. Sua namorada, noiva ou esposa vai sempre querer que você seja também um cara que não repare em nenhuma outra mulher. Ela não vai entender que mesmo que você esteja disposto a não pegar mais nenhuma garota que não ela, ainda está programado biologicamente para querer cruzar com outras milhares de mulheres. Não importa a ela que seu corpo reaja involuntariamente ao cheiro e à visão de outra fêmea, nem que você continue produzindo espermatozóides suficientes para inseminar toda a população feminina do planeta. Sua mulher vai achar que você não pode nem olhar para outra, mesmo que em revistas masculinas (e se bobear, nem a capa da Marie Claire você pode olhar por mais de cinco segundos). Para preservar sua relação com essa moça a quem você, num grande ato de renúncia aos instintos, resolveu prometer ser fiel, é preciso aprender alguns truques e continuar em paz com sua mente masculina.

Quando você estiver caminhando com ela pela rua e passar uma daquelas mulheres que são impossíveis de ignorar e você perceber que não vai resistir e acabará virando o pescoço para contemplar aquelas formas, não tema. Chegue para sua companhia e diga: ¿Amor, veja que roupa legal que aquela moça está usando! Você gostaria de uma igual?¿. Com isso, ela vai olhar para a tal fêmea e nem vai se tocar para o fato de você estar descaradamente varrendo seu corpo com os olhos. E sua namorada ainda vai achar você tem planos de comprar-lhe uma roupa nova. Se for o caso, até compre.

Se um dia você for flagrado com uma Playboy na mochila ou dando bobeira na gaveta, fale imediatamente que está lendo a entrevista ou alguma reportagem especial da edição. Esse truque é usado há anos e passado de pais para filhos geração após geração. E para manter a revista contigo, jamais se refira a ela como ¿a Playboy da Juliana Paes¿ e sim como ¿Aquela Playboy que tem a matéria com os 100 melhores discos de rock¿. No caso de você comprar uma revista antiga, como a Playboy da Andrea Veiga ou da Kátia Maranhão, por exemplo, vá logo mostrando a revista rindo bastante e dizendo que foi pelo saudosismo da época e a convide, inclusive, para ver junto contigo. Depois você poderá ver várias vezes sozinho, que é como deve ser apreciada uma revista desse tipo.

No caso dos sites pornográficos o melhor é apagar todos as pegadas sujas que você deixou no computador. Para isso, vá em ¿ferramentas/opções da internet/geral¿ e clique em ¿excluir arquivos¿ e ¿limpar histórico¿, além de apagar os últimos registros em ¿temporary internet files¿. Mas se você cometer um descuido nessa tarefa ou for flagrado navegando alegremente por sites com conteúdo impróprio e sua mulher perguntar o que você estava fazendo em ¿sites de sacanagem¿, repreenda-a com vigor: ¿Sites de sacanagem, não! São sites de pessoas fazendo amor!¿. Isso pode deixá-la aturdida de início, pois ela nunca pensou sobre esses sites com essa perspectiva. Em seguida, seja rápido e fale algo como ¿Eu estava tentando aprender novas posições para nós. Para lhe dar mais prazer¿. Se ela não for do tipo sensível e romântico, diga que estava fiscalizando esses sites para ver se nenhum deles apresentava fotos de pedofilia, pois você está disposto a fazer denúncias depois que viu uma enojante reportagem sobre o assunto. Pode colar.

Outra boa medida é não se lembrar do nome de suas colegas de trabalho, muito menos de de estagiárias. Se você estiver na faculdade, não lembre o nome de calouras. Assim, quando for contar alguma coisa que aconteceu no seu dia, não use o nome dessas meninas, pois sua namorada pode achar estranho você não guardar os nomes das tias dela mas saber nome e sobrenome de mocinhas que acabaram de chegar ao seu trabalho ou à universidade. E quando for a vez de sua mulher contar algum caso envolvendo uma amiga dela, jamais pergunte algo como ¿A Jussara é aquela morena de seios médios e firmes, com lábios carnudos?¿. Tente se lembrar de algum comentário negativo que ela já tenha feito e reformule cuidadosamente a frase em sua mente: ¿A Jussara é aquela que reclama de celulite e nunca consegue firmar namoro com ninguém, né?¿. É por aí.


A Volta

É sempre bom ir. Tudo é muito novo. Pessoas diferentes, lugares desconhecidos, comida exótica ou não. Ir é um grande fator de motivação, as pessoas se deixam levar por ele e simplesmente vão. As vezes de uma hora para outra. Não avisam ou avisam até demais, como se quisessem que as segurássemos para não irem, mas acabam indo, partindo, sorrindo. Felizes e ansiosas, com ou sem destino, seguindo uma linha, ou andando torto, vai saber. Nem todo mundo se planeja e anarquia de espírito é bom, em certos casos.

Ficar também é tão bom quanto, ou melhor. Estabelecer uma nova vida, conquistar amigos, amores, desafetos e inimigos, estes sempre estão por aí, pensamos nós. Uma casa, um apartamento, uma fazenda, uma ponte, um lugar que é nosso. De direito ou não. Mas isso é tão relativo. Eu antes não era de ficar muito, hoje já me acostumei. Acho que faz parte do crescimento, amadurecimento, envelhecimento... preguiça, sempre perseguindo. Como pode ela estar sempre disposta? Um paradoxo que busca explicação espontaneamente, e não acha.

Mas o grande mistério está realmente em voltar. Interessante. Para que ir, ficar e voltar. Que ciclo perverso é esse? Afinal se ir e ficar são tão bons, eles não precisariam do voltar. São auto-suficientes. Além do mais o voltar só serve para interromper uma coisa boa, ele é o final, o término, sucumbindo em profunda tristeza. Será? Talvez não. Em algum momento todos nós voltamos, nem sempre de corpo, mas muitas vezes de alma. Essa o mundo não consegue segurar, ela transcende o concreto. Novidade.

Devo estar errado então, o voltar deve ter sua importância, seu papel, sua deixa. Alguma missão. Se eu pudesse adivinhar, eu seria otimista. Eu diria que ela é a mais importante do ciclo. A essência, o centro da questão. O voltar é que nos possibilita o novo ir e o novo ficar, ele é o fim e o começo simultaneamente. Nos trás de volta e nos leva além.

É bom estar de volta.



Todo dia

Todo dia acordo e tenho mais uma chance. Tenho mais uma oportunidade. Mas penso.

Todo dia. Levanto, escovo meus dentes inundado de planos, discursos, telefonemas e. Melancolia. Mas já?

O desânimo é o inimigo direto da ação. Todo dia ele me lembra disso.

Não sei se é uma benção ou uma maldição. Todo dia eu acordo de novo. Tudo se repete.

Juro que sei que é incompetência o amanhã. Mas como posso jurar se não tenho competência nem de cumprir a noite o que prometi pela manhã.

Viver dia após dia é morrer. Quero viver cada dia de uma vez.

Todo dia acordo e consigo fazer disso uma tortura.

Como posso desperdiçar tantas chances.

De manhã o objetivo. De noite a decepção.

Um dia não acordamos mais. E pior do que viver dia após dia é dormir em eterno sono conturbado.

Toda noite eu prometo. Toda noite não vai continuar a mesma. Toda noite vai ser a última.

Toda noite eu durmo sem saber se vou acordar. Isso me apavora. Não por não acordar, mas por não ter dormido tranqüilo.

Mas amanhã será outro dia. E depende de mim. Posso acordar. Ou posso acordar.

Eu prefiro acordar.


Sei

Sei que disse que perdeu o interesse, que não sente mais o mesmo.

Sei que quando estive doente, na cama do hospital, no momento em que sentia aquela dor indescritível, eu só gostaria de segurar sua mão e sentir você do meu lado. Os médicos me entupiam de morfina que simplesmente me fazia viajar em algo irreal. Chequei a falar seu nome varias vezes...

Sei que nesse momento você estava com seus amigos, curtindo a noite, porque diz não estar preparada para o tamanho do meu amor por você. Naquelas noites de dor, quando só pensei em seu colo, você estava preocupada em me esquecer. Desencanada pois não sentia mais...

Sei que quando entrei em cirurgia, tremendo de medo, queria gritar e simplesmente não conseguia. Queria chorar, mas não tinha ninguém para enxugar minhas lagrimas e dizer: - Calma tudo vai ficar bem... Eu te amo...

Sei que quando falou comigo e disse que iria ligar depois, fiquei horas, dias acordado, esperando um toque no telefone, que nunca veio...

Sei que trabalhando no meu computador, achei a primeira foto que tirei de você, meu coração palpitou e o chão sumiu... Pensei ali, naquele momento, que era você a mulher da minha vida...

Sei que quero você, mas já não sei se é certo comigo...


Cartas de Amor

Sempre escrevi muitas cartas de amor. Que coisa mais triste de admitir. Mas a verdade tem que ser dita, como diz minha avó: Dona Tereza. Estou aqui para descobrir porque, diabos, eu escrevo tantas cartas. Não que eu tenha tentado, na verdade eu jamais peguei na caneta pensando nisto. Talvez, por isso acontece. Agora é tudo computadorizado, tudo eletrônico, nada de carta tudo via e-mail. Somente aumentou a quantidade de cartas.

Mea culpa por não me envolver muito ou ficar me protegendo, será? Oportunidades eu acho que já tive algumas, mas não é por esse motivo que escreveria uma carta como esta. É preciso esperar "O" momento, trazer com ele toda a paixão e glamour de escrever, literalmente, a tal carta. E imagino que tudo isso culmine em uma grande felicidade de quem a receba. Seja um e-mail, uma carta de amor. Fico imaginando se consigo tocar o coração da pessoa amada.

É difícil para mim, uma pessoa que prioriza o contato pessoal, delegar "ações" a outras maneiras de expressão como a escrita e, o que é mais complexo e paradoxal, sentir-se tímido em certas ocasiões inter-pessoais - tão complexo e prolíxo quanto esta oração. Mas tudo isso pode ser trabalhado com o minha psicóloga, mais tarde.

Muito dessa lacuna pode ser entendida quando você pára, realmente, para escrever e percebe que só consegue escrever frases feitas ou coisas bregas. E o pior dos mundos é se achar brega, acredite. Muitos já falaram sobre amar e ser amado, e a breguice que é o amor. O amor é assim: brega.

E saber disso tudo não ajuda muito a escrever as cartas porque as coisas continuam soando brega e sem sentido. Soam como um sentimento falso, cinematográfico, coisa de novela das seis. Nada parece autêntico o suficiente. Dizer, te amo, parece uma expressão comum, banalizada por romances e bobas histórias que mataram a frase e esvaziaram seu significado. Se conseguisse ao menos começar, eu escreveria sobre fraternidade, sobre perdas e ganhos, coisas menos emblemáticas mas que fizessem sentido para a destinatária.

Pra ser sincero, toda esta breguice misturada com a cafonice nunca me atraíram e sempre me jogaram contra esta realidade do amor. Procurando, sempre, alguém para quem eu não precisasse escrever ou dizer estas coisas de amor, que sentisse por mim com a mesma ou maior intensidade o que lhe fosse dado. Ilusão. Coisa de cinema. Que tolo pensar assim.

Mas a verdade tem que ser dita e aí está, tal qual foi sendo inventada ao longo dos anos de existência de uma grande mente ausente. Talvez seja esta a minha ultima carta de amor.


Tudo que fiz e faço servirá de exemplo para aqueles que sonham em ser como sou:
Talvez Louco, Porém Feliz !!!





Fim de caso

- É mano, como dizem por aí, a bruxa ta solta.
- É verdade né. Não tá sobrando nenhum.
- É, o Flavião, o Carlinhos, Você , eu
- Eu desacostumei com essa vida de solteiro. Antes achava um tesão sair pra balada, não ter laços, sem lenço e sem documento.
- Isso até você passar a noite na cadeia por estar sem RG.
- Xiiiiuuuuu. Tem gente escutando. Não me lembra disso. Já bastam os meus problemas atuais.
- Ok. Mas e aí, você acha que não tem volta?
- Olha, ela veio com um papinho de que estava confusa, que nosso relacionamento não era mais o mesmo. Aquela empolgação acabou.
- È, já ouvi essa história.
- Então é verdade essa história toda?
- Não! É uma mentira deslavada.
- Como assim?
- Deslavada. Conversa fiada. Essa é velha. Feita pra não deixar ex-namorados com cara de bobo.
- ???
- Essa cara mesmo. Tu acha que isso tudo é verdade? É uma típica desculpa feminina, daquelas tão femininas que você não decifra nem com a Esfinge do lado. Coisa de mulher sabe...
- Eu acho que não cara. Eu namorei oito anos, 2 meses e 14 dias com ela. Acho que a conheço o bastante pra saber que ela não agiria desse modo.
- Você que sabe...
- O que?
- O que o que?
- O que o que o que?
- PARA! To ficando louco. A história é a seguinte cara, eu também namorei a Angelina mó cara e ela fez o que fez, e ainda com o Marco.
- Mas no seu caso foi diferente.
- Como assim diferente? O que você está querendo dizer?
- Bem...
- O que?
- O que que?
- PARA! Não começa de novo. Complete sua frase.
- Bem, acho que no seu caso as coisas não foram vistas com os olhos que deveriam ser...
- PARA, PARA, PARA! Seja claro. Parece uma bicha falando.
- Ok. No seu caso você foi um CORNO TROXA!
- Ei, como assim, como assim, como assim.
- Ah cara, numa boa, só você não viu que a Angelina era uma perversa.
- Mas como? Por que vocês não me avisaram? Por que não me contaram? Você não?
- Calma, calma, calma. A gente até tentou avisar mas você não ouvia ninguém. Só elogiava o carinho dela, como ela era na cama. O máximo que conseguimos de você foi inspiração para nossas fantasias.
- Humpf.
- Ela dava em cima do Flavião direto. Ele é muito camarada seu pois se quisesse tudo teria acontecido muito antes.
- Porra.
- É cara a vida é injusta. Mas relaxa que esse negócio de chifre é coisa que colocam na sua cabeça. HAHAHAHA.
- Vá se foder.
- Não desculpa. Isso não é hora de se zoar um amigo. Afinal você não tem com que se preocupar, seu carro tem teto alto mesmo. HAHAHAHAHA
- PARA! Senão te dou uma muca que você nem vai lembrar o que a Angelina fez.
- Ah...isso é difícil de esquecer. Afinal o Marco está sempre aí pra me lembrar. HAHAHAHA
- POW!
- Ai!
- Cala a boca agora!
- Não precisava ser ignorante. Era só pedir que eu parava.
- Humpf. Ok, sabichão ela não prestava mesmo.
- Relaxa cara a minha também não está muito longe
- É verdade né. HIHIHIH.
- O que?
- O que o que?
- O que o que o que?
- Ahhhh vai dizer que você não sabe que...


Convicto

Intenso. Até a última gota. Nem 8, nem 80. 800. Incansável, inatingível, inconsequente. Amado, admirado, elogiado e copiado. Odiado, criticado, escrachado e citado.

Está de passagem pela vida mas veio pra ficar na lembrança de cada um que cruze seu caminho. Seja o garotinho no elevador, a prostituta fingida ou o parceiro de noitada.

Sem essa de calma. A hora é agora e o lugar é aqui. Hora de dar o mundo e mostrar os piores defeitos. Sem dó. Sem amanhã. Só hoje. Mas pode repetir amanhã.

Pra que adiar pra vida o que se pode ter em um minuto. Em um minuto se fazem filhos, casas, escola, jantar, decoração, "quem busca você ou eu", "eu quero" "é melhor assim.".

Te gosto, te adoro, te amo. Tudo misturado, cada um há seu tempo no mesmo minuto. Case comigo e me dê um tempo. Agora.

Triste comendo sucrilhos, Puto saboreando a feijoada e feliz cortando a pizza.

Dê sua mão. Não pergunte por que. Não importa. Apenas dê. O arrependimento não existe quando se faz. O universo conspirou por isso.

Não existe erro. Saiba o que quer. Se acha que é não é. Saiba.

Vai ser ruim. Não vai tocar. Vai dar errado. Vai doer. Vai errar. E daí.

Se está bom , ruim, duvidoso, dificil, insuportável, maravilhoso quer dizer que se está ótimo. Na hora que só estiver bom você morreu.

Não. Não é teoria. Nem lição. Muito menos certo. Mas vem de uma convicção. Quantas temos a sorte de ter na vida.


"Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o que, com freqüência, poderíamos conquistar, por simples medo de arriscar."
William Shakespeare



Escolhas

...deitado no chão, assim como quem não quer nada, pergunto-me a importância do amor na minha vida e se precisasse fazer uma escolha entre minha realidade e o amor!

Poderia dizer que escolheria o amor, quase sempre acredito no amor, mas depois de certos acontecimentos eu estaria mentindo!

É muito difícil no meu momento fazer uma mulher uma prioridade na vida, principalmente quando muito já se viveu, amou, chorou, e sobreviveu!

Não quando o lado profissional tem um peso forte em quase todas as decisões importantes e quando foi ferrenha a luta para chegar onde cheguei.

No momento vejo que nunca me senti tão vazio, tão relevante diante da vida. Acreditei cegamente no amor, mas será que realmente fui amado? Nunca vi tamanha distancia, tamanho desafeto e falta de maturidade em uma só pessoa....

Abrir a mão de "tudo" para ir mais além.... Abrir mão de amigos e família não é um fardo, não significa sair de casa e esquecer dos amigos. É criar a sua personalidade e assumir diante de tudo e de todos o que realmente deseja pra você. É traçar uma meta de onde quer chegar e escolher o caminho....

Toda escolha envolve um ganho e uma perda... É como virar a esquerda ou a direita, não há como fazer os dois ao mesmo tempo...

Sinto, pois quando mais precisei, você simplesmente fugiu. Não é cobrança, pois tudo o que fiz, faria de novo, mesmo sabendo que teria o mesmo fim... Porque? Porque sei o que quero, sei o caminho que quero seguir.... Sei das minhas escolhas

Mas você.... Você não sabe fazer suas escolhas e pior, fala como se tivesse escolhido o melhor caminho também para mim, sim você também escolheu por mim... Pelo menos foi da maneira como colocou...

Se acredita que fez o que achava melhor para mim, se enganou, com certeza não foi melhor.... Com essa sua escolha meu vazio só se fez aumentar... A magoa somente cresceu... Uma dor insuportável, angustia delirante e ansiedade louca...

Foram esses os presentes que recebi de você, da sua escolha... Se diz pensando em nós, quando na verdade só pensou em você, jamais parando para pensar que algumas escolhas também cabiam a mim...

Assuma e diga: - Eu não quero... Não me diga que fulana acha que é melhor para mim, porque ela não me conhece, não sabe da minha dor...

Pelo menos assuma o que quer e não jogue suas escolhas para terceiros, lembre-se que eles não vão sofrer as conseqüências em seu lugar...

Pois a mim você escolheu perder...

E assim será, porque vou respeitar a única escolha que realmente você conseguiu fazer....


Um final feliz

Vera e Dora eram super amigas.

Daquelas que não tem nada a ver mas tem tudo a ver sabe.

Vera vivia falando para Dora para se soltar mais. Aproveitar as coisas da vida. Vera achava que Dora era muito submissa. E Dora sabia que era verdade. Mas não sabia é claro.

Vera era desbocada, determinada e prática. Por um acaso um pouco do que Dora queria ser. Já Dora era doce, meiga e boa. Um pouco do que Vera deveria ser.

Vera era de Cassio. Dora era de Flávio.

Cassio e Flávio sempre foram amigos.

Daqueles que eram mas não eram.

Cassio sempre insistia para que Flávio tomasse um rumo. Muito de leve mas insistia. Cassio achava que Flávio merecia uma chance. E Flávio parecia não aproveitar. Não aproveitava do jeito que Cassio queria pelo menos.

Cassio era culto, aplicado e bom. Um pouco do que Flávio deveria ser. Flávio era esperto, malandro e individualista. Um pouco do que Cassio depois descobriu que deveria ser.

Cassio era de Vera. Flávio era do mundo.

Depois de muito tempo em que Vera insistia para Dora largar de Flávio. "Esse fdp não presta" dizia ela delicadamente. Dora tomou a atitude. Ficou só mas não mais mal acompanhada.

Foi questão de tempo.

Dora conheceu esse carinha. Vera e Cassio aprovaram. Eles continuaram.

Foi questão de tempo.

Vera conheceu Flávio. Mais do que devia. Algo esperado por parte de Flávio, mas não menos revoltante. Cassio ofereceu a mão e Flávio pegou a mulher. Atitude de homem isso não é. Uma surpresa por parte de Vera. Quer dizer ela não parecia ser dessas. Mas parecia. Ela não parecia gostar de Flávio. Mas parecia.

Cassio ficou arrasado. Perdeu a mulher e o amigo numa tacada só. E ele pra variar não é o tipo de pessoa que merece ess tipo de coisa. O mundo realmente é injusto.

Foi questão de tempo.

Um dia Dora não se entendeu com o carinha mais. Eles eram perfeitos um pro outro. Mas não eram. Ela não era o tipo de pessoa que merecia isso. O mundo é injusto.

Foi questão de tempo.

Finalmente, Dora era de Cássio.

Moral da história: O mundo não é injusto, só tem caminhos estranhos.

PS: E o carinha? Ele conheceu uma garotinha. Eles não pareciam. Mas pareciam. Mas isso é uma outra história.


Inversão de Valores

É notória, em nossos dias, uma mudança brusca e acentuada no real comportamento social. Pessoas, estas mais atentas ao que passa aos seus redores, se dizem abismadas com a falta de ideais e atitudes nos meios sociais, os quais participamos e convivemos diariamente, mesmo que os não percebamos. As ações, o instinto da criação, a mobilização para o bem comum, a crítica que nos ajuda a chegar nos estágios supremos da intelectualidade, estão a chegar, em muitos casos, em estados catalépticos.

Naturalmente, grandes eminências da nossa cultura, política, filosófica, artes e, entre tantas outras áreas dos saberes conhecidos, surgem e ressurgem para nos ajudar a trilhar o caminho verdadeiro que abrilhanta e revigora nossa vontade de viver. Esses enviados por Deus, que muito sofrem por dissipar as idéias nocivas humanas, lutam a cada momento para nossa própria felicidade e nem damos por agradecê-los.

O mais engraçado e triste é que nós os combatemos, os ignoramos em corações petrificados no orgulho e no egoísmo que nos cega. Apagamos a fogueira, o gérmen, da verdadeira vida. Escolhemos o fardo mais pesado pela incredulidade de aceitar o que sabemos o que é certo, pois entendemos que a verdadeira vida é terrena, e fechamos os olhos para isso. Volto a dizer: esquecemos da verdadeira vida, a espiritual.

Inúmeros males nos circundam, embaçam a visão, obstruem o olfato, tapam os ouvidos, aniquilam os neurônios sensitivos que levam as impressões não doloridas da pele até o cérebro. Só sentimos mesmo as impressões doloridas, o barulho estridente, o odor insuportável e a visão da consciência em forma de monstros que nós mesmos criamos, após os fracassos causados pelo excesso de confiança, o egocentrismo, na ocorrência do mesmo erro.

Não estou dizendo que errar é ilegal, imoral e não possível dentro da nossa esfera de imperfeições, não. Mas, por que erramos sabendo o que é certo? Isto não aumenta nossas responsabilidades diante das situações cotidianas?

Faz-se aqui um apelo a todos os leitores: martelemos as pedras envoltas e guardemos as migalhas restantes para servir de exemplo a toda criatura, que como nós, de certa maneira, está procurando sua própria felicidade.

O bem é o belo.


Amor Mútuo

Represento meu próprio perigo.

Minhas perdições encontram-se em mim. Meus arrependimentos são somente meus...

Meu sofrimento é menos sofrido quando tenho a impressão de que tal sofrimento é causado por alguém. Seja quem for esse alguém, essa pessoa tem nela parte de meu sofrimento, pois quem causa dor em alguém tem o motivo da dor alheia dentro de si.

Não sendo apenas coisa minha o que sinto, essa coisa acabou tornando-se quase insignificante.

Amor que é sentido de um só lado, machuca. Entope as artérias e não mais mostra caminho a ser seguido. E, quando mostra, mostra um caminahr por entre pedras.

Amor sem divisão, é desse que falo. Amor invasor de um só coração, esse tomar de vidas desenganadas...

O amor preso num só indíviduo é monstro. Rio que não reflete imagens e, por vezes, acha que nunca mais poderão habitá-lo as mais diferentes criaturas vivas.

Ouvi dizer que amor mútuo faz bem. Falam em amor mútuo, mas acho que ninguém em sã consciência já conseguiu explicá-lo. Podem ter vivido ou ainda estar vivendo-o, mas não conseguem explicar ao certo do que se trata pois, quando são atingidos por ele, permanecem hipnotizados. Só conseguem dizer: "nunca me abandone, pois preciso de você tanto, tanto... Sem você, eu morreria."

Nessa profunda hipnose, claro que a consciência perde a sanidade...

Mas essa hipnose pode ser quebrada como uma bola de cristal jogada escada a baixo. Nesse caso, o destino tem seu fim. E o indíviduo, que tanto diz que morreria sem o desconhecido "você", sempre vira um morto-vivo. Até o ciclo recomeçar.

Bem, faltou o nexo do nexo.

Dividir amor em doses iguais, essa louca matéria moldada pelo bom senso de duas almas que, de tanto viverem junto a corpos distintos, precisam ser uma só.

Bem-aventurados os que amam e são igualmente amados, pois eles serão felizes.


Jogo da vida

Hoje tive muitas saudades. Aliás preciso fazer alguma coisa a respeito disso. A úinica coisa que tenho sentido ultimamente é saudade, isso quer dizer que não estou fazendo nada ultimamente. Tenho feito algo como os torcedores do São Paulo. Sempre lembrando do passado glorioso mas sem ter nada a contar sobre o duro presente.

Tenho pensado na única época que consegue ser mais indefinida do que a adolescência. Aquela fase em que tudo que você quer é jogar video game com uma playboy do lado. Num confornto inimaginável de interesses. Algo parecido com a vida de um programador de computadores.

Bem, nessa confusa época em que eu sonhava com um ATARI e minha vida amorosa era complicada. Sempre fui um romântico. Adorava sofrer por amor. Sentar no chão do meu quarto, encostado no canto da parede segurando a testa com as palmas das mãos tomando um copo de Tang. Gostava de sofrer também por que nunca tive opção. Sempre fui muito tímido e nada auto-confiante. Mas sempre me achei poeta. Por isso adorava escrever cartas de amor. Mandá-las era só um opcional, escrevê-las era a grande atração. Imaginar minha amada lendo, chorando ao ver que tinha achado seu principe encantado. Na minha imaginação tudo dava certo.

Eficiência zero, essa minha poesia não me arrumava namorada alguma, mas muitas amigas com certeza.. Com essas amizades comecei desde pequeno a estudar as mulheres. Sem saber que isso seria uma perda de tempo enorme.

Do alto dos meus 15 anos já entendia o que as mulheres queriam. No ginásio era simples. Elas podiam se divertir com os caras errados mas no fundo queriam um certo. Era difícil competir com o cara que era o artilheiro do time, astro do time de vôlei, cestinha do basquete e além de tudo plantava bananeira. Auto -confiança era o nome desses indivíduos que além de tudo não tinham timidez nenhuma. Mas tudo isso fazia-os não valorizar as mulheres e isso uma hora ia fazê-las ir atrás dum cara certo. Um pra valer!! Aquele famoso perfil de cara inteligente, sensível, apaixonado, romântico, fiel, companheiro. Mas que ao mesmo tempo fosse arrojado, firme, corajoso e até agressivo quando preciso.

Eu já sabia disso desde a quinta série então por partes fui me forçando a me tornar esse cara. Algumas coisas foram fáceis outras mais difíceis como tudo na vida, mas numa certa época da vida achei que tinha chegado lá. Com toda a modéstia é lógico eu tinha englobado todas as carcterísticas do homem perfeito. Obviamente em doses diferentes mas um pouco de tudo.

Daí pra frente era só encontrar minha pretendente perfeita. Tarefa não muito fácil (talvez impossível). Por muito tempo procurei e chegue até a começar a perder as esperanças pois achei que nunca encontraria minha "Mulher perfeita".

Minha alma gemêa. Mas por diversas brincadeiras do destino um dia eu a encontrei. Mesmo antes de se consumar alguma coisa eu já sabia que daria certo. Indôles muito parecidas, interesses muito próximos, convivência pacífica, objetivos de vida similares. Se aquilo não era amor perfeito o que mais poderia ser.

E ENTÃO EU RELAXEI...

Relaxei por que já não sonhava mais. Projetava meu futuro. Nunca mais eu precisaria pensar no que as mulheres pensam ou querem. Eu tinha ali ao meu lado a mulher da minha vida que se precisasse ou quisesse de alguma coisa me falaria e pronto. Simples assim. Achava isso por que era exatamente o que eu fazia.

Pobre ingênuo. Como posso ter sido tão estúpido ao ponto de ter estudado as mulheres a vida inteira e não ter percebido a suprema primeira lei da convivência com elas? Mulheres não mudam. Serão pra sempre mulheres, agirão pra sempre como mulheres assim como homens serão homens.

O amor não nos tranforma em anjos perfeitos. Na realidade somos as mesmas crianças de 13 anos. Os homens geralmente dando a mesma importância para o jogo de futebol e para o aniversário de namoro. As mulheres nunca falando o que realmente querem, sempre fantasiando milhares de universos ao simples "oi". Isso é o que somos e seremos até o final de nossas vidas.

Hoje acho que ao invés de me enganar com a improvável mudança dos indivíduos devo é me adaptar ao mundo real. Aprender a lidar com esses infindáveis "jogos" entre homem e mulher. Aceitar que o meu romance ideal. Meu amor perfeito que idealizo desde criança só existe mesmo nas letras escritas.

O que existe é um jogo eterno em que o melhor resultado é uma partida fatal que termina num empate.


Nova Zelândia

Ok. Numa boa. Senhores músicos vamos dar uma variada. 99% das músicas presentes hoje em dia no rádio são sobre desilusões amorosas. Tudo bem, talvez eu esteja exagerando um pouco mas no mínimo 98%. E não estou falando só de música romântica, sertaneja ou pagode. Podem incluir aí todos os genêros. Rock, R & B, Hard core e Reggae. Só escapam o Rap legítimo, o gospel e o Death Metal (que prefere falar sobre larvas?!?!).

Levo quase uma hora no carro todos os dias para vir para a clinica, ou quase todos, pela manhã. Como companheiro ligo o radio, melhor compania pela manha em um engarrafamento. Mas hoje percebi que este radinho mais me trouxe tristezas do que alegrias. Não adiantava eu mudar de estação ou de estilo que lá estavam as famosas frases: " Não vivo sem você.", "Volta pra mim", "Não sei viver sem ter você", "Since i don´t have you" e etc. Raramente interrompida por um "Move your body". Não sei o por que disso. Antigamente as pessoas cantavam sobre os rios, sobre as planícies e planaltos. Hoje em dia só sabem dizer que "que quem se ama já não se importa com você.". Isso me leva a uma triste conclusão. Ou hoje existem mais desilusões amorosas (vulgo pé na bunda) ou nossas paisagens já não são o bastante.

Otimista que sou acredito que a segunda razão seja a mais provável. Acha incoerente? Tome como exemplo a Nova Zelândia, terra do senhor dos anéis. Lá existem paisagens de sobra. Neve, mar, praia, abismos. De tudo um pouco. Ás vezes até combinados. Logo não enfrentam essa epidemia pela qual passamos. Ou você conhece alguma dupla sertaneja neo-zelandeza? Já ouviu alguma música neo-zelandeza que fale "cadê a alegria estampada no meu rosto?" Acho que não. Nem o Frodo sofreu de amor no Senhor dos Aneis. Tinha o Sam o tempo todo (Alias, acho que os Robtis eram do Condado gay da historia, principalmente o Sam).

Tá certo que tenho que concordar com o fato de que eu estar passando por dificuldades amorosas possa estar piorando as coisas. Mas só um pouquinho. Nada que afete o quadro geral.

Passar por uma desilusão não é nada fácil, talvez por isso as pessoas escrevam tanto sobre isso. O grande problema é que nessa situação você só pode pensar sobre o assunto. Já que não é você quem está nas rédeas da situação. Muito pelo contrário. Você é o cavalo.

Algumas pessoas tomam atitudes desesperadas que só pioram as coisas. Eu nunca vou ser um desses.

- Alô

- Oi.

- Oi André, e ai?

- Preciso saber que roupa eu ponho na mala.

- Hein?

- É isso.

- Não entendi.

- Você vai dizer que me ama?

- Não sei André. Tinhamos falado que...

- É isso. Já chega. To indo pra Nova Zelãndia.




A História Sem Fim



Era uma vez um reino com o nome de MINHA CONTA BANCÁRIA. Não era um reino grande, mas era estável, e possuía grandes aspirações de expandir seu território. Uma princesa começou a reinar sobre Minha Conta Bancária, ela era conhecida como NAMORADA.

Porem, após a levar um pé na bunda dessa princesa, na tentativa de agradar com presentes, flores e jantares, o reino ficou sobre uma forte ameaça: o NADA. O NADA começou a atacar as regiões mais distantes do reino, fazendo elas simplesmente desaparecerem. O mal não parou por aí, continuou sua destruição até que, de vez ou outra, ameaçava até o antes impenetrável castelo de cristal, chamado de CHEQUE ESPECIAL.

Um grande veterinário foi chamado para combater o NADA. E saiu em buscas de aventuras que pudessem salvar o reino e reconquistar a princesa. Pegou seu corcel branco, apelidado de CORCELL 2, e partiu para sua jornada. Assim tem início a grande saga.

Logo no início nosso herói se depara com um grande desafio. O Oráculo do Sul, conhecido por muitos como CLIENTE. Uma enorme esfinge, onde o guerreiro precisa responder sabiamente todas as questões, senão é fuzilado instantaneamente por raios que saem de seus olhos, enigmas como: Porque? Quanto custa a consulta? Precisa tomar injeção? É só uma olhadinha!. Muitos outros veterinários fracassaram nessa tentativa. Mas, graças ao seu alto QI e a ajuda de um pequeno e simpático casal de velhinhos, chamados de Sr Livro e Sra Internet, aliado com muita coragem, o herói derrota o Oráculo que bravamente tentou impedir o seu avanço em busca de derrotar o NADA.

Em seu caminho nosso herói se depara com inúmeros seres fantásticos e extraordinários, como o gigante de pedra que passava por cima de tudo, chamado CRMV, ou o homenzinho que pilotava um caracol cortando todo mundo, conhecido como MOTOBOY. Mas seu grande parceiro de aventuras era um dragão com cara de cachorro que voava, apelidado carinhosamente de ESTAGIÁRIO. Sempre que estava com problemas, nosso herói montava em cima do Estagiário que sempre salvava sua pele.

Em meio de suas incríveis aventuras, houve aquele dia fatídico. Sua missão era encontrar um grande sábio que poderia ter a resposta para derrotar o NADA. Era uma tartaruga gigante que vivia em um mar de lama e respondia sobre o nome de CONTADOR.

Seguindo bravamente com seu Corcell 2, nosso herói encontra um pântano perigoso nomeado de ENCHENTE. Tentando transpor a Enchente, o imponente corcel branco acaba cedendo e morre lutando honrosamente. Seu grande companheiro de tantos anos o abandonara. Mais que nunca pensou no perigo que o NADA representava e continuou impávido seu percurso. Mas a tartaruga não respondeu nenhuma de suas perguntas e ainda espirrou em sua cara inúmeras vezes.

Nosso herói continua eternamente sua luta contra o NADA que parece imbatível.

Mas não pode ser! O NADA não pode vencer! Apenas uma coisa pode derrotar o NADA: o leitor. Você, que está lendo esta história, pode salvar o reino da Minha Conta Bancária.

Reuna sua coragem, acredite na possibilidade. Abra a janela do seu sótão e grite bem alto o meu nome e faça um cheque nominal a minha pessoa. O reino da Minha Conta Bancária está em suas mão...



Amadurecimento

Hoje eu acordei bem.

Não sei o que aconteceu, mas acordei bem, como há muito eu não fazia.

Não sei bem o que era, talvez o ar gelado soprando no rosto quando você põe a cara na janela e recebe uma bofetada de ar de esquerda e um direto de raios luminosos. Bang! bem no meio do nariz. Isso sim é acordar bem.

Mas o que me fez bem de verdade foi acordar sem preocupações - não que não tivesse com o que me preocupar e, acredite, eu tenho - como se o mundo todo fosse atender seus pedidos e desejos, como se fosse possível pensar em algo e pronto: estava lá, acontecia, feito.

É engraçado, porque minha última lembrança desse estado de espírito é da infância ou pelo menos adolescência e tal descoberta me jogou contra a parede do auto questionamento (acho que tenho lido muitos livros de auto-ajuda).

Seria o passar dos anos e o amadurecimento um caminho de infelicidade para atingir a felicidade, ou simplesmente a consciência das coisas poderia nos tornar felizes?

De certo não deixei muitas opções, mas perceba a intenção da questão.

Se você concordar com o amadurecimento paulatino, pense que já está sendo traçado um caminho que um dia será comum em algum ponto, onde você vai acabar usando algo que aprendeu no passado.

Por exemplo: Agora entendo porque a Aletéia, menina por quem era perdidamente apaixonado no auge dos meus 10 anos, nem me dava bola. Usando o raciocínio que aprendemos com o passado, hoje tenho que lidar com a mesma rejeição de uma outra mulher, porem com mais experiências de vida, não cometendo os mesmos erros.

Mudaram as pessoas, mas o sentimentos envolvidos são tão fortes e parecidos quanto...

Logicamente, não terei a mesma reação, baseada no sentimento de rejeição, que foi grudar um belo chiclete no cabelo da Aletéia, não, não farei isso!

Hoje como estou mais "sabido" diante da vida, tendo vivido uma situação parecida anteriormente, posso reagir de uma maneira melhor, como grudar dois ou mais chicletes, afinal, um é pouco!

Calma, não fique aqui uma névoa de "locus amoenus" em favor do chiclete no cabelo de quem te rejeita nem muito menos tente se isolar de sentimentos e sensações que possam fazer você sofrer. O futuro vai te mostrar que isso também é errado e dolorido...

Estava aqui apenas tentando fazer você acordar bem, como eu...


Caro Príncipe... Cara Princesa...

"Caro príncipe, nunca me casarei contigo. Não me forçarão a este infeliz casamento! Eu já tenho meu amado. Seu nome é Carlão e ele luta Jiu-Jitso! Caso tu te metas a besta comigo, eu hei de chamar o Carlão para encher-te de porrada!"

"Cara princesa, compreendo tua dor e também não concordo com casamentos arranjados. Ainda mais de completos desconhecidos como nós. Não precisas inventar um caso com Carlão para fugir de tal obrigação. Casamento envolve muito mais que política e negócios. Estou lutando firmemente contra essa nossa união."

"Caro príncipe, muito me surpreende que descobriste meu caso inventado com Carlão. Surpreendeste ainda mais a tua convicção contra nosso casamento arranjado. Saiba que sou a mais bela do reino e herdeira única de todas as terras de meu pai, o Rei."

"Cara princesa, acredito em tua tão famigerada beleza e tão cobiçadas posses. Mas mesmo sendo bela e próspera, acredito que o amor verdadeiro vai além disso."

"Caro príncipe, não compreendi tua última mensagem. O que não tenho para conquistar teu amor?"

"Cara princesa, certamente és uma mulher virtuosa, mas o processo de conquista é mais árduo e demorado que um simples arranjo entre nossos pais."

"Caro príncipe, se queres do modo mais difícil, então devemos nos encontrar."

"Cara princesa, aprecio teu honroso convite, mas infelizmente terei que recusar. Muitos compromissos me impedem de participar de tal encontro."

"Caro príncipe, não me deixes esperando. Já estou apaixonada por ti. Quero casar-me, ter muito filhos e viver ao teu lado."

"Cara princesa, não compreendes que não posso encontrá-la. Estimo-te como grande amiga."

"Caro príncipe, não se pode entender os homens. Todos correm por qualquer rabo de saia. Quando resolvo me entregar, recusam?"

"Cara princesa, minha intenção nunca foi essa. Não posso te aceitar pois meu coração à outra pessoa pertence."

"Caro príncipe, quem é essa meretriz que tu andas saindo?"

"Cara princesa, peço-te que não mais profiras palavras de tão baixo calão em relação à minha pessoa amada."

"Caro príncipe, saibas que és uma cobra. Conquista-me com teus joguinhos para depois me trocar por qualquer pecadora que encontras."

"Cara princesa, peço-te que não mais me escrevas."

"Caro príncipe, não me deixes! Tu és minha luz, és meu raio, és minhas estrelas, és meu luar. És uma manhã de luz. És meu iá-iá, és meu iô-iô. Larguei tal mulher da vida e casai comigo!"

"Cara princesa, nunca me casarei contigo. Eu já tenho a pessoa amada. Seu nome é Carlão e ele luta Jiu-Jitso! Caso tu te metas a besta comigo, eu hei de chamar o Carlão para encher-te de porrada!"




Como todo mundo, passei por uma temporada ruim...

Textos repletos de amargura, uma mistura de sentimentos entre o amor e a culpa.... Mistura parecida com porre de vinho com cerveja junto... Haja Engov !

Mas nesse fim de semana descobri, com absoluta certeza, que a culpa dessa tristeza não era minha... A verdade sempre teve um efeito muito melhor do que qualquer Engov ou coisa parecida para este tipo de ressaca !

Portanto, sumindo o sentimento de culpa, sobra somente o amor... Por mim é claro....

Agora, feliz com minha pessoa (diga-se de passagem que tenho um ego bem grande) começo a trabalhar a idéia de que vivemos em uma sociedade de consumo...

Todos todos não passamos de produtos... Sim produtos... Não sei bem o porque, mas acho que gostaria de ser um Dantop...

Gosto de Dantop...

Mas voltando ao assunto, acho que poderia classificar minha vida afetiva como uma grande pratileira, onde as mulheres seriam classificadas como:


Mulher chuchu

- Aquelas que não tem sabor nem sal...
- Aceitam prontamente tudo o que você faz ou deixa de fazer... sem vontade própria...
- Geralmente vem com uma sogra que é um verdadeiro vinagre
- Tem em qualquer lugar e a embalagem é natural, as vezes vem com excesso de agrotóxico (Maquiagem)

Leite Moça

- Produto produzido no Ceara, por isso tem grande desenvoltura para carregar grandes latas de superficie plana na cabeça.
- Uma docura de pessoa, tao doce que até sua mãe adora... (O que geralmente não é aconselhavel)
- Entra na sua vida como uma sobremesa, sempre aparece aos domingos depois do almoco.
- Porem como tudo que é doce, enjoa, e se consumida em excesso leva a obesidade! (Bolo, comida, cerveja... Tudo servido sem você se levantar do sofá)
- Outros efeitos colaterais: Cabelos oleosos seguido de perda capilar lateral (Principalmente do lado direito - Posicao do banco do motorista) pelo excesso de cafuné.

Azeite Maria

- Existem em grande quantidade e de inumeras marcas
- Estas se aproximam de você, com ar doce, se mostrando serenas e bem resolvidas
- Prometem colocar mais tempero na sua vida
- Mas no fim você acaba descobrindo que a Maria nunca deixou de amar o tal do Negão do arroz integral.
- Voce fica ali esperando a Maria sair da lata.... e espera... e espera... Mas quando se da conta, ela já te trocou pelo Tony (Tigrão sarado do Sucrilhos).
- E do tipo que lhe tempera mas não come e tudo vai acabar em pizza no sabado a noite...

Ninfeta Solúvel

- São do tipo Nescafé (café solúvel), quando faz muito tempo que você não prova um bom café acha que aquele em pó é gostoso, afinal fica sem opção de comparação.
- Geralmente fica melhor se misturarmos com algo a mais... Leite ou no caso, álcool...
- Embalagem anatomica e de boa aparencia (Dá vontade de esperimentar)
- Indicado para sair da monotonia de um longo período de abstinência (Sexual inclusive), cuidado, porque como a cafeína, a ninfetina pode viciar... Há relatos de casos crônicos onde o viciado chega a pagar para provar...

Mulher perfeita instantânea (Lançamento no mercado!)

- Nova sensação do mercado, feito para você que tem pressa!
- É instantâneo, de um dia para o outro ela vai te amar loucamente, fazer juras eternas de amor.
- Porem tem prazo de validade curto, da mesma maneira que o efeito surge rápido, acaba rápido.
- E você não tem SACO (Serviço de Atendimento ao Consumidor OTÁRIO), em caso de problemas você fica sem para onde correr.
- A embalagem é pratica, bem produzida, induzindo o consumidor
- O sabor é o diferencial, praticamente irresistível, capaz de agradar até os mais cuidadosos, porem com uso constante, quando o consumidor acaba se identificando com o produto, ela se torna amarga e a tentativa de usá-la por mais tempo pode até intoxicar e levar a prejuízo graves à saúde.

Por isso....

A partir de hoje só pego comida congelada...

Aquela que geralmente é de casa, você já experimentou enquanto estava fresca e sabe do sabor...

Sendo assim... Vou pegar a minha velha caderneta de telefones e colocar no microondas para descongelar...

Em relação a minha pessoa, não sei bem que tipo de produto sou, só sei que algumas mulheres devem me achar do tipo descartavel...

Mas até ai tudo bem...

Não sou um Dantop que é biodegradável...

Afinal... Sei me reciclar!!!!





Segue abaixo um divertido mas amargo panorama das muitas e diferentes visões que se pode ter do amor...

Clique aqui para ver um filme sobre o AMOR




Meu amor é assim: metade loucura, outra metade santidade.

À escolho não pela pele, mas pela pupila, que tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.

Fico com meu amor que faz de mim louco e santo.

Dele não quero resposta, quero meu avesso.

Que me traga dúvidas e angústias e agüente o que há de pior em mim.

Para isso, só sendo louco.

Louco que senta na areia e espera a chegada da lua cheia na solidão de uma praia

Quero-o santo, bentificado, para que não duvide das diferenças e peça perdão pelas injustiças.

Escolho continuar amar pela cara lavada e pela alma exposta.

Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria.

Um amor que não ri junto, não sabe sofrer junto.

Meu amor é assim: metade bobeira, metade seriedade.

Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.

Pena, não tenho nem de mim mesmo, e risada só ofereço ao acaso.

Quero meu amor sério, que faça da realidade sua fonte de aprendizagem, mas luta para que a fantasia não desapareça.

Não quero um amor adultos, nem chato.

Quero-o metade infância e outra metade velhice.

Criança, para que não esqueça o valor do vento no rosto, e velho, para que nunca tenham pressa pois essa mata o futuro.

Tenho um amor para saber quem eu sou, pois vendo-o louco e santo, bobo e sério, criança e velho nunca me esquecerei de que a minha realidade é uma ilusão imbecil e estéril.


SEI QUE O SORISO QUE SE ESBOÇA EM MEU ROSTO TEM RELAÇÃO COM A BRISA SUAVE QUE PASSA PELO SEU OLHAR


Imortal

Não sei dizer muito bem como me sinto, ainda não consegui avaliar o que me restou. Chegou o momento de escolher entre mim e você, e eu escolho te perder. Que pena... Tudo acabou...

Eu cresci, a maturidade bate na minha porta já a algum tempo e tenho que encarar as perdas de maneira sensata, sofrer sim, mas com consciência de que no momento não tem volta. Que pena... Tudo acabou...

Vou seguir meu caminho e te esquecer, sem amarguras ou ressentimentos, somente caminhar com um outro objetivo. Pensar um pouco em mim, tentar viver seria o bastante. Mesmo porque você não me deixou escolhas, não tive chances, você não se deu uma chance. Que pena... Tudo acabou...

Sinto que por você tudo é imortal, não vai morrer assim no final e se ficar distante distante é assim, sei que esse sentimento não vai ter fim. Nem que tente fantasiar, criar culpa, nem que eu quiser você sai de mim. Estou tentando mas te esquecer assim não dá. Mas no final quem escolheu fui eu... Que pena... Tudo acabou....

E tenho que aceitar, mas não foi erro meu. Sei que você no meu lugar faria exatamente igual. Instinto de sobrevivência, se fechar... correr... fugir de perto... Que pena... Tudo acabou...

Se o que sinto é Imortal, não morre no final e se ficar distante é assim, mesmo com tudo acabado... não vai ter fim...


Não foi...

Não foi o belo, quase nunca, nem ao menos o bonito, porque tudo foi se esgarçando em rotina, sombra com vazio.
Não foi o plano, o projeto, a lucidez, conduzindo, já que o mistério se fez magia e embaralhou os búzios da vontade.
Não foi o imaginado, o sonhado, mas a verdade miúda a comovida sem ter de quê.
Não foi o tempo que abarca vastamente, não, deve ser o que se conta aos pedaços, reconta, em mesquinha soma, e medrosa.
Não foi o prometido, o esperado, antes foram os enganos, os engodos, adiamentos sempre roubos, pequenos e de importância.
Não foi nada útil, ou de se repartir, apenas o de guardar para comer sozinho.
Não foi o brilhante, de anel e de relâmpago, simplesmente a luz do vidro.
Não foi o bom, foi o barato, não foi o alegre, foi o pouco a pouco, não foi o claro, foi o difuso, pois os encargos chegam logo, e se aprendem, e ficam.
Não foi o momento certo, a maior parte aconteceu de repente, ou cedo, ou tarde, afinal não se repetiu.
Não foi a viagem, a longa, larga viagem, de recordar, rever, que as paradas e os horários dividiram muito o roteiro, partiram, nublaram, não devolveram.
Não foi o encontro nem a sua memória, não foi a paisagem nem o esquecimento, foi esse passar de pessoas e o seu reverso de imóvel, que se isola e não fala, porque não adianta.
Não foi a cidade, mas a rua, não foi a figura mas a boca, não foi a chuva mas a calha.
Não foi o campo, nem a mata, o morro, nem o rio, a relva, nem árvore, nem verde, foi a janela de trem, de carro, de longe.
Não foi o livro aberto, a oração disfarçada, a primeira lição.
Não foi a lâmpada, o linho, a lenda.
Não foi a casa, o quintal, o corredor com portas e pé direito.
Não foi o que vem de dentro, e sim o que bate, não se anuncia, e força, abre, e entra.
Não foi o pacífico, o sem tumulto, foi até a mesmo a guerra, ou melhor, o combate, a escaramuça, perdidos de mãos nuas, limpas, as armas brancas.
Não foi o amor, a certeza, o amanhã, foram as palavras que representam a idéia de, o conceito, enfim a sua redução.
Não foi pouco nem muito, foi igual.
Não foi sempre, nem faltou, foi mais ás vezes.
Não foi o que, foi como, e onde, e quando.
Não, não foi, o que podia ser....


...

Hoje estou aqui despido de todo orgulho, de todas as convenções. Estou aqui para expressar minha confusão, para gritar ao mundo que estou literalmente perdido. Num amor que acho, não, tenho certeza de que não é mais possível. Perdido num caminho que eu escolhi e que sei, não tem volta...

A vida e minhas escolhas me colocaram novamente frente a frente com aquilo que mais detesto nesta vida. Parecia tudo sobre controle e em poucos dias se desmoronou. Eu que sempre sei o que quero e não olho pra trás. Estou aqui agora, como um adolescente esperando por uma palavra, um gesto, qualquer coisa que indique onde errei... como alguém pode querer ter certeza que escolheu o caminho errado? Pura confusão em meu coração. Achava que tudo caminhava certo, e me perdi...Ou se perderam de mim....

Declarações em vão... Pedidos desconsiderados... Valores trocados... Egoísmo e falta de compreensão... Não quero ouvir nem jamais direi novamente eu te amo...

Hoje voltei a viver... e a morrer cada vez que penso que poderia ser diferente. São tantas dúvidas que vivem aqui em meu peito, só que desta vez não irei interferir... não vou tentar voltar, pedir, sumir... Acabou... Apenas viverei cada momento, sem julgar se é certo ou errado... Seguindo em frente, deixando o coração me guiar

I am the highway

Pearls that swim the rift of me
long and weary my road has been
i was lost in the cities
alone in the hills
no sorrow i feel
for anything i feel yea

i am not your rolling wheels
i am a highway
i am not your carpet ride
i am the sky

friends and liars
don't wait for me
cause i'll get on
all by myself
put millions of miles
under my heels
and still too close to you
i feel

i am not your rolling wheels
i am the highway
i am not your carpet ride
i am the sky
i am not your blowing wind
i am the sky
i am not your automn moon
i am the night
the night...

Audioslave



"Um obstáculo é uma coisa que se vê quando se afasta a vista do objetivo"


"O amor é um estranho passarinho... Canta sem ter penas e nasce sem ter ninho"
"Leléco - Lisbela e o Prisioneiro - Filme de Guel Arraes"


Reflexões sobre meu dia...

O amor transforma, o amor cura. Mas às vezes, o amor constrói armadilhas mortais, e termina destruindo a pessoa que resolveu entregar-se por completo. Que sentimento complexo é este que ¿ no fundo ¿ é a única razão para continuarmos vivos, lutando, procurando melhorar?

Seria uma irresponsabilidade tentar defini-lo, porque, como todo o resto dos seres humanos, eu apenas consigo senti-lo. Milhares de livros são escritos, peças teatrais encenadas, filmes produzidos, poesias criadas, esculturas talhadas na madeira ou no mármore, e mesmo assim, tudo que o artista pode passar é a idéia de um sentimento ¿ não o sentimento em si.

Mas eu aprendi que este sentimento está presente nas pequenas coisas, e se manifesta na mais insignificante das atitudes que tomamos, portanto é preciso ter o amor sempre em mente, quando agimos ou quando deixamos de agir.

Pegar o telefone e dizer a palavra de carinho que adiamos. Abrir a porta e deixar entrar quem precisa de nossa ajuda. Aceitar um emprego. Abandonar um emprego. Tomar a decisão que estávamos deixando para depois. Pedir perdão por um erro que cometemos e que não nos deixa em paz. Exigir um direito que temos. Abrir uma conta no florista, que é mais importante que o joalheiro. Colocar a música bem alta quando a pessoa amada estiver longe, abaixar o volume quando ela estiver perto. Saber dizer ¿¿sim¿¿ e ¿¿não¿¿, porque o amor lida com todas as energias do homem. Descobrir um esporte que possa ser praticado a dois. Não seguir nenhuma receita, nem mesmo as que estão neste parágrafo ¿ porque o amor precisa de criatividade.

E quando nada disso for possível, quando o que resta é apenas a solidão, lembrar-se então de uma história que um leitor me enviou certa vez:

Uma rosa sonhava dia a noite com a companhia das abelhas, mas nenhuma vinha pousar em suas pétalas.

A flor, entretanto, continuava a sonhar: durante suas longas noites, imaginava um céu onde voavam muitas abelhas, que vinham carinhosamente beijá-la. Desta maneira, conseguia resistir até o próximo dia, quando tornava a se abrir com a luz do sol.

Certa noite, conhecendo a solidão da rosa, a Lua perguntou:

¿ Você não está cansada de esperar?

¿ Talvez. Mas preciso continuar lutando.

¿ Por que?

¿ Porque, se eu não me abrir, eu murcho.

Nos momentos onde a solidão parece esmagar toda a beleza, a única maneira de resistir é continuarmos abertos.


Angústia


Não é um sentimento. Não é!

É um estado permanente de medo, desamparo, amargura, tristeza, desesperança e solidão. Parece que a Terra deixou de existir como um lugar habitável. Não existe afetividade, motivação, alento, ilusão, vontade, desejo nem qualquer outra emoção reconfortante. Cada ato é um sobressalto; cada passo, uma sobrecarga; cada pensamento, uma aflição. Palavras como amor segurança, paz e esperança não fazem sentido algum. Parece que só conseguirei escrever isto. Uma nuvem escura turva-me as idéias.

Levanto-me e me estendo no leito. Tento ler. Mas cada palavra é um açoite; cada frase, uma descarga de algo no meu sangue que me resfria as palmas das mãos e a planta dos pés. Atiro o papel ao chão e tento concentrar meu pensamento no nada. Estranho! Como é que se pode concentrar o pensamento em nada?

E mesmo assim eu tento. Como não encontrei um nome para o que estou sentindo, vou chamá-lo simplesmente aquilo. O que faço são tentativas desesperadas a fim de evitar aquilo. Voltei para este computador e insisto em escrever. Não há nenhum raciocínio coerente no que pretendo dizer. Simplesmente vou escrevendo aleatoriamente tudo o quanto me ocorre.

De cada dez palavras que tento digitar apenas uma delas o processador de texto aceita sem reclamação. Sim, os traços vermelhos que sublinham as palavras grafadas erroneamente, são gritos de protesto contra mim por teimar em escrever sentindo aquilo. Meus dedos não obedecem às ordens confusas emitidas pelo cérebro.

Chego a me irritar com o teclado acreditando que estaria mal configurado. De fato, existe mesmo uma má configuração irremediável, mas esta ocorre dentro da minha cabeça. São os meus neurônios que estão afetados. E para este dano causado pelo tempo, pelas amarguras, pelas decepções, pela dor, não foi inventado ainda nenhum remedio ou terapia capaz de corrigi-lo.

Levanto-me novamente. Foi necessário escrever três vezes as palavras levanto-me a fim de que a ortografia pudesse ser obedecida. Vou à janela. Um desfile de veículos flui incessantemente em subindo a rua. Fico a imaginar o que se passaria pelas cabeças dos seus passageiros. Quantos se sentirão felizes? Nenhum, por certo! Do contrário não sairiam em busca de coisa alguma. Quantos estarão serenos? Pouquíssimos; talvez um em mil, se tanto. Não creio que alguém possa sentir serenidade em meio àquele tráfego caótico.

Quantos estarão na expectativa de alcançar algo que possa melhorar as suas condições existenciais? Todos, certamente. Mas se decepcionarão logo. Mesmo aqueles raríssimos que lograrão alcançar plenamente as suas metas, pouco tempo depois também se frustrarão, pois descobrirão que nada daquilo fez diferença em suas vidas. Tais qual uma criança quando recebe um brinquedo pelo Natal ou pelo aniversário. O primeiro impacto é uma incrível ventura. Parece que todos os ideais colimados foram, enfim, atingidos. Pouco mais tarde descobrirão que nada daquilo as satisfez. Alguns chegarão mesmo a cogitar: ¿como fui ingênuo por anelar a tão insignificante projeto!¿.

Mas, nada disto impede que aquele ideal frustrado seja imediatamente substituído por outro, e depois por outro mais e mais outro. E assim sucessivamente, porque aqueles pequenos objetivos e as suas respectivas frustrações ficaram para trás.

Às vezes considero que isto é a única razão para alguém se apegar à vida. É esta bipolaridade contínua de êxitos e fracassos ¿ e nada mais ¿ aquilo a que chamam instinto de vida. Por outro lado, quando este deixa de existir, nada mais interessa.

Este desalento é o verdadeiro castigo da condição humana e não a própria morte, em si, como muitos apregoam. Neste exato momento é o que está me acontecendo. Não tenho nenhum ideal. Tanto faz morrer agora, como amanhã, daqui a um ano, dez, vinte ou quarenta.

A minha caixa de Pandora está absolutamente vazia. Dela escapou tudo, inclusive a tal esperança de que muitos falam e eu nunca tive o prazer de conhecer. Nada me interessa. Não procuro nada. Nada me atrai. Não sou como os passageiros destes veículos que trafegam diante da minha janela em busca do seu ideal. Não porque me sinta incapaz de alcançá-lo, mas porque me fartei dele por antecipação.

Sem querer, me lembro da Tabacaria, de Pessoa. Mas não há Tabacaria e nem nada defronte da minha janela. Existe apenas um oceano de angústias onde me afogo, sob um céu tempestuoso de desespero.


Crônica de uma decisão inútil

Seu olhar eu não vi da última vez. Não vi nada do que imaginei. Lá fora, a vida enquanto te levava, insistia em ter a aparência enigmática. Aliviado por achar que havia dado calote nos delírios que embalam os sonhos que vou colocar para dormir de novo (eles tem berço) não senti ar de despedida, eu nem respirava.

Senti a exaustão de fingir que nada daquilo me incomodava. E criei novas manias pra aceitar e entender seu instinto suicida de abandono.

Hibernei feito urso do Pólo Norte, foi pra lá que você me arremessou. Ursos do Pólo Norte hibernam? Não sei, o que constatei foi que lá era o lugar mais perto que pude chegar, vítima de sua falta de raciocínio e péssima pontaria.

Trabalhei feito formiga no verão. Não fui a praia, rasurei de nosso roteiro de viagem; os pontos turísticos que foram construídos especialmente para dois que se acham um, e não pensam nunca de ficar sem nenhum.

Sendo a formiga atarefada, quem sabe no próximo inverno você não bata na minha porta pedindo abrigo. Eu darei.

Darei exemplo de bom Samaritano e acolherei você de novo.

Samaritanos têm desejos?

Mas isto é futuro, que em meu conceito convicto, começa daqui a alguns segundos.

Tenho que desembrulhar é o papel do presente.

Presente de grego que você me deixou. Há relíquias valiosas nesta caixa de Pandora. Na partilha, acho que levei a melhor.

Depois de acordar na primeira manhã, sem o compromisso de lembrar de você na hora do almoço, entreguei-me à sedução do espelho seu. Levantei a bandeira da auto-estima, colocando-a em destaque, destacando várias folhas do talão de cheques nominal às lojas que oferecem novas indumentárias aos ressuscitados do primeiro dia.

Utilizei os recursos de justiça divina na lei da reencarnação, em que o indivíduo tem uma chance e voltar a terra com outra cara, para resgatar o que deixou de concluir. Algo assim:

Se eu voltar sem saber ler, pensar, sem saber poesia, sem gostar de melodia, odiando animais, sem falar em futuro, pois abominarei a palavra viver, e só comendo ração para cachorros, vai? Aceita?

Este poder que a gente tem de se reinventar é fantástico. Ótimo espetáculo para os períodos compostos de crepúsculos solteiros.

Outro chopp com os amigos no happy hour, papo demente sem a preocupação de virar porre.

Até que, se eu chegar de pileque em casa, vou poder chorar escondido da lucidez, desabando de saudade. As indagações de porquês estarão flutuando e voando feito borboletas pelo quarto, vou deixar que elas pousem na cama, preenchendo o espaço que você ocupava por cima, por baixo, de lado. Ao meu lado, por quê?

Vou me permitir a tudo isso sem culpas, pois não vou me lembrar de nada do que fiz no dia seguinte. A lembrança deu ressaca? Engov nela, engole esse desejo clandestino.

Seu calor passou por aqui, não sei se foi ontem.

Mas eu senti, e isso foi hoje.

Amanhã não sei se esse mormaço vai evaporar de vez.

Sua ausência me cobra demais. Até nela você manda.

Manda que eu fique.

Fique com Deus, mas acho que ele me esqueceu.

Fique em paz, mas nela eu não te encontro mais.

Fique sozinho, quem sabe ainda sou alguém.

Mas eu desobedeço e não fico. Vou à luta.

Como?

Não explico, não tenho que lhe dar mais satisfações, esqueceu?

Deve ser por isso que escrevo nossa história em linguagem cartográfica e em braile. Para justificar a distância cega que eu enxerguei em seu olhar de última vez.



Um pouco de nada

O frio é pra mim o companheiro das noites quentes. Dos dias ensolarados.

Ele preenche o vazio que mais nada quer ocupar. A vontade abandonada. A espera esquecida. A frustração acumulada.

Nos parcos instantes de esperança, sinto-me acolhido em abraços calorosos e invisíveis. A sensação que parece preencher-me, esvai-se junto à inexistência.

Sinto-me egoísta em não querer dividir-me com mais ninguém. Poucas palavras. Poucas declarações.

Quero somente a comunicação silenciosa, companheira e presencial. Sem análises, explicações, justificativas.

Queria te pedir pra voltar. Mas, quem sou seu pra te impor minha indecisão?

Você errou. Eu também errei.

E mesmo assim, nossa cumplicidade não foi abalada.

O carinho que nos une supera as dificuldades e os acontecimentos.

Nunca pensei que seria tão difícil viver sem você participando das minhas rotinas.

Queria saber o que te dizer. Mas não sei. Na verdade, não queria dizer nada.

Só queria estar com você. Em silêncio, mas presente. Mais que saudades, sinto tua falta.

Que meu silêncio fale por mim...


"Amar: Verbo"

O AMAR verdadeiro é aquele
em todas as conjugações...
...em qualquer tempo...
...mas em todos os tempos:
Na alegria do presente do
indicativo...EU AMO.
Na mentira do pretérito
imperfeito...EU AMAVA.
Na saudade do pretérito
perfeito...EU AMEI.
Na dor do pretérito
mais-que-perfeito...EU AMARA.
Na esperança do futuro do
presente...EU AMAREI.
Na hipocrisia do futuro do
pretérito...EU AMARIA.
No modo subjuntivo só no tempo
presente...QUE EU AME...sempre,
porque o importante é AMAR.
Que eu esteja sempre no
gerúndio...AMANDO.


A Ciência e o Homem ...

Infidelidade tem relação com testículos

Correio Popular, 12/09/97, p. 8


Londres - Os homens com testículos grandes têm mais chances de ser infiéis, destacou um estudo médico publicado ontem pela imprensa britânica. "Os rapazes pouco recomendáveis tem os testículos volumosos", resumiu Mark Ferguson, pesquisador da Universidade de Manchester.

As conclusões basearam-se em um estudo realizado com 80 estudantes. As medidas de seus testículos vão de 8 a 52 centímetros cúbicos e o volume médio é de 24,3 centímetros cúbicos. Resultado: os 12 voluntários que admitiram ter sido infiéis tinham todos testículos mais volumosos que a média.

A idéia do estudo partiu da selva: o gorila, que escolhe apenas uma parceira para a vida inteira, tem testículos minúsculos, ao contrário do chimpanzé, um Casanova notório, que é muito bem dotado.

fonte: http://www.jornalismocientifico.com.br/cienciagaiatatestículos.htm

OBS: Me recuso a medir os meus.... Mesmo porque em casa só tenho regua de 30 cm...


A Mulher Perfeita

Eu escuto constantemente meus caros amigos afirmando que sou muito exigente. Não exigente com picuinhas ou detalhes descuidados. Mas exigente para mulheres. Afirmam que busco a mulher perfeita, chegam à conclusão que ela não existe (com devida exceção à Ana Paula Arósio. Ainda assim há quem duvide de sua existência.) e logo emendam um: ¿Assim você vai ficar solteiro para sempre¿. Desculpem-me, caros amigos, mas estão redondamente enganados. A mulher perfeita existe.

Ela está lá, uma mulher comum, com todos seus defeitos e manias, quando de repente ela solta aquela risada gostosa, meiga, sincera, até meio tímida, por causa de uma bobagenzinha; então você percebe: a perfeição. Durante aquele sublime instante ela é perfeita. Cada movimento, cada nuance é a mais pura magia. Aquele olhar perdido para o chão, o jeitinho em que ela arruma o cabelo, a forma em que a luz bate em sua face. A derradeira prova da existência divina! E logo no instante seguinte ela se vai. Mas por um breve momento ela era perfeita. Assim é a perfeição.

Há mulheres que são perfeitas em pequenos momentos. Há outras que foram perfeitas para aquele momento da sua vida, mas não são mais perfeitas para o momento que você está passando. Mas há aquelas (e são essas que todos nós procuramos) que são perfeitas em sua vida, apesar de muitos momentos imperfeitos. A perfeição é o momento e não a falta de defeitos. É um aspecto temporal e não qualitativo. É aquele exato ponto em que todos as imperfeições não importam, apesar delas continuarem lá. Acredito em mulheres perfeitas. Todas são, foram e serão perfeitas para alguém em algum instante. Ela pode ter aquela ¿gordurinha a mais¿ ou aquele ¿jeito estabanado¿. Na perfeição isso é o que menos importa.

Todos já encontraram pessoas perfeitas em suas vidas. Quando seu coração bate mais depressa, quando parece que suas mãos estão sobrando e você não sabe o que fazer; esse é o momento em que você a encontra. Não acho que meu problema seja a exigência, como afirmam meus caros amigos, talvez seja apenas um problema de atitude. Como me comportar diante de uma criatura tão perfeita? Balbucio bobagens, falo do tempo e da vida, quando o que mais queria era estar em seus braços. Não é exigência. É valorização.

Assim é a perfeição que busco, uma perfeição humana, branda, plausível, que me permita também ser perfeito para alguém.



Dia de Natal

No dia 24 de dezembro de 100.000 antes de Cristo, alguns primatas tupiniquins tentavam desesperadamente acender o fogo para a noite de Natal. Não que eles fossem festejar algo, já que Cristo nem tinha nascido e essa data (convenhamos), é um puro egocentrismo do homem cristão moderno. 24 de dezembro de 100.000 a.C. nunca existiu. Não havia folhinhas naquela época. Eles queriam o fogo para não morrer engolidos por animais selvagens

No dia 24 de dezembro de 1499, milhares de índios se preparavam tranquilamente para a noite de Natal.
Na noite de Natal dos índios Xingu, por exemplo, eles não faziam nada de mais. Afinal, não conheciam o Papai Noel, os doendes e trenó não fazia parte do vocabulário deles. A Coca-Cola não tinha sido inventada ainda, portanto, a típica fantasia natalina do nosso amigo Santa Claus (como eles dizem lá) nem entrava nos planos dos vovós de cabelo, barba branca, e pele vermelha. Outra coisa, nunca vi índio de cabelo branco e barba cheia...

Já os Ianomamis, preferiam agir naturalmente, como se aquela noite fosse igual a qualquer outra. Mesmo porque, para eles, era uma noite como qualquer outra e eles não tinham motivo algum para agir de outro modo. Pra não dizer que sou intransigente, o filho do Pajé Paiacan (ancestral do Paulinho, aquele mesmo) espetou o artelhão (se dedo do pé é chamado de artelho, o dedão só pode ser artelhão, não é?) direito numa espinha de peixe. E como berrava o Paiacanzinho. Fora esse pequeno incidente, nada do que aconteceu naquela fatídica noite foi caracterizado como uma festa natalina.

Milhares de escravors, por sua vez, não faziam nada na noite de 24 dedezembro de 1788.
Na Fazenda Santa Helena (sul de Minas Gerais), toda a senzala central com escravos das tribos Vatuzi e Utu, dormia silenciosamente antes do nascer do sol esperando que o capitão do mato chegasse para acordá-los na base da chibata. Um pequeno Vatuzi (o que é uma grande contradição, diga-se de passagem) não conseguia dormir de tanta ansiedade. Ele não esperava qualquer visita do bom velinho pra colocar um lindo presente embaixo da sua linda árvore de Natal, afinal, nem sabia o que era árvore de Natal, bom velinho e muito menos, lindo presente. A insônia do Vatuzinho era crônica. Qualquer um que apanhasse todo dia de um cara que nem fala a sua própria língua teria motivo para isso.

Na cidade de São Paulo, Maria que passou o ano todo pisando, ignorando e se lixando para o João, em 24 de Dezembro de 2003 manda um e-mail todo carinhoso com uma linda mensagem natalina, com o coração ¿cheio de amor fraternal¿ na espera por uma resposta igualmente agradável.

Essas e muitas outras histórias me fazem pensar sobre o verdadeiro sentido da noite de Natal.

Acho que é Norte-Sul.


Cuidado com o que deseja, você pode conseguir...




O amor...

Um texto de Mário Quintana

Para meus amigos que estão...SOLTEIROS. O amor é como uma borboleta. Por mais que tente pegá-la, ela fugirá. Mas quando menos esperar, ela está ali do seu lado.O amor pode te fazer feliz, mas às vezes também pode te ferir. Mas o amor será especial e apenas quando você tiver o objetivo de se dar somente a um alguém que seja realmente valioso. Por isso, aproveite o tempo livre para escolher.

Para meus amigos.. NÃO SOLTEIROS. Amor não é se envolver com a "pessoa perfeita", aquela dos nossos sonhos. Não existem príncipes nem princesas. Encare a outra pessoa de forma sincera e real, exaltando suas qualidades, mas sabendo também de seus defeitos. O amor só é lindo, quando encontramos alguém que nos transforme no melhor que podemos ser.

Para meus amigos que gostam de...PAQUERAR. Nunca diga "te amo" se não te interessa. Nunca fale sobre sentimentos se estes não existem. Nunca toque numa vida, se não pretende romper um coração. Nunca olhe nos olhos de alguém, se não quiser vê-lo derramar lágrimas por causa de ti.

A COISA MAIS CRUEL QUE ALGUÉM PODE FAZER É PERMITIR QUE ALGUÉM SE APAIXONE POR VOCÊ, QUANDO VOCÊ NÃO PRETENDE FAZER O MESMO.

Para meus amigos...CASADOS. O amor não te faz dizer "a culpa é", mas te faz dizer "me perdoe". Compreender o outro, tentar sentir a diferença, se colocar no seu lugar. Diz o ditado que um casal feliz é aquele feito de dois bons perdoadores. A verdadeira medida de compatibilidade não são os anos que passaram juntos; mas sim o quanto nesses anos vocês foram bons um para o outro.

Para meus amigos que têm um CORAÇÃO PARTIDO. Um coração assim dura o tempo que você deseja que ele dure, e ele lastimará o tempo que você permitir. Um coração partido sente saudades, imagina como seria bom, mas não permita que
ele chore para sempre. Permita-se rir e conhecer outros corações. Aprenda a viver, aprenda a amar as pessoas com solidariedade, aprenda a fazer coisas boas, aprenda a ajudar os outros, aprenda a viver sua própria vida.

A DOR DE UM CORAÇÃO PARTIDO É INEVITÁVEL, MAS O SOFRIMENTO É OPCIONAL!

Para meus amigos que são...INOCENTES. Ela(e) se apaixonou por ti, e você não teve culpa, é verdade. Mas pense que poderia ter acontecido com você. Seja sincero, mas não seja duro; não alimente esperanças, mas não seja crítico; você não precisa ser namorado(a), mas pode descobrir que ela(e) é uma ótima pessoa e pode vir a se tornar uma(um) grande amiga(o).

Eterno, é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata.... Um dia descobrimos que beijar uma pessoa para esquecer outra é bobagem. Você não só não esquece a outra pessoa como pensa muito mais nela... Um dia descobrimos que se apaixonar é inevitável... Um dia percebemos que as melhores provas de amor são as mais simples... Um dia percebemos que o comum não nos atrai... Um dia saberemos que ser classificado como
"bonzinho" não é bom. Um dia percebemos que a pessoa que nunca te liga é a que mais pensa em você... Um dia saberemos a importância da frase: "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas..." Um dia percebemos que somos muito importante para alguém, mas não damos valor a isso... Um dia percebemos como aquele amigo faz falta, mas ai já é tarde demais... Um dia descobrimos que apesar de viver quase um século esse tempo todo não é suficiente para realizarmos todos os nossos sonhos, para dizer tudo o que tem que ser dito.. O jeito é: ou nos conformamos com a falta de algumas coisas na nossa vida ou lutamos para realizar todas as nossas loucuras...

"Quem não compreende um olhar tampouco compreenderá uma longa explicação." (Mario Quintana)



Aprender a desapegar

¿Não se prenda as coisas, porque é tudo transitório¿
Pensamento budista

Desapegar não significa impedir que se viva uma experiência. Pelo contrario, é viver a experiência em sua plenitude

Tome qualquer emoção: Amor por uma mulher, sofrimento por um ente querido, uma doença. Se você bloquear as suas emoções, não se permitir ir fundo nelas, nunca conseguira se desapegar, estará muito ocupado em ter medo. Terá medo da dor, medo do sofrimento. Terá medo da vulnerabilidade que o amor traz com ele.

Vivemos um momento delicado em nossa era, em nossa cultura. Criamos a cultura do medo, medo do novo, do desconhecido.

Pessoas deixam de viver emoções novas todos os dias, se apegando a sentimentos antigos. Estes sentimentos funcionam como uma ¿ancora¿, segurando a pessoa no mesmo lugar.

Pense em quantas ocasiões esta atitude do desapego seria necessária na nossa visa. Como quando nos sentimos sozinhos, às veses com vontade de chorar, mas não deixamos as lagrimas sairem porque achamos que chorar não fica bem.

Abra-se, deixe as lagrimas correrem, sinta a solidão em sua plenitude, e chegará o momento de se poder dizer:

- Muito bem, esse foi meu momento de solidão, não tenho medo de me sentir solitário, mas agora vou descartar esta solidão do meu caminho e reconhecer que existem outras emoções no mundo e que quero experimenta-las também¿

O mesmo se aplica quando sentimos uma onda de amor por alguém, mas não revelamos, porque o medo do que esta revelação pode causar ao relacionamento.

Infelizmente, tenho conhecido muitas pessoas que estão com a ¿ancora ao mar¿. Deixam de viver e machucam a si mesmas e a outras pessoas em nome de sentimentos antigos e ultrapassados...

Passei dois anos de minha vida preso em um universo paralelo, buscando respostas para coisas sem sentido, preso em um sentimento antigo e triste. Mas isso valeu, porque hoje sei que devo me desapegar e viver o que tem pra ser vivido! Seja como ou com quem for...

Enfim, o João gostou de Maria e viveu isso, deixou se absorver. Sentiu tudo o que podia, mas infelizmente não deu certo, porque Maria imaginou demais e viveu de menos, mas tudo bem, o João sabe o que é se desapegar e hoje esta pronto e renovado para novas experiências...


João e Maria ( O FIM )

Homem com muito sentimento... Quando está tudo terminando.

João diz:

Oi anjo

Se você me conhece bem, deve imaginar como está sendo difícil ter que escrever num momento desses pra você. Achei que se nos encontrássemos, tudo seria mais fácil, mas não, você deu de ombros para a minha sugestão e nem levou em consideração que talvez, fosse a última vez que nos víssemos.

bla bla bla bla bla ......

Aliás, você sempre com esse seu jeito independente e arredio. Nunca teve mesmo paciência para me ouvir. E olha que tentei ser bastante compreensivo. Acho que isso é um trauma seu, por causa da falta de amor e rejeição do José com você... não sei...pense nisso!

Tenho sofrido muito com a sua ausência e com muita raiva dentro do meu coração.

bla bla bla bla bla .......

Me pego pensando, porque você não se emprenhou e deixou as coisas irem piorando entre nós dois, mas eu deveria ter imaginado que se dependesse de você, nada sairia do lugar. A verdade é que eu não quis enxergar, pois você sempre foi passiva no nosso relacionamento. Será que não percebe que nenhuma homem vai te suportar assim?

bla bla bla bla bla ......

Você sabe o quanto me empenhei e me esforcei nesse relacionamento? Pra que todo o sacrifício? Pra nada, né? Perdi feio o meu tempo com você e estou realmente desiludido da vida. Talvez devesse ter escutado a Joana, na primeira impressão que ela teve de você...

Mas de qualquer forma, espero sinceramente que um dia possamos ser bons amigos.

Com carinho

João

Maria diz:

Querido João,

Você poderia devolver meus CDs do Djavan?

Obrigada

Maria




Você broxou?

O vexame explicado.
Broxar é sempre uma situação, digamos, broxante. O importante, porém, é não perder a compostura. Dê a volta por cima e saia com alguma observação bem-humorada.
Aqui vão quinze sugestões para você usar neste momento trágico. Uma delas, com certeza, terá tudo a ver com sua personalidade.

1. Irônico - "Nossa, deve ser alguma coisa que eu não comi!"

2. Sarcástico (ou Ecologista) - "Bem, só me resta cortá-lo e guardá-lo num vidrinho para as futuras gerações."

3. Cínico - "Hehehe, isso é o que eu chamo de sexo frágil!"

4. Iconoclasta - "Levanta-te e anda, descrente!"

5. Modernoso - "Na verdade, meu bem, eu acho que sexo é totalmente dispensável numa relação moderna..."

6. Dispersivo - "Você sabia que a autobiografia do Fernando Collor vai se chamar 'Que Culpa Tenho Eu'?"

7. Compreensivo - "Liga não, ele faz isso só pra chamar a atenção!"

8. Esportista - "Pô, logo hoje que eu ia dar a milésima e dedicá-la às criancinhas do Brasil!"

9. Grosso - "Desculpe, mas é que ele tem nojo dessa coisa úmida, fedida e gosmenta aí..."

10. Surreal - "Pra falar a verdade, ele não é meu. O meu está no conserto. Este eu peguei emprestado do Ronaldinho".

11. Nacionalista (cantando) - "Deitado eternamente em berço esplêeeendido..."

12. Inconformado - "Gozado, isto nunca me acontece antes. Só depois..."

13. Politizado - "Acho que vou passar a chamá-lo de Fernando Henrique."

14. Freudiano - "É que ele tem trauma de adolescência: vivia apanhando e era sempre cinco contra um!"

15. Autoconfiante - "Até que enfim aconteceu! Eu já estava me sentindo um estranho no meio da turma..."



Mulheres... Nunca estão contentes...

Se você tenta protegê-la das dificuldades do mundo, você é um machista.

Se você fica em casa e faz as tarefas domésticas, é um folgado.

Se você trabalha muito, nunca terá tempo pra ela.

Se você trabalha pouco, você é um vagabundo.

Se ela tem um trabalho chato e que paga pouco, isso é exploração.

Se você tem um trabalho chato e que paga pouco, deveria tomar vergonha na cara e arrumar algo melhor.

Se você ganha uma promoção antes dela, é favoritismo.

Se ela ganha uma promoção antes de você, é igual oportunidade.

Se você elogia o seu visual, é assedio sexual.

Se você fica quieto, é indiferença machista.

Se você chora, é um bundão.

Se não chora, é um insensível.

Se você toma uma decisão sem consultá-la, é um egoísta.

Se ela toma uma decisão sem consultá-lo, é uma mulher independente.

Se você pede pra ela fazer algo de que ela não gosta, isso é dominação.

Se ela pede pra você fazer algo de que você não gosta, é favor.

Se você gosta de um corpo feminino em roupas provocantes, é um tarado.

Se não gosta, é um veado.

Se você gosta de uma mulher que raspe as pernas e fique em forma,você é um sexista desgraçado.

Se não gosta, é um babaca sem romantismo.

Se você tenta ficar em forma, é um fútil.

Se não tenta, é um largado.

Se você compra flores pra ela, é que quer alguma coisa.

Se não compra, é que nunca se lembra dela.

Se você tem orgulho de suas conquistas, é um soberbo idiota.

Se não tem, é um tonto sem ambição.

Se você está totalmente acabado após um dia de trabalho, é que você não se importa com as necessidades dela.

Se ela está totalmente acabada após um dia de trabalho, é que ela está cansada.

Se você quer muito sexo, é um tarado patológico.

Se você não quer muito sexo, você deve ter outra pessoa...




Pensamento do ano...

"A felicidade não significa ausência de problemas, mas sim, a habilidade de lidar com eles. Para ser feliz, você não precisa ter o melhor de tudo.... Precisa saber tornar tudo melhor."

Se aplica a mim e a muitas Marias que conheci...


Fotografias da minha família....

Tio Alfredo




Primos: Genival e Godofredo



Vovô Cassiano




Nada como um dia após o outro...

Tem dias que simplesmente acordamos, não é mesmo? Mas tem dias que acordamos diferentes, sentindo estranho, que aquele não é o seu dia, que era melhor não Ter acordado ou que, talvez, nem ter nascido. Vou dar um exemplo claro e comovente.

Tudo começou no meio de um matagal, num claro e seco dia. Era só olhar o horizonte e ver aquela luz maravilhosa e dourada brilhando, multiplicando os infinitos raios solares. A brisa era lenta e calma, nem refrescava nem deixava aquecer. Seria mais um dia tranqüilo demais para ser verdade.

De repente, no meio da calmaria do campo me senti solto do meu corpo, parecia a morte, me senti puxado, perdido no meio de estranhos, sinceramente, parecia estar drogado. Tudo foi muito rápido, o mundo girava e não sabia mais se estava olhando para cima ou para baixo.

Não sabia que droga ela aquela, mas com uma série de acontecimentos rápidos me senti úmido e algo a mais, uma espécie de prisão dentro de mim mesmo, parecia que o mundo tinha se fechado e estava sentindo os efeitos mais alucinógenos de minha vida. A sensação era de estar preso dentro de um epicentro, sentindo toda a essência de um terremoto... péssimo.

Aquela droga tinha um efeito muito duradouro. Não conseguia sentir a minha vida novamente, tudo estava sinistro demais e cada vez mais eu me sentia num mundo de estranhos, naquela umidade terrível sob uma escuridão que parecia jamais passar. Depois de muito pensar tudo começou a ficar claro. A Terra simplesmente tinha parado de girar!!! Mas que óbvio! Estava na cara. Que droga que nada! A desaceleração provocou aquele choque, o terremoto e aquela mistura de estranhos que jamais havia visto e, para finalizar, parei do lado que o sol não batia... ufa, grande explicação! Seria noite para sempre!

Mas um dia não passaria tão devagar, acho que fiquei nesse estado por meses, quando de repente acordei. Que loucura, obvio que a Terra não parou, que não havia droga nenhuma nem meses... era só um sonho. Ei, mas não era possível, de repente tudo começou a se mexer novamente, comecei a me sentir oleoso, escorregando sem parar, sem equilíbrio. Isso não era mais um sonho, mas sim um pesadelo, dos piores, cadê o Fred? Já estou até imaginando aquela camisa verde e laranja... cadê você Fred?

Bom, de fato o Fred não apareceu, e me vi novamente feliz, num lindo, porém gelado, gramado. Mesmo com a sensação de ressaca, estava feliz. Parecia dia, era claro e luminoso... mas em mais um desses chaqualhões da vida (o que já estava ficando fácil de se adaptar) vi tudo se apagar novamente. Aliás, agora sim deveria estar no purgatório, meu corpo começou a se auto-corroer e vi dezenas de desconhecidos morrerem. Não agüentei a dor. Voltei a pensar que estava sob o efeito de drogas, porém no julgamento final, dentro de uma clínica de recuperação. Percebi depois de muito tempo, que estava tendo desmaios constantes, até que por fim, o pesadelo acabou.

Mas tudo não acabou de uma forma gloriosa não, o terror se espalhava pela lama que estava ao meu redor. Não via mais ninguém, apenas aquela lama e corpos, cheguei a ver conhecidos mutilados e praticamente irreconhecíveis. É claro, era um terremoto, só poderia ser ¿ pensei novamente, mas já perdendo também a identidade, a não ser que eu fosse realmente um drogado sobrevivendo a um terremoto.

Finalmente, o pesadelo de verdade acabou, mas agora estou sozinho. Estou vendo a luz do dia novamente, o calor é predominante, e não falta água, só companhia. Apesar da lama, não poderia reclamar, mas apenas lamentar que sou apenas... um milho.



Não...

Não consigo compreender nada, me sinto como se não pertencesse a este planeta, não pertenço a esta encarnação...

Não entendo a falta de consideração, não entendo o desprezo, não entendo a indiferença...

Não entendo nada e isso me deixa extremamente revoltado, extremamente magoado com toda essa palhaçada que chamo de vida...

Não entendo certas atitudes de certas pessoas, porem não sou ninguém para julgar os outros....

Não tenho o que reclamar da vida, não tenho problemas de saúde, não tenho problemas financeiros...

Mas é nisso que mora o problema... Minha vida é um verdadeiro NÃO ...

Não me sinto feliz por completo, não me sinto amado, não me sinto compreendido...

Hoje sinto falta de um simples SIM

"O problema de resistir a uma tentação é que você pode não ter uma segunda chance"

"Falo a língua dos loucos, porque não conheço a mórbida coerência dos lúcidos."



OBS: Desculpem a falta de humor, mas meu dia hoje está uma MERDA !


Mais um texto do MESTRE

OBS: Não sei se é realmente dele a autoria, mas mesmo assim gostei...


Quem é que nunca teve um Marcelo, um Felipe, um Ricardo, um Júlio ou um Alexandre na vida? Tudo bem, pode ser uma Juliana, uma Ana, uma Patrícia ou uma Aline...

Paquerar é bom, mas chega uma hora que cansa! Cansa na hora que você percebe que ter 10 pessoas ao mesmo tempo é o mesmo que não ter nenhuma, e ter apenas uma, é o mesmo que possuir 10 ao mesmo tempo!

A "fila" anda, a coleção de "figurinhas" cresce, a conta de telefone é sempre altíssima. Mas e ai? O que isso te acrescenta?

Nessas horas sempre surge aquela tradicional perguntinha: Por que aquela pessoa pela qual você trocaria qualquer programa por um simples filme com pipoca abraçadinho no sofá da sala não despenca logo na sua vida???

Se o tal "amor" é impontual e imprevisível que se dane!

Não adianta: as pessoas são impacientes! São e sempre vão ser! Tem gente que diz que não é... "Eu não sou ansioso, as coisas acontecem quando tem que acontecer."

Mentira! Por dentro todo ser humano é igual: impaciente, sonhador, iludido... Jura de pé junto que não, mas vive sempre em busca da famosa cara metade! Pode dar o nome que quiser : amor, alma gêmea, par perfeito, a outra metade da laranja... No fim dá tudo no mesmo. Pode soar brega, cafona...

Mas é a realidade. Inclusive o assunto "amor" é sempre cafonérrimo.

Acredito que o status de cafona surgiu porque a grande maioria das pessoas nunca teve a oportunidade de viver um grande amor. Poucas pessoas experimentaram nesta vida a sensação de sonhar acordada, de dormir do lado do telefone, de ter os olhos brilhando, de desfilar com aquele sorriso de borboleta azul estampado no rosto... Não lembro se foi o "Wando" ou se foi o"Reginaldo Rossi" que disse em uma entrevista que se a Marisa Monte não tivesse optado pelo "Amor I love you" e que se o Caetano não tivesse dito "Tô me sentindo muito sozinho.." eles não venderiam mais nenhum disco.

Não adianta, o publico gosta e vibra com o "brega". Não adianta tapar o sol com a peneira. Por mais que você não admita: - Você ficou triste porque o Leonardo di Caprio morreu em Titanic" e ficou feliz porque a Julia Roberts e o Richard Gere acabaram juntos em "Uma Linda Mulher";

- Existe pelo menos uma música sertaneja ou um pagodinho" que te deixe com dor de cotovelo;

- Quando você está solteiro e vê um casal aos beijos e abraços no meio da rua você sente a maior inveja;

- Você já se pegou escrevendo o seu nome e o da pessoa pelo qual você esta apaixonada no espelho embaçado do banheiro, ou num pedacinho de papel;

- Você já se viu cantando o mantra "Toca telefone toca" em alguma das sextas-feiras de sua vida, ou qualquer outro dia que seja;

- Você já enfiou os pés pelas mãos alguma vez na vida e se atirou de cabeça numa "relação" sem nem perceber que você mal conhecia a outra pessoa e que com este seu jeito de agir ela te acharia um tremendo louco;

- Você, assim como nos contos de fada, sonha em escutar um dia o tal "E foram felizes para sempre"
Bem , preciso continuar? Ok, acho que não...
Negue o quanto quiser, mas sei que já passou por isso, e se não passou, não sabe o quanto esta perdendo....

Luiz Fernando Verissimo



João e Maria

Hoje o tema é amor.

Este sentimento arrebatador, maravilhoso, que preenche nossa vida, que inspira versos, e que também faz doer, e cria tantos desencontros. Às vezes é João que ama Maria, que ama Pedro, que ama Lúcia, que não ama ninguém. Noutras, João ama desesperadamente Maria, mas o amor de João não é exatamente aquilo que Maria precisava e no fim Maria ainda não se sente amada. Tem também aquelas Marias que não vão se sentir amadas nunca, porque falta a elas o ingrediente mais importante para viver uma relação amorosa: amor por si mesma. Enfim, entre encontros e desencontros, a vida esta recheada de historias sobre um João que amou uma Maria mais do que ele podia, e mais ou menos do que a Maria precisava ou queria.

João e Maria, apos um encontro legal, conversaram bastante, Maria contou muitas coisas sobre sua vida e João fez o mesmo, ali parecia nascer uma amizade legal, cheia de confidencias sinceras, que poderia um dia quem sabe virar algo mais... Tudo terminou com beijos e muitos amassos fervorosos... Despediram-se e João foi para casa cheio de expectativas, afinal conhecera uma pessoa realmente interessante...

Passam-se dois dias e João resolve ligar, afinal, quem não passou pela síndrome de "ligar no dia seguinte":

- Oi Maria tudo bem, é o João....
-Oi João tudo bem e você?
- To bem, tava pensando, quer sair hoje?
- Hoje não, to sem vontade...
- Ah ta, ok, deixa para outro dia...
- Tudo bem, beijos...
- ? - Beijos...

Passam-se alguns dias e João novamente liga...

- E ai Maria, beleza?
- Tudo beleza...
- Quer sair hoje?
- Hum, hoje não posso...
- Ok, deixa para outro dia
- Tudo bem, a gente se fala depois...
- Tudo bem, beijos
- Beijos

Alguns dias depois e João novamente liga

- Maria?
- Sim, quem é?
- É o João, tudo bem?
- Oi, tudo...
- Que fez hoje?
- Fiquei deitada
- Deprimida ?
- Sim...
- Vamos sair para distrair?
- Ah, hoje não... To sem cabeça!
- Ok, deixa para outro dia...
- Tudo bem, beijos, a gente se fala depois...
- Ok, beijos

Pois é meu querido leitor, tenho notado que a vida anda meio desequilibrada aqui na terra... Temos muitos desencontros para poucos encontros... Mas porque? O que esta ocorrendo com a humanidade? Pois é meus queridos amiguinhos, estamos fadados à extinção de nossa espécie...

João apos tantas ligações, se achou chato e pegajoso, aquela situação era ridícula, por que João tinha ficar correndo atrás de alguém que se portava dessa maneira? Por que sempre que um João gosta de uma Maria, esta bendita Maria faz de tudo para acabar com a euforia de João... Sim, é um crime, um homicídio doloso do encanto inicial. E este crime acontece em cada beco, cada esquina em cada telefonema... Milhares de Joões ficam depressivos, se entregam à bebida ou a alguma Assembléia de Deus, jogados na sarjeta pelas Marias. Mas com este João ia ser diferente, ele ia desabafar, colocar tudo pra fora!

Estas Marias criminosas estão por ai, reclamando da vida e principalmente dos relacionamentos.... Reclamando que não acham pessoas legais, que o mercado de Joões encantados esta em baixa, etc... Reclamam da vida como um todo, nada esta bom, tudo tem empecilho... Teêm síndrome de autopiedade, como se o centro do universo estivesse bem ali, no umbigo... Não conseguem visualizar quantos "João da vida" machucam e ignoram. Desprezam um João que poderia não ser a solução dos problemas, mas sim o João para compartilhar os problemas e as alegrias...

João um dia não se contem e fala com Maria...

- Poxa Maria, não te ligo mais...
- Porque?
- Porque? Você ainda pergunta?
- Sim
- Maria, você não retorna uma ligação, ignora minha presença...
- Não é bem isso
- É o que então?
- E que ainda gosto do José...
- ????????
- Sim, te falei que tinha me resolvido, mas na verdade não.... - Diz Maria com voz de choro
- Ok, mas você poderia ter jogado limpo... - João com um peso na consciência por te-la tratado assim
- Ah, mas você é o João, feito para casar! Minha mãe te achou lindo...
- Ah é, só porque você me acha perfeito não pode nem ao menos tentar ?
- Não me sinto preparada... - Novamente com voz de choro
- Ok, melhor assim, saber realmente o que você esta pensando... - Com mais peso na consciência

Segue alguns minutos de silencio e Maria pergunta:

- Quer ir ao cinema amanha?
- Vamos ver - Diz João sem saber direito o que pensar - eu te ligo
- Tudo bem, mas não fica chateado comigo
- Não fico não... te ligo amanha, pode ser?
- Pode, então amanha a gente se encontra...
- Tudo bem, beijos
- Beijos

No dia seguinte João pega o telefone e liga...

- E ai Maria, ta melhor?
- To sim...
- Que bom, fico contente. E ai, vamos sair?
- Ah, hoje não to afim...
- Tudo bem... - João com voz de quem levou uma paulada...
- A gente se fala depois, beijos
- Beijos

E como vocês podem ver, João volta a estaca zero... Novamente!

Estas Marias tem síndrome de anti-aproximacao, isto é, reprimem e ignoram o João de tal maneira que este fica desamparado e perdido, tentando aquilo que todo "João moderno" quer: Entender as Marias....

E a Maria continua Apaixonada pelo "Zé", que não liga nem manda e-mail e que no fundo ta pouco se fudendo para o que a Maria ta sentindo....

E no fim nosso João fica em casa se sentindo um "João Ninguém".


BRADESCO Bankfone...





A Rosa e a Couve-Flor

Um dia, a rosa encontrou a couve-flor e disse:
- Que petulância, se chamar de flor!
Veja sua pele áspera e a minha, lisa e sedosa.
Veja seu cheiro desagradável e meu perfume, sensual e envolvente.
Veja seu corpo grosseiro e o meu, delgado e elegante... Eu, sim, sou uma flor!!!

E a couve-flor respondeu:
- É mas... ninguém te come né...







Enlarge Your Penis Now!

Acabou a moleza para o pênis. Nosso órgão não tem mais sossego!!!

Se com a invenção do Viagra ele já teve que dar adeus aos planos de aposentadoria, as coisas ficaram mais duras agora com as idéias e ordens propostas pela avalanche de mensagens que inundam nosso correio eletrônico com a frase ¿Enlarge your penis now!¿ e suas variantes em português, em favelês (dialeto brasileiro repleto de erros gramaticais e ortográficos) e em outras técnicas duvidosas de marketing, como o ¿Faça de seu pênis um PÊNIS¿. Não aguento mais receber estes e-mails!!!!!

Os responsáveis por essas propagandas garantem que podem aumentar seu membro sexual entre dois e cinco centímetros. Peraí. Dois centímetros? Meu amigo, pare tudo e pegue uma régua. Já analisou bem o que são dois centímetros? Para que servem dois centímetros a mais de pica? Se você realmente acha que esses dois centímetros vão fazer diferença no status de seu pênis, na verdade sua necessidade deve ser muito maior. É melhor esperar e rezar pelo avanço da ciência no campo dos transplantes penianos. Ou cometer uma loucura e tacar silicone lá no bilau.

Ainda assim, várias pessoas se interessam pelas técnicas miraculosas do aumento peniano. Tenho para mim que esses sujeitos não devem estar abaixo da tal média dos 15 cm. Se tivesse tanta gente assim sofrendo de baixa centimetragem, o movimento nos consultórios de psicanalistas seriam muito maior. E também haveria dezenas de livros de auto-ajuda com o título ¿Tamanho não é documento¿ ou ¿Aprenda a vencer com seu amiguinho¿.

Deve haver outros motivos que levam o cara a sonhar com mais dois ou cinco centímetros de corpos cavernosos. E tenho certeza que são as razões mais insólitas possíveis. Não me espantaria se alguém dissesse que quer ter mais uns cinco centímetros de carne para demorar mais a ejacular. ¿Sabe como é. O esperma levaria mais tempo até chegar ao lado de fora¿, diria essa pessoa. Ou quem sabe é alguém que quer fazer um agrado à namorada que vive reclamando de suas cuecas velhas. ¿Vou aumentar o pau para me sentir mais estimulado a comprar cuecas novas, trocando o tamanho delas¿. É possível. Ou então pode ser alguém pensando em passar mais tempo nas preliminares. ¿Veja bem, com um pau maior, vou ter que desenrolar mais a camisinha. É mais tempo que ganho antes da penetração, cara!¿ . Pois é. Os motivos podem ser os mais incríveis. Até a vontade de estar apto a tatuar o nome da namorada no membro. Não só uma Ana, mas até uma Ana Maria Christine.

De qualquer forma, não me agrada nada a idéia de colocar o pênis para malhar. E não me venham dizer que sexo e masturbação já são exercícios. Por acaso o pulmão está fazendo esforço quando respiramos? O olho está sofrendo quando levantamos a pálpebra? Que nada.

Nossos pênis não encaram o sexo como um sessão de cooper. Nossos amigos lá de baixo vêem essa prática como um joguinho de futebol, uma pelada pra descontrair e depois comentar as jogadas com os amigos. Mas esses manuais prometem novas dimensões ao órgão através de exercícios naturais. Meu irmão, eu não tenho a menor vontade de colocar meu pênis para pedalar numa bicicleta, puxar peso ou fazer um supino. Já não chega o coitado ter que carregar duas bolas pra tudo que é lugar que vai. E sinceramente, para você ganhar dois centímetros, deve haver algum jeito mais fácil.

Se você não fez operação de fimose, pode muito bem aplicar botox lá na pelanca. Ganharia uns três centímetros mole mole. Também é possível fazer um recuo de saco, que daria a impressão de volume maior do pênis. Deve poder ser feito com elástico, sei lá. Mas há também boas dicas de moda. É fato que camisas de listras horizontes dão a impressão que a pessoa é mais gorda, enquanto as listras verticais fazem o indivíduo parecer mais alto. Por que não usar preservativos listrados na hora da cópula? Não duvido nada que um dia eles estarão no mercado. E na caixinha estará escrito ¿Enlarge your penis now¿.



Teste: Você é machista?

1) Para você, lugar de mulher é...

a) ( ) Obviamente na cozinha.
b) ( ) Certamente na cozinha.
c) ( ) Sem a menor sombra de dúvidas, na cozinha...


2) Complete a frase: "Mulher no volante...

a) ( ) ... é sexo frágil!"
b) ( ) ... gosta de apanhar!"
c) ( ) ... é a parte ruim da buceta!"

3) Você, como um bom machão, não usa camisinha. Só que a sua parceira não pode usar anticoncepcionais por causa de um problema com o hormônio. Então você...

a) ( ) Dá-lhe uma bolacha e pergunta: "Quem é esse tal de Hormônio?"
b) ( ) Dá-lhe outra bolacha porque quando ela falou em fazer tabelinha você pensou que ela estivesse dando pro Romário.
c) ( ) Dá-lhe mais uma bolacha simplesmente porque você gostou de lhe dar umas porradas.

4) Se alguma mulher lhe oferecer flores, isto é...

a) ( ) Impulse.
b) ( ) Piranhagem.
c) ( ) Fogo no grelo.

5) Na sua opinião, sua filha deve se casar:

a) ( ) Virgem.
b) ( ) Sem nunca ter dado para ninguém.
c) ( ) Cabacinho, cabacinho...

6) O que você mais admiraria na sua mulher?

a) ( ) A inteligência, se ela tivesse uma.
b) ( ) A sinceridade, desde que ela sempre dissesse que gozou gostoso.
c) ( ) A boca fechada.

7) O que você faria se a sua mulher dissesse, na sua cara, a sangue frio, que vai trabalhar fora?

a ( ) Riria, é claro!
b) ( ) Pediria demissão só para poder ficar atrás dela o dia inteiro.
c) ( ) Bagunçaria a casa toda só pra ela ter trabalho em dobro depois que chegasse do expediente.

8) Em qual situação sua mulher merece levar umas porradas?

a) ( ) Em qualquer uma, desde que você esteja de porre.
b) ( ) Se você encontrar a camisinha usada de um ex-namorado que ela guardou de lembrança.
c) ( ) Quando ela ri do tamaninho do seu maior motivo de orgulho.

9) Sua mulher deve ter os mesmos direitos que você?
a) ( ) Claro, desde que eu permita!
b) ( ) Sim, ela pode comer as mesmas mulheres que eu!
c) ( ) Porra nenhuma! Esse negócio de Direito me lembra Fórum, Fórum me lembra vara e mulher minha não entra na Vara de ninguém!

10) Quando sua mulher insiste em ver novela na hora do jogo do seu time, você...

a) ( ) Quebra a televisão.
b) ( ) Quebra a televisão e a sua mulher.
c) ( ) Quebra a televisão, a sua mulher e a sua sogra.



A nível de desabafo

Quatro meses... Quatro meses de abstinência. Nenhum toque feminino a não ser aquela dentista. Parecem anos. Meu humor piorou. Converso pouco, rio menos, e me irrito com facilidade. Minhas unhas estão sujas, parei de cozinhar e me sinto levemente corcunda. Embaixo do meu prédio um ponto de travestis. Homens feitos e bem dotados escondidos sob as carnes macias de uma mulher. Covardes! E se insinuam como ninguém os trapaceiros! No resto do bairro solidão e dor. Distraio-me observando as feridas de um mendigo e quando vejo já tropecei na merda, já encharquei o pé no caldo azedo que escorre do lixo.

Mulheres às vezes passam, e de shorts minúsculos. Mas como se fossem autistas, não vêem ninguém. Não precisam de ninguém. Já estão saciadas ao que parece. Meus olhos famintos colhem aquelas migalhas e não conseguem dividi-las com os outros sentidos. Nos botecos as pessoas se embriagam. A saída do álcool é unânime para os mal-amados. Terei eu também perdido o contato com a entidade feminina? Será que perdi a ligação com o barro da vida? Uma vaga lembrança de sexo vai se extinguindo na minha memória. Tudo o que vivi no passado vai parecendo um sonho. Não, a mulher realmente não existe. Foi tudo uma alucinação. A teoria de Lacan finalmente é compreendida. A vida é dura José. Os desperdícios são muitos. O falo foi só um capricho de Deus. Mas como grita este adereço!

E diante da incongruência da natureza eu me revolto. Digo desde já, que ninguém espere de mim um sorriso gratuito ou qualquer mostra de carinho e atenção. Primeiro me dêem de comer, depois negociamos o resto. Não esperem de um faminto nenhuma manifestação de solidariedade. A vida é guerra para o necessitado. Também não façam barulho, não se vistam pateticamente, e principalmente não esbarrem em mim na rua. Não encostem. As mulheres que passam caminhando no mundo paralelo igualmente não se dignam a fazê-lo.

Também não me submeterei ao papel ridículo do desespero. Não arrastarei nenhuma delas pelo cabelo. Não chutarei suas nádegas exuberantes. Não estapearei seus rostos macios. Fico na minha bolha, sem cumplicidade nem complacência com os demais. Estou de mau humor, minha letra piorou, meu hálito também. Minhas roupas estão sujas e minhas mãos estão trêmulas.

Volto de novo para o meu quarto e encontro a bagunça de um lugar que não está esperando visitas. Já não abro mais o escaninho do correio, só poeira existe lá. Nem me animo a carregar a bateria do telefone, com minha mãe eu posso conversar pelo orelhão. Lá embaixo vejo um casal apaixonado se abraçando. Cuspo no casal. Cuspo uma, duas, três vezes. Não os consigo acertar diretamente, apenas os respingos chegam até eles... e eles não se dão conta. Talvez pensem que é chuva, talvez nem sintam. Mas eu continuo. Esta noite já tenho um programa. Ficarei aqui, como um sentinela, empenhado nesta tarefa. Não sei quanto esta falta vai durar, mas já estou desenganado.



... muitas vezes sinto saudade de coisas que nunca tive. A Catherine Zeta-Jones é uma delas ...



Mais um história baseada em fatos reias....

Não

- Vamos sair, passear?

- Não.

- Como não?

- Não, ué. Não é não.

- Mas, porque não?

- Não quero.

- Quer jantar?

- Não.

- Beber?

- Não.

- Assistir o jogo?

- Não.

- Ta doente?

- Não.

- Qual seu nome?

- André.

- Ah bom...pelo menos uma que não foi não.

- Não quero papo.

- Que foi, hein?

- Não quero falar.

- Não dá para parar com isso?

- Não.

- Vou ficar irritada.

- Não ligo.

- Vou gritar.

- Não quero saber.

- Vou embora

- Vai, mas não vou abrir a porta para você.


Meu Último Pedido

Pode se assustar mesmo. É isso que você está pensando. Está é minha carta de despedida, um clichê do suicídio comum. Mas sendo eu um homem comum, nada mais justo. Só tenho um pedido, que pode ser realizado após minha morte, mas não antes do meu enterro. Algo produtivo, prometo.

Você deve estar se perguntando por que eu me mataria. Afinal, eu sempre fui muito feliz, nunca aparentei depressão e sempre aproveitei a minha vida, quase numa filosofia de carpe diem. Bebi, fumei, namorei, estudei, trabalhei e bebi de novo. Não há motivo aparente, é verdade. Porém, os que não podemos enxergar são os piores.

Eu bem que entendo porque os japoneses se suicidam muito. A gente sempre escuta: "eles são loucos", "não lidam bem com o fracasso" e outras coisas mais. O problema, na verdade, é que o japoneses estabelecem metas e punições. Ou eu faço isso, ou me mato. Ou passo na prova, ou me mato. Nunca vou ser instalador de telefone. A teoria se fecha quando constatamos o compromisso desses indivíduos com essas metas. Eles fracassam, eles se matam.

Comigo foi a mesma coisa. Consegui muitas coisas boas na minha vida. Minha família, a que eu faço parte e não criei, é ótima. Não há do que reclamar. Tenho muitos amigos, são ótimos, divertidos, inteligentes, quase irmãos. Nesta área também não tenho do que reclamar. No campo do dinheiro, tenho muito mais que muita gente, mas tenho muito menos do que gostaria. È difícil conviver com isso. No campo do amor, o fracasso é total. Não consigo entender as mulheres. Impossível.

Pois bem. E se eu disser que ter muito dinheiro e entender as mulheres são metas claras na minha vida? Isso explica muita coisa. Esses dias eu parei para pensar. Será que vou ficar rico? Não. Um dia, quem sabe, quando eu tiver 100 anos, vou entender as mulheres? Não. Para que viver, então?

Minhas metas se tornaram distantes e perdi minha motivação. A paciência já havia perdido há algum tempo. Não tenho mais nada a dizer. Espero que você não esteja chorando, odeio gente que chora.

Finalmente, está aqui meu pedido.... Publiquem está crônica, a última.



Mulheres

Primeiro foi a primeira, evidente. Eu chorava muito, não aguentava aquela sujeira toda. Aí ela vinha e me enfiava leite e mais leite. - Esse menino não tem sossego? Só quer saber de comer. Eu ficava todo encharcado, mas também não se pode culpar ninguém por isso. Coisas de primeira viagem. Pelo menos eu ainda tomo leite, meio litro por dia, e sei porquê.

Depois, e foi bem depois, veio a Letícia. Uma menininha encantadora, graciosa, tomou minha atenção por completo e sem saber nada sobre Platão e suas idéias, ele se fez conhecer na forma de amor. Coisa de criança, só observando ............ sem saber o que fazer. Mais tarde eu descobriria que isso aconteceria mesmo não sendo mais uma criança e que algumas mulheres continuariam a me ignorar e eu sem entender porque. Dura lição ininteligível. Achei que depois disso eu iria me adaptar e entender, depois, o que antes havia acontecido. Deveria ter alguma relação com maturidade, não sei.

Ainda longe da puberdade foram muitas as musas na escolinha e ginásio (se é que ainda existe tal nome). Mas a mais imcompreensível de todas foi a Ritinha, lá da rua. A família inteira sempre foi amiga e conspirava para que acontecesse alguma coisa, mesmo sabendo que a gente era muito novo e inocente para tal. Sei que era só por diversão dos adultos, mas a gente levava a sério, mesmo que sério significassem ela dizer que era minha namorada e eu nunca ter podido/conseguido beijá-la. Era namoro sem beijo, depois, um dia, viraria beijo sem namoro. As coisas são assim, quem entende. Com tanto na frente e as mulheres insistem em dar a volta e correr atrás de poeira.

A saga seguiu-se por toda a puberdade, aflita, apressada. O namoro virou caso, que se transformou em ¿ficar¿ que virou ¿beijar¿. Que fique registrado: na minha época eu já ¿ficava¿. Não faz tanto tempo assim, mas sabe-se lá por quanto tempo esse texto irá perdurar.

Tudo muito difícil. Elas querem mas não pode ser assim, tem que ser assado. Aí pode, aqui não. Todo dia eu me perguntava porque quem eu queria não me queria, porque era tão difícil ¿aceitar¿ o outro. Foi só quando eu fiquei com a Pri que eu tive a certeza: as mulheres, realmente, prestam atenção em outra coisa. Não tinha explicação racional para aquela escolha. A minha pessoa não estava preparada para suportar tanta perfeição, acho que, afinal, nunca estamos preparados. Talvez tenha sido este o meu maior erro: racionalizar o amor.

Mais dias se perderam na batalha imcompreensível entre os sexos, não necessariamente com ele envolvido.

Depois de tudo, eu conheci a Mi e foi uma completa e desenfreada busca pelo caos. Não nos envolvemos além, do mais objetivo processo de acasalamento animal e posterior amizade. Incomum. Ela não tocava no assunto, eu, o mesmo. Impressionante como durou muito mais que qualquer outro relacionamento já vivido. Essa coisa de compromisso está totalmente fora de moda. Hoje as mulheres já não são criadas para serem esposas e tomam suas vidas como deve ser. Ainda acho que essa coisa de ¿conquistar¿ o próprio espaço está se perdendo e virando uma simples substituição de papéis, o que as torna homens de saia. Passam a ser fúteis como nós trogloditas egoístas que só pensam em aparência, e satisfação pessoal. Hoje um, amanhã, outro. Esse é bonitinho, esse não. Não gostei do cabelo daquele, esse é m-u-i-t-o feio. Não estão prestando atenção em outras coisas como antes, mesmo dizendo que sim. Os sexos estão cada vez mais próximos e não é à toa que a onda homossexual cresce sobre nossos antigos paradigmas. Já ouvi dizerem que ¿o mundo é gay¿, sinceramente acho que eu tive a oportunidade de passar por uma fase de muitas transformações e já não consigo mais, não tenho forças par entendê-las (as transformações e as mulheres também).

Afinal do que se trata a vida, se não, entender as mulheres?




Como melhorar seu relacionamento...
Coisa de mulher....




A Resposta

-Cara! Estou numa enrascada...

-O que houve?

-Bem, minha namorada estava estranha ultimamente... meio fria, meio distante...

-E...

-Sei que é cagada mas...

-O que?

-Eu fiz aquela pergunta!

-Que pergunta homem? Assim você me deixa Agoniado!

-Eu perguntei... Se ela estava me traindo...

-Xiii... pela sua cara já sei qual a resposta...

-Não cara foi pior que você pensa! Muito pior!

-O que ela te disse... tá te traindo com uma mulher?

-Não cara! você me conhece eu ia achar até bom isso...

-Então fala!!!

-Ela respondeu que : ¿Tanto quanto você!¿...

-... (Com cara de ué?)

-Puta que o pariu...

-Mas... você nunca foi muito pilantra...

-Eu sei! Mas já dei uma ou duas escorregadas.

-Mas ela ficou sabendo?

-Não que eu saiba. Mas, e se ela ficou sabendo sem eu saber?

-Daí ela te traiu!

-E se for um verde para ela descobrir ...

-Daí ela não te traiu ... Ainda...

-... (Com cara de choro)

-Mas, na hora, você deu bandeira?

-Não, minha atuação merecia uma indicação para o Oscar!

-Então fica tranqüilo...

-Como!? Como ficar tranqüilo... e se ela sabe, ou pior e se ela acha que sabe! Ou pior e se ela sabe de outra coisa que não aconteceu e ela acha que aconteceu e fez por uma coisa que não era!

-Que diferença faz?

-A Diferença é que se ela soube de algo que aconteceu e me traiu, eu de certa forma mereci. Mas se ela me traiu por algo que eu não fiz é muita humilhação! Ou pior ainda, de ela descobrir o que aconteceu e achar que o que não aconteceu, aconteceu, e daí ela ter me traído muito mais que eu!!!

-Bem existem a possibilidade de também ela não ter te traído, e ter falado isso como prova de confiança de que você não traiu.

-Certo mas se eu for perguntar se é isso vou estar pondo em dúvida essa confiança e se ela desconfiar de alguma coisa...

-Tá!!! Corno!!!!!

-O que eu faço?

-Eu não queria estar na sua pele! Se eu fosse você terminava!

-Nunca! É a mesma coisa que estar admitindo que rolou alguma coisa!

-Mas ficar desse jeito é que não pode!

-Já sei! Vou fingir que estou tendo um caso e deixar ela ficar sabendo... Quando ela me trair eu dou o flagrante daí eu termino!

-Mas... Daí você vai ser corno do mesmo jeito!

-Mas pelo menos eu vou ter certeza!

...




O pecado faz muita falta.

Ninguém ousa namorar as deusas do sexo. Os homens não querem namorar as mulheres que são símbolos sexuais. É isto mesmo. Quem ousa namorar a Feiticeira ou a Tiazinha? As mulheres não são mais para amar; nem para comer. São para "ver".

Que nos prometem elas, com suas formas perfeitas por anabolizantes e silicones?

Prometem-nos um prazer impossível, um orgasmo metafísico, para o qual os homens não
estão preparados... As mulheres dançam frenéticas na TV, com bundas cada vez mais malhadas, com seios imensos, girando em cima de garrafas, enquanto os pênis-pectadores
se sentem apavorados e murchos diante de tanta gostosura. Os machos estão com medo das "mulheres-liquidificador".

Essas fêmeas pós-industriais foram fabricadas pelo desejo dos homens ou, melhor, pelo desejo que eles gostariam de ter ou, melhor ainda, pelo poder fálico que as mulheres pensam que os homens possuem. O modelo da mulher de hoje, que nossas filhas almejam ser, é a prostituta transcendental, a mulher-robô, a "valentina", a "barbarela", a máquina-de-prazer sem alma, turbinas de amor com um hiper-atômico tesão.

Antigamente, a prostituta era dócil e te servia. O homem pagava para ela "não" existir. Hoje, a cortesã moderna "existe" demais. Diante delas, todos se arriscam a brochar, apesar de desejá-las como nunca. A brochura que advém diante destas deusas não é por moral ou culpa; é por impossibilidade técnica. Quem se atreve a cair nas engrenagens destes "liquidificadores"?

Que parceiros estão sendo criados para estas pós-mulheres? Não os há. Os "malhados", os "turbinados" geralmente são bofes-gay, filhos do mesmo narcisismo de mercado que as criou. Ou, então, reprodutores como o Szafir, para o Robô-Xuxa.

A atual "revolução da vulgaridade", regada a pagode, parece "libertar" as mulheres. Ilusão à toa. A "libertação da mulher" numa sociedade escravista como a nossa deu nisso: superobjetos se pensando livres, mas aprisionadas numa exterioridade corporal que apenas esconde pobres meninas famintas de amor e dinheiro. São escravas aparentemente alforriadas numa grande senzala sem grades. Mas, diante delas, o homem normal tem medo. Elas são areia demais para qualquer caminhão. Por outro lado, o sistema que as criou enfraquece os homens que trabalham mais e ganham menos, têm medo de perder o emprego, vivem nervosos e fragilizados com seus pintinhos trêmulos, cadentes, a meia-bomba, ejaculando precocemente, puxando sacos, lambendo botas, engolindo sapos, sem o antigo charme jamesbondiano. No sexo neoliberal, o homem brasileiro perdeu o machismo orgulhoso do tempo das mulheres-objeto artesanais. A mulher pós-industrial o assusta. Não há mais o grande "conquistador".

Temos apenas alguns "fazendeiros de bundas" como o Huck, enquanto a maioria virou uma multidão de voyeurs, babando por deusas impossíveis.
Dizem as mulheres: ¿- Não tem mais homem na praça. Só tem casado, 'roubada' e veado".

Esta super-oferta de sexo rápido e maquinal está matando o mercado.

A demanda diminui com o freguês inseguro, incapaz de consumir a mercadoria, ele se ventindo devorado pelo sanduíche que comprou.

Vem aí uma recessão de corpos, com os preços caídos. Ninguém confessa no Ocidente, mas os homens estão brochando em massa. Pesquisas nos EUA mostram que se transa cada vez menos no "turbo-capitalismo".

Como amar entre celulares e Internets, com mulheres digitalizadas? Diante desta velocidade, o sexo se esvai. A verdadeira sensualidade é lenta. Precisa do sossego, da meia-luz, do abandono, do tempo vago. A volúpia precisa da calma.

Daí, a chegada do "messias" dos paus: o Viagra. Não é para velhinhos tristes. Mentira. O Viagra vem preencher o buraco que a globalização abriu, poluído por Aids e angústias de castração. Mais que um remédio, o Viagra está virando um amuleto; só de carregá-lo no bolso, o macho já se sente mais forte.

O Viagra no Brasil virou o anabolizante dos pênis fracos, a contrapartida para as "mulheres-tchan". A rapaziada está tomando Viagra para festinhas de embalo, para ser uma superoctanagem, um carburador-extra dos homens tímidos, possibilitando trepadas robóticas, onde os corpos se entrechocam sem ninguém dentro.

Ninguém está ali na cama, a não ser dois competidores aerodinâmicos, duas "coisas" sexuais. Só com ajuda de Ecstasy, Viagra, calmantes e coquetéis de chifre-de-rinoceronte
é possível o encontro de corpos separados por "camisas-de-vênus", próteses e inibições.
Os casais, hoje, querem ser "coisas sexuais", eficientes, com uma liberdade física total que possa excluir um inconsciente cheio de problemas.

Esta é a idéia: "- Sou tão mais livre e feliz quanto mais usável! Uso o meu corpo como se fosse uma prótese, um 'outro' que não sou eu, uma terceira-coisa na prateleira do supermercado".

Nosso ideal é sermos desejados como um bom eletrodoméstico. Ninguém quer ser livre; queremos ser consumidos. Infelizmente, o mito da liberdade total mata o desejo. A fé na carne como "coisa" sem lei acaba em camas sem prazer. O mercado está banalizando a perversão, numa espécie de "fetichização" do fetiche.

Me explico. O fetiche depende do segredo, do perigo, da escura experiência da transgressão à lei. Agora, o fetiche se "fetichizou" como mercadoria. Assim como a um tempo atrás tudo ganhava o emblema da "revolução", hoje tudo caminha para uma "naturalização" banal.

Tudo pode; nada se consegue. O pecado faz muita falta.

As hiper-gostosas não têm namorado. - "Ô, coitadas...!"


A Verdadeira História de Adão e Eva

O que eu realmente penso é que Deus criou o amor para se divertir. Deveria estar entediado com aquele mundinho perfeito, onde cada ser vivo cumpria o seu papel na natureza, qual seja, comer, dormir, reproduzir e morrer, quando no sétimo e último dia, sem mais idéias para incrementar a sua criação mais perfeita, o homem, resolveu abrir a caixa de Pandora: a praga do amor estava lançada. Mal sabia Deus que esse seria o fim de seus planos para povoar a Terra e constituir uma nova civilização!

O amor seria a causa de quase todos os desentendimentos entre os homens. Na verdade, a causa do desentendimento de Adão e Eva não foi a serpente, mas sim o amor. Eva já não mais queria se entregar às práticas do acasalamento sem compromisso. Começara a falar de união estável e monogamismo. Não deu outra, Adão, sentindo-se ameaçado na sua condição de macho reprodutor, resolveu fugir do suposto Paraíso. ¿Prefiro o inferno a isto aqui!!¿, bradava indignado o pobre. ¿É só passar algumas noites a mais em sua caverna que ela começa a se achar diferente das outras? Está bem, tenho que admitir que Eva tem curvas que fariam qualquer Homo sapiens perder a cabeça, mas daí pedir exclusividade já é demais!¿. Eva, indignada, resolveu abandonar a caverna que Adão havia lhe dado e mudou-se para um ¿puxadinho¿ perto da residência de seus pais. Eva sofreu muito, já Adão continuava com sua rotina de reprodutor solteiro, pulando de caverna em caverna, arrebatando novas fêmeas para o seu clã.

Passado o choque inicial, Eva começou a se dar conta de que a vida muito mais tinha para lhe oferecer do que encontros casuais com um macho playboy (de medidas generosas, não podia negar) e resolveu então mudar o rumo de sua vida. O tempo passou e Eva, na falta do que fazer (sim, porque na realidade desde que se conhece por gente fora treinada para servir incondicionalmente ao macho, estando pronta para realizar todas as suas vontades a qualquer hora do dia), resolveu fundar uma vila com outras colegas que também estavam insatisfeitas com a condição de ¿do lar¿ (escravas sexuais). Pouco tempo se passou até que a vila se tornasse conhecida por toda a redondeza, atraindo mulheres de todas as regiões.

Adão, já há algum tempo sem por suas mãos nas generosas curvas de Eva e cada vez com menos opções para uma das suas principais diversões, o acasalamento (já que muitas de suas fêmeas haviam se bandeado para a vila da Eva), começou a sentir falta de sua antiga companheira. Uma profunda tristeza tocou-lhe a alma e Adão, deixando seu orgulho de lado, resolveu procurar Eva.

Eva, agora bastante atarefada com a organização da comunidade, nem se lembrava mais de Adão, que não fora mais do que um tropeço da sua adolescência. O pobre coitado até tentou marcar uma audiência com Eva, mas até que pudessem sentar para conversar (coisa que nunca haviam feito antes!), passaram-se duas luas cheias. Quando Eva encontrou Adão, assustou-se! Pretendia ser fria e calculista com aquele que tanto a desprezara, no entanto, vendo Adão naquele estado lastimável ¿ cabeça baixa, olhar bucólico, costas vergadas ¿ não conseguiu ser rude com aquela figura que não mais exalava virilidade, mas apenas inspirava compaixão, e resolveu sentar e ouvir o que ele tinha a dizer. O diálogo que se seguiu entre os dois foi mais ou menos o seguinte:

- Eva...
- Adão.
- ...você está tão linda!
- E você, lastimável!
- É, eu sei, desde que você me deixou...
- Não vá dizer que só faz pensar em mim, porque eu sei que vai ser a maior mentira deslavada que eu já ouvi na minha vida, e olha que eu já ouvi muitas...
- Ah é, de quem, heim? E eu que sempre achei que você fosse fiel a mim...
- Corta essa, Adão!! Cena de ciúmes a essa altura? Você tem certeza que quer tocar no assunto FIDELIDADE??
- Argh, desculpa Evinha, exaltei-me um pouco, é que contar mentiras deslavadas aos pés do seu ouvido era a minha especialidade, lembra?

Adão conseguiu esboçar um sorriso tímido, será que estava conseguindo seduzi-la novamente?

Eva corta as asinhas de Adão rapidamente...

- Pois é, era há muito tempo... as coisas mudaram....eu mudei! Agora só durmo com seres superiores, isto é, mulheres. Virei lésbica, acho que é o destino das civilizações mais adiantadas, sexo com a finalidade de reprodução, nunca mais!! Não só o sexo, mas a convivência e os diálogos entre as mulheres são muito mais harmoniosos, nos entendemos perfeitamente. Não precisamos mais dos homens. Portanto Adão, a porta da caverna é a serventia da casa!

Calma, calma, vocês já devem estar pensando que esse é o triste fim das civilizações, quer dizer, fim não, é o não começo das civilizações, certo? Errado! O amor, o amor, vocês se esqueceram??? Pois é, Eva, apesar de ser bastante firme e convincente em seu papel de líder das amazonas, ainda sentia alguma coisa por aquele macho retrógrado. O fato de ter vindo humildemente pedir o seu perdão havia tocado o seu coração, ainda que soubesse que no fundo era um safado sem-vergonha, o Adão de sempre. Vai entender, o amor é assim, tudo menos racional. Além do mais, aquele papo de mulher moderna, experienciando relacionamentos modernos não estava lhe agradando. Aquele bando de mulheres que não sabiam senão passar o dia falando mal uma das outras era progesterona demais para a sua cabeça. Convenhamos, TPM já bastava a dela ...Continuemos o diálogo...

- Eva, querida, me perdoa, me perdoa!! Depois que você me largou, nada mais faz sentido na minha vida. Percebi que não a quero apenas como reprodutora, mas como amante, esposa (única), mãe dos meus filhos, companheira para toda a vida!

Tudo bem que a expectativa de vida naquela época deveria ser de 30 anos, no máximo, e que Adão, desesperado para ter alguém que cuidasse de suas frieiras na velhice, prometia qualquer coisa. Afinal, já não estava mais no vigor de seus 15 anos, completara 26 no mês anterior e já não podia mais se dar ao luxo de fazer o que lhe desse na telha, tinha que pensar em investimentos futuros. Além disso, teria que agüentar Eva apenas por mais cinco anos (expectativa de vida, lembra?), afinal Eva também já não era a beldade de outrora. Com seu talento para a observação (ainda que Adão não o utilizasse para ser mais sensível com as mulheres), já reparara que os seios de Eva já não eram mais tão firmes, apresentava visíveis sinais de um crescente culote, uma barriguinha safada e algumas celulites, além dos pés de galinha, é claro.

Eva, ingênua como todas as mulheres, quis acreditar nas boas intenções de Adão. Afinal, já não era mais moça (vide comentários de Adão acima) e menos ainda o era Adão. Sua virilidade e impetulância transformara-o em um senhor sem vergonha e patético. Seu cabelo, outrora negro e reluzente, apresentava traços grisalhos. Algumas rugas (que com certeza não eram de preocupação) e entradas crescentes compunham sua feição madura. E é claro, a barriguinha...É, pensou Eva, acho que finalmente estamos prontos um para o outro.

- Adão, apesar de todos os seus erros do passado (e que fique bem claro, espero que continuem no passado), estou disposta a te perdoar uma única vez...
- Amor, eu sabia que havíamos nascido um para o outro! Almas gêmeas, sabe??
- Deixe-me terminar de falar, se depois de expor todas as minhas condições você ainda quiser ficar comigo, então poderemos recomeçar nossas vidas.
- Por ti, submeto-me a tudo!
- Segundas e quartas lavar o quintal e arrumar a casa, terças e quintas abastecer as provisões de alimentos e não esquecer de colher cocos fresquinhos para o meu banho de desintoxicação cutânea, sexta arejar a casa e lavar as fossas (banheiros), ah, não esquecer de deixar a tampa abaixada!! Humpf, homens!!

Qualquer semelhância com os dias atuais não é mera coincidência!

Adão, desesperado, aceitou tudo, mantendo sempre a cabeça baixa. Era o preço que pagava por suas estrepolias da juventude, mas não se arrependia de nada.

- Tudo bem querida, aceito tudo, tudo!
- Adãozinho...

Lágrimas rolaram pelas faces rosadas de Eva e finalmente o casal consolidou sua união monogâmica. Tiveram dois filhos homens, sim, porque Eva também foi a responsável pela conscientização das mulheres para o planejamento familiar, e viveram felizes para sempre.

Peraí, você deve estar se perguntando, há alguma coisa errada nessa história... realmente, mais do que você imagina! Se essa história fosse verdadeira, não estaria eu aqui escrevendo essa crônica e não estaria você aí lendo a mesma! O mundo teria acabado, já que Eva, insistindo na sua política monogâmica e em seus métodos anticoncepcionais, só teve dois filhos HOMENS com Adão, acabando assim com a linhagem dos Homo sapiens. E isso tudo por quê? Por causa do amor, Eva se apaixonou por Adão, que por sua vez teve uma recaída e se submeteu ao monogamismo, deixando de espalhar suas sementes pelo mundo.

E assim caminha a humanidade ...ops, quer dizer, e assim NÃO caminhou a humanidade!

~ FIM ~


CANTADAS

- Oi.
- Oi.
- Eu estava te olhando de longe... Você vem sempre aqui?
- Só quando eu estou com vontade de fazer xixi. Quem te deixou entrar no banheiro das mulheres?
- Entrei escondido queria falar com você.
- Não podia esperar eu terminar primeiro?
- É que eu sou muito ansioso... Não é sempre que se encontra a mulher da nossa vida numa festa de formatura.
- Mulher da vida de quem?
- Da minha vida.
- Que espécie de maluco é você?
- O homem da sua vida!
- Como é que é?
- Sou o cara que nasceu pra casar e ter filhos com você.
- Essa é a sua melhor cantada?
- É sério... vamos conversar.
- Quer fazer o favor de fechar essa porta? Eu ainda não terminei.
- Desculpe. Um homem sabe quando avistou a mulher ideal. Geralmente ela é bonita, sexy, tem gostos refinados e inteligência suficiente para ignorar suas gracinhas. É fina, detesta vulgaridades.

- Me deixa vomitar em paz?
- Achei que você só estivesse apertada.
- O que eu faço no banheiro não é da sua conta...
- Eu me importo com você.
- Socorro, tem um homem aqui dentro.
- Psiuuuuu, não grita, eu só quero saber seu nome.
- Eu tô bêbada demais pra saber meu nome.
- Também estou um pouco tonto, confesso. Viu como a gente combina?
- Sai daqui e fecha essa porta antes que eu te jogue esse balde de lixo na cabeça.
- Algumas pessoas passam a vida toda procurando por um amor perfeito. Alguém que te complete e ajude no que for preciso, faça companhia em todos os momentos.

- Cara, como você é chato.
- Melhorou?
- Não acredito que você me assistiu fazendo aquilo.
- Foi a coisa mais linda que eu já vi.
- Acorda, seu idiota. Eu botei um pão de batata pra fora.
- Eu também adoro pão de batata com tequila.
- Espirrou em você, seu porco.
- Eu não ligo. Seu vômito é o meu vômito.
- O que eu fiz pra merecer um maluco desses atrás de mim?
- Tem coisas que só o destino pode explicar.
- De que planeta você veio? Larga do meu pé, chulé.
- Só você não percebeu que isso tudo não foi por acaso.
- Você me seguiu, eu pedi ajuda, ninguém te tirou do banheiro, eu te dei um banho de bolo de chocolate e cerveja.
- Nosso primeiro encontro...
- Nada disso é um encontro. Sai da minha frente.
- Não posso abandonar a mulher da minha vida.
- Que papo é esse? Deixa-me ver o que colocaram no seu whisky?
- É sério, nunca ouviu falar nisso?
- Whisky com bolinha alucinógena? É claro que sim. Nunca aceite o copo de um estranho.
- Nós somos o casal ideal. Nascemos um pro outro.
- Sabe quais são as chances disso acontecer numa festa de formatura?
- Uma em cada 150 milhões.
- Bem menores do que as chances de eu te dar uma porrada.
- Você não faria isso com seu futuro marido.
- Vamos do começo... Um: eu já tenho namorado. Dois: você não faz meu tipo. Três: isso não é uma festa de formatura. É a festa de 15 anos da Maria de Fátima.

- O segredo da relação perfeita está na identificação de sua alma gêmea. Geralmente ela é loira, alta e tem um piercing no nariz. Pode também não ser nada disso. Não importa. O grande lance é perceber se essa alma combina com a sua, tem gostos iguais, beijo bom e, de preferência, um cabelo sem gel. Quer apostar que nós nascemos um pro outro?
- Ridículo... vou ficar com peso na consciência.
- Por que não tenta? Fala uma cor.
- Preto.
- A ausência de todas as cores... A minha preferida também.
- Que bobagem.
- Um filme.
- "101 Dálmatas".
- O mesmo que o meu... Quer prova mais definitiva?
- Eu nunca vi esse filme na minha vida.
- Roubar não vale.
- Que papinho mais furado... Se toca, eu não fui com a sua cara.
- Última chance. Fala uma música.
- Ai que saco... Qualquer uma do Daniel.
- Daniel? Tem certeza?
- Absoluta.
- Então você tem razão... minha mulher ideal não gosta de música sertaneja.
- É mesmo? E que som ela curte?
- Rock, alguma coisa de Jazz... dependendo do dia, MPB.
- O que tem de errado com Leandro e Leonardo, KLB, é o Tchan?
- Nada, só não é mulher pra mim. De qualquer forma, foi um prazer. Todo mundo erra. Quem nunca pensou ter encontrado o grande amor e depois descobriu que ele roncava, tinha caspa e não era muito chegado a banho no inverno? Se fosse fácil não teria graça. O importante é não desanimar, e não foi dessa vez, partir pra outra. Tente declamar seu poema predileto em praça pública e espere alguém completá-lo. Se ninguém se manifestar, saia correndo. Podem ter chamado a polícia.
- Espera.
- O que foi?
- Eu também gosto de MPB. Minha mãe ouve Chico Buarque o dia inteiro. Tecnicamente, se eu estou em casa, também ouço.
- Não sei... Acho que foi um engano.
- Como você pode saber?
- Olhando bem... você é mais alta do que eu imaginava. A mulher da minha vida tem 1,60m de altura. Foi um prazer.
- Espera, eu estou de salto. Olha só... fiquei mais baixa.
- Você não tem nada a ver comigo.
- Tenho sim.
- Que interesse repentino pela minha pessoa... Até um minuto atrás você queria que eu fosse embora.
- Também não sei o que me deu.
- Você tomou do meu whisky, foi isso?
- Não... quer dizer, não lembro.
- Cadê seu namorado?
- Está na minha frente, com uma coisa esquisita na camisa...
- Que nojo... o que mais você comeu, hein?
- Miojo, antes de sair de casa.
- Eu não posso ser seu namorado, você já tem um.
- Eu menti.
- Só pra me dar o fora? Conseguiu. Tchau.
- Volta aqui, meu amor. Pega uma vodka pra mim.
- Sai de perto de mim, sua louca.
- Só saio daqui casada.
- Socorro!!
- Achei o homem da minha vida!!!

LEMBREM-SE : "O HOMEM GOSTA DO QUE VÊ E A MULHER GOSTA DO QUE OUVE".

Do mestre: "Luiz Fernando Veríssimo"


Cronista de Plantão

- Oi Gatinho
- Ola !
- Me faz uma crônica?
- Quê?
- Faz uma crônica aí que eu quero ver...
- Como assim?!
- Ué, você não se julga um cronista?
- Sim, mas...
- Então faz aí, pô!! Ó, vou ficar aqui esperando até cê fazer...
- Você não tem mais nada pra fazer da vida não é? Que mulher mais chata!
- Tenho, mas não vou fazer até VOCÊ fazer o que tem que fazer.
- Ah, é assim é???
- É!!!!
- Então tá, quanto você me paga?
- Heim?!?
- É isso mesmo que você ouviu, ou vai querer agora que eu trabalhe de graça? Olha que trabalho escravo é proibido por lei, tá na Constituição, vou chamar o polícia...
- Consti... o quê?
- C O N S T I T U I Ç Ã O !!!!!
- E isso quer dizer o quê, que você não vai fazer??
- É isso aí, se você quiser que eu faça uma crônica tem que me pagar. A não ser que no fundo você não queira que eu faça uma crônica e esteja aqui só pra aporrinhar a minha paciência. Se for esse o caso, aí é que chamo a polícia mesmo, você vai pro xilindró por perturbação da ordem, que tal???
- Por acaso você é advogado é?
- Não, mas meu primo é!
- Pôxa, eu só queria uma crônica...


Carteira de habilitação

Diário de uma mulher que acabou de tirar a carteira de habilitação:

5 de Janeiro


- Passei no exame de direção! Posso agora dirigir o meu próprio automóvel,

sem ter de ouvir as recomendações dos instrutores, sempre dizendo " por aí é sentido Proibido!", " Vamos em contra-mão!", "Olha a velhinha! Freia!
Freia!", e outras coisas do gênero. Nem sei como agüentei estes últimos dois anos e meio...


8 de Janeiro

A Auto-Escola fez-me uma festa de despedida. Os instrutores nem sequer
deram aulas. Um deles disse que ia à missa, julgo que vi outro com lágrimas
nos olhos e todos disseram que iam embebedar-se, para comemorar. Achei
simpática a despedida, mas penso que a minha carta não merecia tal exagero.


12 Janeiro

Comprei carro, e infelizmente tive que deixá-lo na concessionária para substituir o pára-choques traseiro pois, quando tentei sair, engatei marcha-a-ré ao invés da primeira. Deve ser falta de prática. Há uma semana que não dirijo!


14 Janeiro

Já tenho o carro. Fiquei tão feliz ao sair do "Stand", que resolvi dar um passeio. Parece que muitos outros tiveram a mesma idéia, pois fui seguida por inúmeros automóveis, todos buzinando como num casamento. Para não parecer antipática, entrei na brincadeira e reduzi a velocidade de 10 para 5km por Hora. Os outros gostaram e buzinaram ainda mais.


22 Janeiro

Os meus vizinhos são impecáveis. Colocaram posters avisando em grandes letras " ATENÇÃO ÀS MANOBRAS ", marcaram com tinta branca um lugar bem espaçoso para eu estacionar e proibiram os filhos de sair à rua enquanto durassem as manobras. Penso que é tudo para não me perturbarem. Ainda há gente boa neste mundo...


31 de Janeiro

Os outros motoristas estão sempre a buzinar e acenar-me. Acho isso simpático, embora um pouco perigoso. É que um deles apontou para o céu com o dedo espetado. Quando procurei ver o que me apontava, quase bati. Ainda bem que eu ia à minha velocidade de cruzeiro de 10km por Hora.


10 de Fevereiro

Os outros motoristas tem hábitos estranhos. Além de acenarem muito, estão sempre gritando. Não os ouço, por ter os vidros fechados, mas julgo que me querem dar informações. Digo isto porque julgo ter percebido um a dizer " Vai para Casa ". Acho isso espantoso. Não sei como ele adivinhou para onde
eu ia. De qualquer modo, quando eu descobrir onde fica o botão que abre os vidros vou tirar muitas duvidas.


19 de Fevereiro

A Cidade é muito mal iluminada. Fiz hoje meu primeiro passeio noturno e tive de andar sempre com o farol alto aceso, para ver convenientemente. Todos os motoristas com quem me cruzei pareciam concordar comigo, pois também ligaram os máximos e alguns chegaram mesmo a acender outros faróis que tinham. Só não percebi a razão das buzinadas. Talvez para espantar
algum cão ou gato. Sei Lá.


26 de Fevereiro

Hoje tive um acidente. Entrei numa rotatória, e como havia muitos automóveis (não quero exagerar, mas deviam ser, no mínimo, uns quatro), não consegui sair. Fui dando voltas bem juntinho ao centro, à espera de uma oportunidade, de tal forma que acabei por ficar tonta e fui chocar com o monumento ao centro da rotatória. Acho que deviam limitar a circulação nas
rotatórias a um carro de cada vez.


3 de Março

Estou em maré de azar. Fui buscar o carro na oficina e, logo à saída, troquei os pés, acelerando a fundo em vez de frear. Abalroei um carro que ia passando, amassando-lhe todo o lado direito. O motorista era, por coincidência, o instrutor que me aprovou no exame de direção. Um bom homem, sem dúvida. Insisti em dizer-lhe que a culpa era minha, mas ele educadamente, não parava de repetir: " Que Deus me perdoe! Que Deus me perdoe!".

"AUTOR DESCONHECIDO"


Banheiro feminino

Tá certo, vamos começar sem aquela coisa mais comum sobre o assunto, mas também não vamos delirar como outros. Porque sabemos muito bem que o que elas fazem lá é a mesma coisa que a gente faz guardadas algumas posições estratégicas que preservam a higiene pessoal e colaboram para a contínua assepsia do ambiente - coisa rara, diga-se de passagem.

Também não é nenhum segredo que o que elas falam lá a gente também fala só que não levanta da mesa, fala ali mesmo, sem qualquer medida de bom senso.

A mística do banheiro feminino está mais ligada a prórpia mulher e seus mistérios e menos aos assuntos e curiosidades. Quando se vai ao banheiro, ou "toilet" como preferem os mais educados, já me excluindo dessa categoria tediosa, porque nunca consegui dizer: "toilet". Sempre que eu tenho que ir ao banheiro (a lá ...... falei?), eu vou ao "banheiro" mesmo, pergunto onde é o "banheiro" e pronto, mas quando se vai ao banheiro a gente sabe muito bem quais são as opções e não tem nenhum mistério, este fica por conta mesmo da figura eclipsada da mulher e suas metáforas corporais, sinuosidades e delicadeza. Acho mesmo que é fetiche ou algo assim, parecido. Eu mesmo nunca tive toda essa curiosidade sobre o toilet feminino (só mesmo escrevendo pra usar essa palavra!), a única coisa que me intriga e há tempos eu tenho pesquisado é o comportamento das mulheres no vestiário feminino. Sim, existe uma grande diferença entre estar em um vestiário e estar em um banheiro.

A questão é sobre homens e mulheres, na verdade. Nós homens sabemos que em um vestiário masculino não se deve deixar o sabonete cair, por exemplo. Se você estiver em um vestiário masculino você vai inevitavelmente olhar algumas coisas e como fazia quando era pequeno, só que agora mentalmente, você vai comparar dimensões e funcionalidades; piadas daqui, risadas dali, até chegar no futebol, é claro.

No vestiário feminino .................. existe uma lacuna mental nesse meu verbete. As mulheres não tem um órgão tão aparente como os homens (pelo menos não deveriam ter) mas podem muito bem comparar como fazemos nós, como disse uma Miss uma certa vez: somos todos seres humanos com sentimentos! A minha questão é sobre a postura feminina diante umas das outras. "... o dela é menor que o meu...", "... a minha é mais levantada...", "... nossa, quanta estria..." coisas desse gênero talvez aconteçam, mentalmente, é claro. E se tudo isso se comprovar um dia, talvez as diferenças sejam relamente mínimas, porém essenciais, e as explicações preencham as lacunas do imaginário masculino, pondo fim de vez nas divagações sobre o assunto.



Cuidado com o Sexo Virtual!!!!

SaradaodoRJ: Oi minha gata, estou aqui para satisfazê-la.

MolhadinhaRJ: Ai, que bom. Estava tão carente... Vc tc de onde?

SaradaodoRJ: De Ipanema, e vc?

MolhadinhaRJ: Mistério...

SaradaodoRJ: Ah gata que isso, vai fazer mistério? Fala de onde vc
tc.

MolhadinhaRJ: Do Rio, ora. Meu nome é MolhadinhaRJ, o que vc
esperava?

SaradaodoRJ: Mas de que lugar do RJ, gata?

MolhadinhaRJ: Mistério... sou uma mulher muito misteriosa.

SaradaodoRJ: Hummm, quero desvendar todos os seus mistérios

MolhadinhaRJ: Tenho prazeres sexuais muito peculiares...

SaradaodoRJ: Como assim?

MolhadinhaRJ: Vc gosta de sadomasoquismo?

SaradaodoRJ: Que que é isso?

MolhadinhaRJ: Dar uns tapinhas, levar uns tapinhas.

SaradaodoRJ: Lógico! Tem seda aí?

MolhadinhaRJ: Não é esse tipo de tapinha, gato. Tapa na cara, me
dar na cara, levar na cara. Vc gosta?

SaradaodoRJ: Vc gosta de levar porrada?

MolhadinhaRJ: Humm, adoro levar uns tapinhas na cara.

SaradaodoRJ: Então toma, sua puta

MolhadinhaRJ: Hummm, assim eu vou gozar...

SaradaodoRJ: Toma, pá pá pá pá

MolhadinhaRJ: Pára, pára pelo amor de Deus, assim não

SaradaodoRJ: Ué, como assim? Não era o que vc queria?

MolhadinhaRJ; Não, é que esse pápápápá é horrível.Parece tiro.

SaradaodoRJ: Então como é que eu vou fazer o barulho, porra?
Paf,soc, tum, pou!

MolhadinhaRJ: Cacete, isso aqui não é desenho do Batman, escreve
alguma coisa sensual

SaradaodoRJ: Como é que eu vou ser sensual dando porrada?

MolhadinhaRJ: Faz o seguinte, não escreve nada, só bota assim "tô
batendo", sei lá

SaradaodoRJ: Tá, então toma sua puta, tô batendo

MolhadinhaRJ: Aiii, bate mais, dá na cara, me chama de cadela, de
vagabunda

SaradaodoRJ: Cadela, vagabunda, toma, toma, tô batendo

MolhadinhaRJ: Ai, isso, vai, bate, me soca

SaradaodoRJ: Soco? Mas vai te machucar, eu luto jiu-jitsu

MolhadinhaRJ: Aiiiiii, que gostoso! Deve ser uma montanha de
músculos...

SaradaodoRJ: Sim, sou 100 quilos de puro músculo

MolhadinhaRJ: Então me dá um mata-leão meu jiujiteiro, me joga no
chão,me faz dar soquinho no tatame, meu totoso

SaradaodoRJ: Tô te socando, te enfiando a porrada, sua vagaranha!Tô
batendo!

MolhadinhaRJ: Então me joga no chão e me põe de quatro, tesudo!

SaradaodoRJ: Fica de quatro, vagaba. Geme, grita, goza! Sua puta!Tô
batendo!

MolhadinhaRJ: Quero que me meta...

SaradaodoRJ: Tô batendo.. digo, tô metendo...

MolhadinhaRJ: quero que vc pegue uma vassoura de piaçava e enfie em
mim...

SaradaodoRJ: O q?

MolhadinhaRJ: É isso, mete, vai

SaradaodoRJ: Mas tem que ser de piaçava? Não serve de outro
material?

MolhadinhaRJ: Não, tem que ser de piaçava, senão eu não gozo!

SaradaodoRJ: Bom, se é isso que vc quer... Pronto, tô metendo...

MolhadinhaRJ: Mete, mete ela todinha

SaradaodoRJ: Vc gosta disso?

MolhadinhaRJ: Sim, agora tira ela

SaradaodoRJ: Pronto

MolhadinhaRJ: Tô imaginando vc pegando graxa, passando na vassoura
e metendo ela em mim...

SaradaodoRJ: Escuta aqui, vc é maluca?

MolhadinhaRJ: Sim, sou louca, tarada, doida, aiii, mete, vai

SaradaodoRJ: Tá bom, tô metendo.

MolhadinhaRJ: Isso, rebola com a vassoura dentro de mim, vai,
mete...

SaradaodoRJ: Tô rebolando, metendo, botando, tá gostoso?

MolhadinhaRJ: Muito, ahhnnnn. Agora faz o seguinte...

SaradaodoRJ: O quê? Tira a vassoura e enfia pelo lado da piaçava?

MolhadinhaRJ: Não, pega seu pau e encosta no monitor...

SaradaodoRJ: O QUÊ?

MolhadinhaRJ: É isso mesmo, bota, vai, que eu vou subir em cima do
monitor e me esfregar todinha nele...

SaradaodoRJ: Mas é assim que se transa pela internet?

MolhadinhaRJ: É assim que eu gosto... Vai, encosta e toca uma
punheta pra mim

SaradaodoRJ: Mas eu vou esporrar meu computador todo

MolhadinhaRJ: Eu também vou deixar o meu molhadinho, vai,
encosta...

SaradaodoRJ: Tá bom, eu estou com a cabecinha dele encostada no
monitor

MolhadinhaRJ: Aiiii, hummmm, que delícia

SaradaodoRJ: Como é que vc está conseguindo bater no teclado?

MolhadinhaRJ: Ahnnnn, devd aatar sanndo tdo erasdfo ms fdd d=se

SaradaodoRJ: O QUÊ?

MolhadinhaRJ: Ajjjjh v gozoar

SaradaodoRJ: Puta merda

MolhadinhaRJ: AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA

SaradaodoRJ: Gozou?

MolhadinhaRJ: Não, caí no chão

SaradaodoRJ: AHH, PUTAMERDAAAAAA! ESSA MULHER É DOIDA!

MolhadinhaRJ: Calma, meu jiujiteiro... ai, foi tão gostoso

SaradaodoRJ: Escuta, vc não prefere fazer isso ao vivo?

MolhadinhaRJ: Claro, gostoso, vem me pegar e vamos foder a noite
inteira

SaradaodoRJ: Tá bom, finalmente vou saber onde vc mora. Onde é?

MolhadinhaRJ: Em Ipanema, na Vinicius de Moraes

SaradaodoRJ: Mas é aqui do lado, eu moro na Prudente

MolhadinhaRJ: Que bom, então vem pra cá agora. Eu moro no 3456

SaradaodoRJ: Que coincidência, minha avó paterna mora nesse
predio.Conhece a dona Célia?

MolhadinhaRJ: Renatinho?

SaradaodoRJ: VOVÓ?


CANTADAS

Marcos, Paulo, Zé Neto e Rodrigo. Quatro adolescentes. Estavam planejando em como conseguir uma mulher. Estão naquela fase em que eles só falam delas, de como beijá-las, de como ficar. A festa foi na semana passada, às dez da noite, na melhor boate da cidade.

Marcos, o mais velho, com 19 anos, foi o primeiro a chegar. Como ele próprio diz, chega sempre mais cedo para analisar o território. Mais tarde, apareceram os dois irmãos Paulo e Zé Neto, gêmeos, com 18 anos. E finalmente, Rodrigo, com também 18 anos. Os quatro muito elegantes e perfumados. Achavam que estavam num dia de glória.

Depois de baladas e baladas, finalmente os alvos foram estabelecidos. Cecília, Amanda, Carol e Juliana. Faltava coragem para os quatro chegarem nelas, mas decidiram que seria na hora da dança mais badalada.

A música realmente era muito badalada e agitada. Enfim, criaram forças e foram à guerra. O primeiro fora Rodrigo. Chegara em Amanda. Ela estava com uma blusa verde, decotada, muito bonita e simpática. A primeira coisa que Rodrigo dissera foi:

- Nossa! Se verde já é bom assim, imagina madura!

- O quê!?? ¿ respondera Amanda cobrindo os peitos.

O segundo fora Marcos, bem perfumado, o mais vaidoso dos quatro. O alvo dele é Cecília. Timidamente se aproxima.

- Oi, meu nome é Marcos e o seu?

- Cecília. Ai, não me diga que você quer ficar comigo?

- Bem, é o que realmente quero.

- Graças, pensei que nunca mais ia beijar de novo.

- UAU! Adoro mulheres diretas.

- É que faz mais de um mês que eu estou em liberdade, e nunca ninguém passou perto de mim.

- O quê?!

Apesar da carinha de anjo, por trás daquele rosto que aparentemente tinha uns 18 anos, na verdade era uns 24. O terceiro, fora Zé Neto. Ele tinha namorada, mas nada impedia que ele ficasse com Carol.

- E eu em casa comendo carne de terceira com tanto filé nessas festas.

- Pois é, e meu pai com tanta carroça na fazenda precisando de uns burros pra puxar.

O único problema da Carol para Zé Neto, é que ela não gostava de homens, era lésbica.

O último, Paulo e o seu alvo, Juliana.

- Errr, sabia que você é muito bonita?

- Sou? É, minha mãe sempre me fala isso.

- A sua boca, Meu Deus, que boca!

- Desculpa, mas eu nem sei seu nome, como fala da minha boca com tanta intimidade?

- Não posso ter essa intimidade?

- Olha, eu não quero ficar com você, tá? Você não faz meu tipo!

- Mmmmm... bem, pelo menos me dê seu telefone.

- Meu telefone? Você acabou de levar um fora, menino! Pra quê você quer meu telefone?

- É pra eu não ligar nem por engano. Quem disse que eu queria ficar com você, sua tonta!?



Um pingo

"Quem fez essa porquera?" - foi o grito que eu escutei.

Eu já estava quase pegando no sono sentado na forma que o meu corpo decalcou no sofá da sala. O sofá é um lugar mágico, de onde vêem todos os sonhos! Acreditem! Contudo não pude deixar de escutar esse berro, mesmo porque lá em casa nunca ninguém foi, vamos dizer assim, discreto.

Foram os cinco segundos mais longos de toda a história mundial, mas eu levantei; músculo após músculo, parte após parte, eu fui me erguendo do servo de Morpheu para ver o motivo de tal ato escandaloso.

No banheiro. Sim .............. no banheiro. Uma simples gota. Digo gota porque não sei o que ela continha. Podia ser, mas podia não ser. Podia ser apenas água. De qualquer forma, ela estava lá: repousava sobre a tampa do vaso sanitário (na verdade eu pensei em "privada", mas é uma palavra muito feia de escrever). Mas quando falo "tampa do vaso sanitário" quero dizer, não a tampa de tudo, aquela que encerra o assuto, quero dizer aquela na qual se pensa. Foi essa que você pensou? Então: essa mesma.

- Quem fez essa porquera? - indignada com a situação.
- ...

Eu não respondi porque não consegui. Fiquei a ver a posicão das coisas no banheiro, o espelho sobre a pia, a pia ao lado do vaso, ao lado do cesto de lixo. Podia muito bem ter respingado da pia. Podia, sim. Dependendo da força da água do próprio vaso, ela respinga também. Repare.

Observava, observava muito, acho que era o sono mal acabado que fazia voar entre o etéreo e o terreno. De repente um estalo. A vida! É, a vida! Estar na cuba rodopiando até o ralo. Cair torneira abaixo pela cuba ............ o tempo vital que se vai sem que se possa estancar a trajetória natural. Mas o Homem pode. Tem que inventar, não se atém ao propósito inicial, é muito ansioso e intervém com seus tampões e o que mais for evitar o livre correr da vida. Tudo isso é a mais pura acuidade da vida: seguir da torneira para a cuba e por lá ficar seus ínfimos segundos até que se vá. E poucos, somente uns poucos conseguem, entre o abrir da torneira e o escorrer pelo ralo, respingar para a tampa do vaso ......... privada - vou escrever privada mesmo - e viver o que não se está programado, viver o que não é o mais fácil, não ser como deveria, mover-se. É preciso mover-se da inércia humana, nascer, crescer e morrer como fizeram outros antes de você. Você precisa marcar a história, fazer a história nem que seja a sua própria, porque no fim .............. no Fim meu caro, todos desaparecemos: ou escoando pela cuba da pia ou evaporando da tampa. Porém quem evapora aproveita o tempo de ir que de fulgás e pouco comparado ao tempo que o jato da vida te leva para o ralo.


E depois de tudo, só vai restar a lembrança daquele pingo na tampa do vaso sanitário.





Por motivos técnicos o fabuloso, antológico, disseminado, glorioso, fantástico e desapegado BLOG do Gato Escaldado ficou fora do ar, retornando agora para mais uma saga de delírios e pensamentos nebulosos sobre o mundo e sua versão feminina.
O bom filho a casa torna.... ( Frase meio piegas, mas aplicável)
Bom... To de vorta!!!!


Louvada seja a Bunda

A humanidade vive o início de uma nova era. Após a Era do Conhecimento, tão aclamada e alardeada pelos mais otimistas como sendo o ápice da organização humana desde que o primeiro brucutu saiu da caverna em busca de comida, o homem depara-se com a novíssima Era da Bunda, recém saída do forno.

A Bunda, percebam, está em todos os locais: é só ligar a televisão e lá está ela, sacolejante, tomando conta da tela. Há bundas de todos os tipos e para todos os gostos, há também os bundões que se auto-proclamam os reis da mídia, cujos súditos, não menos bundões, aguardam ávidos por qualquer bobagem que lhes saia da boca. É a Era da Bunda.

- Mas isso é um desbunde! - dirão alguns, sem se dar conta que a Bunda os observa. Como no romance de George Orwell, 1984, onde o Grande Irmão vigiava os passos do cidadão comum, a Bunda nos espiona e, onde quer que estejamos, nunca estamos sós. Podemos pensar que estamos sozinhos, porém, lá está uma bunda, mesmo que despercebida, nos fazendo companhia.

Não quero aqui provocar uma revolta, nem é meu objetivo instaurar um clima de desconfiança. É correto afirmar que, em contrapartida, também a própria Bunda é observada. Principalmente a feminina. Nada mais justo que vigiarmos os passos de nosso inimigo para que não sejamos pegos de surpresa quando, enfim, a Bunda quiser subjugar o homem e dominar o planeta. Precisamos estar atentos a todos os movimentos dela, tendo em vista que esta é a época mais perigosa, devido Carnaval e às praias estarem lotadas de bundas dispostas a aderir ao ato revoltoso que culminará na derrocada humana. Fiquemos atentos a qualquer atitude suspeita, principalmente aos atos rebolativos das bundas femininas, que nada mais são que códigos secretos ainda totalmente indecifráveis.

Creio que seja tarde para revertermos o processo, uma vez que ela (a Bunda) já tomou conta de todos os meios de comunicação. Podemos observar, no entanto, que o avanço da frente inimiga é maior em alguns países. A Era da Bunda se faz mais nítida nos países onde a Era do Conhecimento é menor, o Brasil é um exemplo bastante claro disso. Por aqui nada do que se faça poderá pôr um fim ao processo, iniciado já há bom tempo, desde que as primeiras bundas estrangeiras chegaram em suas caravelas.

O retorno é irreversível, prova disso é que já cantam os bundões com as bundas fazendo refrão:

- Tá dominado, tá tudo dominado!


O FUTURO

Conversa entre pai e filho, por volta do ano de 2031, sobre como as mulheres dominaram o mundo.

- Foi assim que tudo aconteceu, meu filho... Elas planejaram o negócio discretamente, para que não notássemos. Primeiro elas pediram igualdade entre os sexos. Os homens, bobos, nem deram muita bola para isso na ocasião. Parecia brincadeira. Pouco a pouco, elas conquistaram cargos estratégicos: Diretoras de Orçamento, Empresárias, Chefes de Gabinete, Gerentes disso ou daquilo.

- E aí, papai?

- Ah, os homens foram muito ingênuos. Enquanto elas conversavam ao telefone durante horas a fio, eles pensavam que o assunto fosse telenovela... Triste engano. De fato, era a rebelião se expandindo nos inocentes intervalos comerciais, "Oi querida!", por exemplo, era a senha que identificava as líderes. "Celulite", eram as células que formavam a organização. Quando queriam se referir aos maridos, diziam "O regime".

- E vocês? Não perceberam nada?

- Ficávamos jogando futebol no clube, despreocupados. E o que é pior: continuávamos a ajudá-las quando pediam. Carregar malas no aeroporto, consertar torneiras, abrir potes de azeitona, ceder a vez nos naufrágios. Essas coisas de homem.

- Aí, veio o golpe mundial ?!?

- Sim, o golpe. O estopim foi o episódio Hillary-Mônica. Uma farsa. Tudo armado para desmoralizar o homem mais poderoso do mundo. Pegaram-no pelo ponto fraco, coitado. Já lhe contei, né? A esposa e a amante, que na TV posavam de rivais, eram, no fundo, cúmplices de uma trama diabólica. Pobre Presidente...

- Como era mesmo o nome dele?

- Clinton, acho. Tinha um apelido, mas esqueci... Desculpe, filho, já faz tanto tempo...

- Tudo bem, papai. Não tem importância. Continue...

- Naquela manhã a Casa Branca apareceu pintada de cor-de-rosa. Era o sinal que as mulheres do mundo inteiro aguardavam. A rebelião tinha sido vitoriosa! Então elas assumiram o poder em todo o planeta. Aquela torre do relógio em Londres chamava-se Big-Ben, e não Big-Betty, como agora... Só os homens disputavam a Copa do Mundo, sabia? Dia de desfile de moda não era feriado. Essa Secretária-Geral da ONU era uma simples cantora. Depois trocou o nome, de Madonna para Mandona...

- Pai, conta mais...

- Bem filho... O resto você já sabe. Instituíram o Robô "Troca-Pneu" como equipamento obrigatório de todos os carros... A Lei do Já-Prá-Casa, proibindo os homens de tomar cerveja depois do trabalho... E, é claro, a famigerada semana da TPM, uma vez por mês...

- TPM ???

- Sim, TPM... A Temporada Provável de Mísseis... É quando elas ficam irritadíssimas e o mundo corre perigo de confronto nuclear...

- Sinto um frio na barriga só de pensar, pai...

- Sssshhh! Escutei barulho de carro chegando. Disfarça e continua picando essas batatas...

Luiz Fernando Veríssimo (Grande mestre)


Teoria Quântico-relativística da Burrice e da Feiura

Penso que a natureza sabe, de certa forma, compensar alguma desvantagem de um ser vivo dando-lhe uma espécie de "bônus" em algum outro quesito necessário à sua sobrevivência. Assim é com os animais tidos como cegos, o morcego por exemplo, não enxerga nem um palmo à frente do nariz, porém tem desenvolvido um sistema de sonar que dá inveja a muitos navios modernos. A natureza quis dar ao morcego um subsídio extra que pudesse ocupar o espaço da absoluta falta de visão. E conseguiu.

Na lista de exemplos clássicos desta teoria temos também os veados (veados do tipo cervo, naturalmente quadrúpedes), que, por serem animais dóceis e sem defesas tornariam-se presas extremamente fáceis aos seus predadores carnívoros, não fosse a velocidade espetacular que são capazes de atingir devido ao seu corpo esguio, propício à corrida.

Se observarmos bem, veremos inúmeros casos semelhantes onde uma deficiência em algum quesito gera, necessariamente, uma vantagem em outro. Não poderia ser diferente com os seres humanos, que não têm os sentidos tão desenvolvidos quanto os outros animais, mas têm uma série de vantagens que compensam satisfatoriamente, sendo que a maior delas é a capacidade de pensar.

Tomemos como exemplo, porém, a relação Beleza X Inteligência nos seres humanos, são dois itens totalmente adversos, mas não seria exagero afirmar que um deles costuma compensar a falta do outro, ou seja: mulher exageradamente bonita tende à burrice. Exagero? Bem, citei "mulher bonita" como exemplo apenas, pelo fato de mulher ser sinônimo de beleza, em se tratando de seres humanos, mas o mesmo caso é aplicável aos homens, portanto, onde se lê "mulher", leia-se "homem", "ser humano", "gays", entre outros.

Ainda citando a relação Beleza X Inteligência, podemos observar que os dois quesitos são opostos entre si, sendo que, quanto maior a inteligência menor a beleza, e vice-versa. Graficamente poderíamos expressar esta situação através de um X, onde cada linha diagonal representa um dos quesitos em seus pontos máximo, médio e mínimo, que poderiam ser substituídos por Lindo, Bonito e Horrível na linha da Beleza, e por Anta, Inteligente e Inteligentíssimo, na linha da Inteligência (A ordem desta é inversa à outra, na primeira a escala é decrescente e nesta é crescente).

Observando esta representação gráfica verificamos que há um ponto onde as linhas da Beleza e da Inteligência se encontram, o que poderíamos chamar de Ponto de Equilíbrio, ou, trocando em miúdos, podemos afirmar que há certos felizardos que se salvam, que nasceram com a felicidade de serem bonitos e inteligentes. Esta classe de pessoas é conhecida como "Ainda há esperanças".

Seria impossível afirmar que há pessoas da classe Lindas Inteligentíssimas ou da classe Antas Horríveis, mas não seria difícil encontrarmos Antas Lindas ou Horríveis Inteligentíssimos. O gráfico nos dá uma série de classes à medida que subimos ou descemos na escala. Isso explica o porquê daquela beldade ser uma anta, acreditem ou não.

Com esta tese provamos definitivamente que a natureza é perfeita em seus desígnios, nunca deixando os seres vivos totalmente desamparados, e que, se quiser uma boa conversa, feche os olhos.



(Esta teoria está devidamente registrada no Cartório de Registros e Patentes sob o título de "Teoria quântico-relativística da burrice e da feiúra", sendo que a titularidade da mesma pertence ao autor deste documento, um dos poucos felizardos há pouco citados).


A INDECISÃO

- atira João!
- Não atiro Joana.
- Atira cabra!
- Não posso Joana.
- É assim que gosta de mim?
- Gosto, mas...
- Parece até que tu gosta mais dela...
- Que absurdo, Joana.
- Deixa de sê covarde, home.
- Eu vou ficar com remorso...
- Tanta gente faz isso e não fica com remorso,tonto!
- Eu sei que ficarei...
- Como essa pelo mundo tem tantas...
- Já imaginou a dor que ela vai sentir?
A criatura que era alvo da morte estava calma, como se debochasse dela...
- Com esses chumbões que você colocou na espingarda, não dá tempo nem dela gemer...
- Joana eu não sabia que você era tão fria.
- Tu tem pena dela, mas não tem pena do nosso casamento.
- Não misture as coisas Joana. Eu amo você. Não é porque eu não quero matar esta criatura que a gente vai brigar. O nosso casamento está acima de tudo...
- É, mas se a gente não está se entendendo em um fato tão banal como matar esta aí, como ficaremos quando chegar os dilemas da vida?
- Quer matá-la? Então faz tu mesmo!
- Dê cá essa espingarda!
Joana mirou a espingarda e meteu chumbo na galinha, que caiu se estribuchando...
- Parece até que não gosta de uma galinha ao molho pardo, home...




BELEZA INTERIOR

De repente, uma mulher bonita não seria mal.

Não digo uma beleza elevada ao exagero, dessas de comercial do vinte e um, que parece ter costurado um sorriso de plástico na cara, um sorriso de boneca Barbie que chega a enjoar, ou aquela do tipo boneca inflavel com trilha sonora " BABA BABY, BABA...". ( Teria medo de sair com uma Kelli Key da vida e ela lietralmente estourar na minha mao de tão oca). Falo de uma beleza simples, de cabelos simples, lábios simples, olhos simples. Nada mais simples que isso.

A mulher realmente bela nem precisa se enfeitar muito. As feiosas irão dizer: "- mas e a vaidade?". É óbvio que a mulher tem de ter vaidade, mas daí a ficar se enchendo de parafernálias e penduricalhos pra ficar bonita é o mesmo que tentar tirar leite de pedra. E tem feia que nem o Pitanguy dá jeito.

Outra coisa é esse negócio de que o que interessa é a beleza interior. Esse papo deve ter sido inventado por alguém pra lá de feio. Todo mundo concorda com isso, dá uma de monge budista, faz de conta que tá mesmo preocupado com a personalidade do outro, mas na hora de escolher entre uma feia e uma bonita, dá um bico na feia, por mais lindas que sejam as suas entranhas. E ainda sai com essa: - o que interessa pra mim, em uma mulher, é a beleza interior... uma vez dentro, beleza!

Mas há algumas lindas que não se se importam muito em sê-lo. São belas, inteligentes, admiráveis, de boa conversa, exigentes e não se deixam levar por modismos. São vaidosas sem serem obcecadas pela opinião alheia. Sabem o quanto são bonitas e valorizam isso, sem perder de vista a própria cultura. Estas mulheres realmente conquistam um homem. As outras, que se firmam apenas em seus peitos, ancas e coxas, dificilmente conseguirão algo além de uma noitada. A menos que os dito-cujos sejam tão insossos quanto elas. E insosso não falta.

O problema é que, nos dias de hoje, a beleza é supervalorizada e ninguém quer ficar atrás. Não defendo a teoria de que devamos todos abrir mão da aparência, que os homens deixem crescer a barriga e as mulheres cultivem pêlos nas axilas, muito ao contrário: acho que todo mundo tem direito à vaidade, até mesmo nós, os feios, desde que não esperemos milagres nem reconhecimento.

Besteira é ficar aguardando ansioso o dia em que uma mulher linda irá lhe parar na rua e dizer ¿- estou apaixonada por você, pela sua beleza interior... seu fígado é maravilhoso!¿




A Revolução das Amélias

As mulheres estão, cada vez mais, ocupando espaços estratégicos na sociedade. Nada mais justo, tendo em vista que representam mais de 50 porcento da população mundial e têm, salvo em alguns países ainda extremamente machistas, poder de voto e veto.

Fato comprovado: as decisões de compra partem quase sempre das mulheres, principalmente quando se trata de produtos para a casa ou gêneros alimentícios. Decoração, então, nem se fala. As mulheres decidem os móveis desde a máquina de lavar roupa até a cama do casal. Os fabricantes há muito já perceberam isso e procuram fazer anúncios voltados especificamente para este público. Perceberam também que a melhor mídia ainda é o bom e velho fuxico de salão de beleza, superando até mesmo as milionárias campanhas televisivas. É o poder de voto das mulheres decidindo o produto que deverá permanecer e o que deverá sair do mercado.

As mulheres invadiram também a vida pública, já há ministras de todo tipo, deputadas, vereadoras, prefeitas e senadoras decidindo o nosso futuro. Não aconteceu o que previam os mais sarcásticos: a instauração do "Dia da Fofoca" ou a o estabelecimento da hora da novela como momento de recesso nacional. Ainda não tomaram de todo o poder, mas isso, talvez, seja questão de tempo. Quem sabe um dia ainda vejamos os carros saírem das fábricas tendo o rosa como cor padrão, enquanto a presidenta da companhia cite a célebre frase de Henry Ford, devidamente adaptada ao universo feminino: "você pode comprar um carro de qualquer cor, desde que seja rosa".

Enquanto isso os homens, acomodados que são, vão perdendo espaço para as mulheres, restando-lhes cada vez mais o trabalho pesado, aqueles passíveis de se quebrar a unha. Abaixo o machismo, sem dúvidas, mas abaixo também o feminismo exacerbado que, em nome da igualdade dos sexos, tenta igualar o ser humano do sexo masculino aos homens pré-históricos, incapazes de ter sentimentos, perceber a beleza das coisas ou emocionar-se. O estigma de que homem não chora é um fardo que temos de carregar desde a infância, impostos a nós por nossas próprias mães, mulheres, que são as maiores divulgadoras da bandeira machista.

Na ânsia de quererem igualdade as mulheres acabam, muitas delas, tornando-se realmente "iguais" à maioria dos homens. Ríspidas e distantes, acabam perdendo aquilo que têm de mais belo e que mais encanta o sexo oposto: sua feminilidade e fragilidade, ainda necessárias à manutenção da masculinidade, mesmo que fora de moda.

Boas-vindas à era da predominância feminina, já era tempo de nós, os homens, reconhecermos que elas têm muito mais do que beleza a oferecer em prol da construção de um mundo melhor. A mulher passa de mero coadjuvante a parte integrante neste processo. Cuidemos, entretanto, para não dar início a um machismo às avessas, onde o bicho homem passe a ser caçado. Como disse Napoleão, o grande general: "muitos dos oprimidos sonham em ser os opressores".

E vivas à igualdade!


Tal como no tempo da ditadura militar, meus pensamentos sumiram, foram censurados...
Portanto para ocupar o espaço do que seria mais um brilhante texto segue uma receita de bolo...


Bolo de cenoura

3 cenouras grandes (cruas);
1 xícara de chá de óleo de milho. (eu uso canola);
2 xícaras de açúcar;
4 ovos inteiros;
2 xícaras de farinha de trigo;
2 colheres das de sopa de fermento em pó.
_____________________________________________________________
Bater no liquidificador as cenouras, óleo, açúcar e os ovos, por 5 minutos.
Despejar a massa em uma vasilha e colocar a farinha e o fermento. Misturar tudo muito bem e colocar em uma forma untada com manteiga e farinha, por uns 40 minutos (depende do fogão).

Cobertura
____________________________________________________________
1 lata de creme de leite sem soro (eu tiro o soro deixando a lata por 30 min no refrigerador - lavada com sabão);
4 colheres das de sopa de achocolatado (eu prefiro Nescau);
2 colheres das de sopa de açúcar.
Mexer pouco (ficar como uma calda).


A cobertura deste bolo é a que segue abaixo, mas eu prefiro a de cima:

2 colheres das de sopa de margarina;
8 colheres das de sopa de açúcar;
4 colheres das de sopa de leite;
4 colheres das de sopa de Nescau.


ROMANCE PAULISTANO

O momento que estamos juntos, é interminável.
Nossos corpos estão tão unidos, que posso sentir as batidas do coração dela.
Sua respiração se confunde com a minha.
Nossos movimentos são sincronizados, indo e voltando, para frente e para traz.
As vezes pára, como que querendo nos colocar a prova. Quando nos cansamos
da mesma posição, nos esforçamos para mudar,mesmo que seja só um pouco.
O suor de nossos corpos começa a fluir sem nada que possamos fazer. Um calor
enorme parece que nos fará desmaiar. Estamos próximos do clímax,uma força
ainda maior nos faz ficar ainda mais colados um ao outro, agora sinto o
corpo todo dela. E quando não agüentamos mais segurar...... uma voz ecoa
em nossos ouvidos:

- "Estação Sé, desembarque pelo lado esquerdo do trem".




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